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Pedidos de suspensão não demovem campanha

por JOÃO MOÇO  

Hitler, Estaline e Saddam Hussein. Estes são os três protagonistas de uma nova campanha publicitária alemã contra a sida. Apesar de as associações de saúde exigirem a sua suspensão, campanha tem início marcado para a semana.

Esta semana uma campanha publicitária de prevenção do VIH na Alemanha gerou imensa polémica por ter como um dos protagonistas Hitler. Apesar de toda a controvérsia que está a gerar, tudo indica que a partir da próxima semana esta mesma campanha terá o seu arranque. E para 1 de Dezembro, Dia Mundial da sida, já está marcado o início de novas campanhas, desta vez protagonizadas por Estaline e Saddam Hussein.

Pela Internet já circulam cartazes, bem como o vídeo que gerou toda a polémica. Nele vê-se um casal a ter relações sexuais. Mas a sua identidade é desconhecida, até ao momento em que Hitler se revela como um dos intervenientes, seguido do seguinte slogan: "A sida é um assassino em massa."

Nuno Viegas, publicitário e voluntário na Abraço, disse ao DN que esta campanha "é discriminatória para os portadores de VIH, ao serem representados como Hitler, e só vai levar à discussão sobre os limites da publicidade e não a um debate sobre a questão do VIH". No entanto, Dirk Stitz, director da Das Comitee, agência responsável pela campanha, já explicou o porquê da utilização de ditadores: "Questionámo-nos sobre que cara poderíamos dar ao vírus e não poderíamos dar uma cara bonita."

Todavia, nada demoveu várias associações alemãs de luta contra a sida, como por exemplo a Deutsch Aids Hilfe, que exigem a suspensão desta campanha, mesmo que esta tenha sido encomendada pela organização humanitária alemã Regenbogen.

Toda esta polémica vem problematizar uma nova questão: quais os limites da publicidade? Ricardo Miranda, publicitário na Brandia Central, disse ao DN que "os limites da publicidade são ditados pela sociedade em cada momento". Quanto ao choque criado por estas imagens, o publicitário explicou: "Todas as marcas para se desenvolverem têm de criar buzz (terminologia para se referir a burburinho), e isso faz parte da estratégia, que hoje em dia é criada de forma cirúrgica".

Porém, não são uma novidade campanhas publicitárias que utilizam um "tratamento de choque" para se revelarem ao mundo. Quanto a este caso específico, Miranda referiu que o tema da sida "é usado em publicidade há mais de 20 anos e por isso é difícil de arranjar um novo ângulo de abordagem. Nós, em publicidade, tentamos usar a imaginação para procurar novas formas de criar algo que ainda não tenha sido feito por todos".

Mas para Nuno Viegas, da Abraço, refere que "o choque como forma de prevenção já não funciona. E sendo este um tema que as pessoas já não gostam de falar, perante uma campanha assim preferem nem ver".

Tags: TV & Mediamedia


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