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por DN/Lusa
(Em actualização) O antigo director-geral da TVI, José Eduardo Moniz, disse hoje que o cancelamento do Jornal de Sexta é um "escândalo" que resulta de "influências políticas e idiossincrasias empresariais".
"O que acaba de acontecer hoje é um escândalo a todos os títulos: do ponto de vista político, empresarial e da liberdade de informação em Portugal. É escandaloso que esta situação tenha ocorrido", afirmou o actual vice-presidente da Ongoing.
Moniz recordou que no dia em que deixou a TVI referiu, em entrevista ao Jornal Nacional, que seria "um escândalo se o Jornal de Sexta não fosse retomado em Setembro".
"Influências políticas e idiossincrasias empresariais" contribuíram
O antigo director-geral da TVI não tem dúvidas que houve influências políticas no cancelamento do Jornal de Sexta. Mas também aponta o dedo aos accionistas da Prisa, detentora da TVI.
Para José Eduardo Moniz, esta posição demonstra "uma enorme falta de verticalidade da parte dos accionistas" que "acabam de revelar que não têm estatuto nem dimensão para terem um órgão de comunicação social em Portugal", disse.
José Eduardo Moniz considera que a decisão tomada hoje demonstra a diferença entre a cultura jornalística de Portugal e de Espanha, onde há "enfeudamentos".
"Nós em Portugal não estamos habituados a ter enfeudamentos a ninguém e a prática da liberdade pressupõe que se respeitem os critérios jornalísticos, que se respeite a liberdade de opinião, que se respeite a liberdade de estilos", disse.
"Pelos vistos, nada disso é consentâneo com a maneira de pensar e agir nos accionistas da Media Capital. Acho que foi isso que hoje ficou bem demonstrado", concluiu.
"Já há muito tempo que eu deixei de ser um ingénuo. Tenho 57 anos, a ingenuidade, infelizmente, deixou de fazer parte do meu portfolio, e não tenho a mínima dúvida de que - não sei se agora, se no passado - que influências políticas terão naturalmente contribuído para que uma decisão deste tipo tenha sido tomada", afirmou.
"Influências políticas e naturalmente idiossincrasias empresariais que não são consentâneas com os hábitos que os portugueses têm", acrescentou o vice-presidente da Ongoing.
José Eduardo Moniz saiu da TVI, estação que liderava desde 1998, a 05 de Agosto deste ano.
A 10 de Agosto, o presidente da Ongoing, Nuno Vasconcellos, anunciou José Eduardo Moniz como o novo vice-presidente do grupo de media.
Suspensão do Jornal Nacional provoca demissão em bloco
Hoje, a Direcção de Informação da TVI demitiu-se em bloco devido à suspensão do Jornal Nacional de Sexta-feira, que é apresentado por Manuela Moura Guedes, confirmou fonte da estação ao DN. Demissões confirmadas oficialmente pela Media Capital. Moura Guedes já tinha nova peça preparada sobre o caso Freeport.
A direcção da TVI é composta por João Maia Maia, director, pelo directores-adjunto Mário Moura e pela sub-directora Manuela Moura Guedes. Os chefes de redacção, António Prata e Maria João Figueiredo, também apresentaram a demissão.
“O Grupo Média Capital, SGPS, S.A. informa que, ao final desta manhã, o Senhor Administrador Delegado recebeu do jornalista Dr. João Maia Abreu pedido de demissão do cargo de Director de Informação da TVI e, de seguida, pedidos de demissão dos jornalistas Engº Mário Moura e Drª Manuela Moura Guedes dos cargos de Director-Adjunto e Sub-Directora, respectivamente. O Dr. João Maia Abreu aceitou manter-se interinamente em funções até ser nomeada uma nova Direcção de Informação”, confirmou em comunicado à CMVM (Comissão de Mercado de Valores Mobiliários) o accionista da TVI.
"O Jornal de Sexta foi cancelado, acabou", disse à Lusa uma fonte da estação. O ‘Público’ adianta que a Administração deu como justificação motivos económicos, baseados na reestruturação que está a implementar na estação televisiva.
Justificação que surge apenas na véspera do regresso agendado do Jornal Nacional de Sexta-feira. À Notícias TV, revista que amanhã sairá para as bancas com o DN, Moura Guedes dissera que “só se fosse alguém muito estúpido” é que cancelaria o programa que o primeiro-ministro José Sócrates chegou a chamar de “espaço travestido de jornalismo”.
O Jornal Nacional de Sexta-feira tornou-se polémico essencialmente pelas reportagens explosivas sobre o caso Freeport, caso de alegada corrupção que tem vários arguidos e sobre o qual ciclicamente surgem notícias sobre a suposta ligação de Sócrates. Aliás, Moura Guedes disse ao ‘Público’ que para, o telejornal que deveria ir para o ar amanhã, já estava preparada nova peça sobre o caso Freeport.
Prisa diz que decisões são da Media Capital
A espanhola Prisa remeteu hoje qualquer comentário sobre a situação na TVI para a Media Capital, afirmando que qualquer decisão sobre a estação de televisão é tomada pela empresa com sede em Portugal.
"Trata-se de uma questão que corresponde à gestão da Media Capital e sobre a qual a Prisa não tem qualquer comentário adicional a fazer", disse à Lusa uma fonte da Prisa em Madrid.
"É a Media Capital que tem que falar sobre este tema", insistiu a mesma fonte, rejeitando comentar notícias que referiam que a decisão de suspender o Jornal Nacional teria partido de Espanha e estaria motivada por questões económicas.
"Só se fossem muito estúpidos é que me tiravam do ar!"
Manuela Moura Guedes deu uma grande entrevista à revista Notícias TV - que sai na próxima sexta-feira com o Diário de Notícias -, onde declarou que "só se fossem muito estúpidos" tirariam o Jornal Nacional de sexta-feira do ar. E fundamentou: "o meu jornal faz grandes audiências, esta televisão é uma televisão comercial, vive de audiências e daquilo que elas geram".
Na entrevista, de seis páginas, Moura Guedes fala das relações com o Governo e do primeiro-ministro, critica José Alberto Carvalho e José Rodrigues dos Santos, pivôs da RTP, goza com os currículos dos membros do Sindicato dos Jornalistas e da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, diz que prefere Vasco Pulido Valente a Miguel Sousa Tavares e fala abertamente das operações que lhe mudaram a cara.
Tags: TV & Media, media
Fotografia © Rodrigo Cabrita - DN
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JHG
É TUDO MUITO MUITO"CHIQUE"! EUROPA, ...
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Nuno Calvet
Muito maior escândalo é o que ...
há 159 dias, 8 horas e 38 minutos
jose magalhaes
Escandaloso é esta afirmação de ...
há 159 dias, 8 horas e 44 minutos
MCAC
Não posso deixar de mostrar o ...
há 159 dias, 9 horas e 1 minuto
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