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por PEDRO FONSECA
Passados 50 anos sobre o lançamento da TV analógica, a mensagem para o arranque do sistema digital é a mesma. O DN comparou as mensagens e concluiu que em ambos os sistemas as entidades responsáveis exaltam os benefícios de ver mais e melhor TV
A propaganda usada há mais de 50 anos para dinamizar a televisão em Portugal e a campanha para o lançamento da televisão digital terrestre (TDT) este ano são muito semelhantes.A edição de 50 mil exemplares de uma brochura datada de 1956, que circula completa por e-mail e está disponível nalguns blogues, e o site de promoção TDT.telecom.pt permitem a comparação da promoção nos dois momentos. Separados por meio século, as semelhanças são notáveis.A capa do folheto é mostrada no microsite da história da RTP no capítulo das primeiras emissões na antiga Feira Popular de Lisboa, na Palhavã.O documento é também mencionado no site do livro sobre os 50 anos da RTP (1957-2007), de Vasco Hogan Teves. Este garante que a concepção e arranjo gráfico couberam a Marcello de Moraes, arquitecto cuja assinatura surge na capa e que acumulou vários cargos na RTP."Aos visitantes do seu pavilhão na Feira, a RTP oferecia uma pequena brochura ilustrada, com 32 páginas", explica Teves, que é, "certamente, uma preciosidade para coleccionadores"."A publicação, orientada para a propaganda do novo serviço esclarecia sobre as características, os meios e as finalidades da TV em Portugal" e reunia "nas suas páginas seleccionada publicidade a marcas de receptores que iniciavam a conquista do mercado (bom será não esquecer que na imprensa diária já por essa altura anunciavam, com regularidade, 25 marcas diferentes)".Intitulado "Onde? Como? Quanto? Quando?", o pequeno livro começa por abordar o "eficiente instrumento de educação", a "obra de portugueses" e a missão da RTP como "tarefa nacional".Sobre o que se iria ver, já então os "grandes estádios" se antecipavam a políticos, cientistas ou artistas. "A televisão é a actualidade presente", o "traço de união da família", seria mostrado "tudo, enfim, o que educa distraindo".Mais de 50 anos depois, o site TDT - da responsabilidade do Fórum TDT (parceria entre os operadores PT, RTP, SIC e TVI) - explica o que é a TDT, quando e como se faz a transição ou os custos envolvidos.Nos benefícios da "nova televisão gratuita", mais do que o lado educativo, funcionam as vantagens tecnológicas. "Os portugueses" com a "televisão tradicional vão beneficiar de uma melhor experiência de televisão", nomeadamente "funcionalidades avançadas de utilização" e melhor "qualidade de som e imagem". Provavelmente, até um canal de alta definição.Na fase inicial, a televisão da RTP ia chegar a 60% da população e o resto "depois a curto prazo", com um custo inicial de "menos de um escudo diário!". Já a TDT chegará a 80% da população no final de 2009, mais do dobro dos actuais 43%.O documento de 1956 salienta como "a RTP e os negociantes de aparelhos conjugaram os seus cálculos para que possa oferecer a sua mulher, a seus filhos e a si próprio um receptor de TV. Planos estão a ser estudados para o estabelecimento dos mais baixos preços, aliados às maiores facilidades de pagamento em longos prazos (...). Um aparelho de TV não vai pesar no seu orçamento mais do que qualquer outro aparelho de utilidade doméstica de categoria equivalente".Agora, a mensagem é que "a Portugal Telecom tem estado a sensibilizar vários fabricantes para a necessidade de estabelecer preços baixos para que todos os portugueses tenham a possibilidade de migrar para esta nova realidade televisiva".Finalmente, a histórica brochura esclarecia que a rádio e a televisão "não vão lutar entre si. Vão, sim, colaborar, completar-se!". Também a TDT não luta com a rádio, porque "neste momento não está prevista a emissão de canais rádio na TDT".
Tags: TV & Media, Televisão
Jamba Laya
O país não dá mais que isto...
há 197 dias, 15 horas e 50 minutos
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