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por PEDRO FONSECA
Um grupo de profissionais de algumas das mais conceituadas publicações vai lançar, em Outubro, um 'site' em que os media podem ter os seus conteúdos para venda, mediante um único pagamento para o utilizador.
O Journalism Online (JO) foi anunciado esta semana e é uma experiência singular pelos seus fundadores e pela estratégia para jornais terem conteúdos pagos na Internet.
O produto final só deve ser divulgado no Outono mas antecipa--se que os editores não precisam de investir na plataforma tecnológica e os utilizadores podem ler várias publicações com um único pagamento. "Há uma necessidade urgente por um modelo de negócio para garantir que o jornalismo de qualidade é beneficiário do eficiente mecanismo de distribuição pela Internet e não sua vítima", explicou Steven Brill, fundador com Gordon Crovitz e Leo Hindery.
Brill criou a Court TV, as revistas The American Lawyer ou Brill's Content e idealizou o Contentville, um projecto semelhante ao JO que faliu em 2001.
Crovitz foi editor do Wall Street Journal, cuja versão online paga obteve mais de um milhão de leitores. Hindery foi CEO da TCI e da AT&T Broadband.
O modelo pago de acesso online a media tem vindo a ganhar adeptos pela constatação de que a publicidade na Internet não é sustentável. A disponibilização de quatro serviços pelo JO recebeu "forte interesse" de empresas de media, embora nenhuma tenha firmado qualquer contrato.
O primeiro é o site Journalismonline.com para acesso dos utilizadores, protegido com password para a conta pessoal com pagamento simplificado por artigo ou por subscrição mensal ou anual de publicações. A única condição para participar é que "os editores têm de cobrar por alguma parte dos seus conteúdos", explicou Hindery.
Como agregador de editores, o JO impulsiona a divulgação dos diferentes conteúdos pelos utilizadores, repartindo os lucros entre todos, incluindo a publicidade no site. Em terceiro, a empresa vai negociar o licenciamento dos conteúdos com motores de busca e agregadores de notícias para "estabelecer uma relação mais estável" entre todas as partes, tendo contratado conhecidos advogados. Por último, a empresa partilhará métricas e estratégias de maior retorno entre os editores, que são livres de escolher o modelo que consideram apropriado.
"A minha experiência", refere Crovitz, "ensinou-me que as pessoas pagam um preço razoável para aceder a jornalismo exclusivo, diferenciado e essencial, seja impresso ou online".
O JO chamou a atenção pelos fundadores, mas também pelo apoio legal contratado. David Boies foi defensor do Napster, advogado de acusação pelo governo no caso de antimonopólio contra a Microsoft e representou Al Gore no imbróglio das eleições de 2000. O seu parceiro neste projecto, Ted Olsen, foi o seu oponente pela defesa de Bush.
A expectativa pelos resultados do Journalism Online é elevada tendo em conta a actual crise. Nos EUA, a percentagem de jornalistas desempregados aumentou 11,3% em 2008. Segundo a American Society of News Editors (ASNE), a perda de 5900 posições foi a maior desde 1978 e "é uma perda para a democracia", diz Charlotte Hall, presidente da ANSE.
O encerramento do jornal local em 2007 teve um impacto nas eleições do ano seguinte.
Mas o fecho de empresas de media não representa a morte do jornalismo tendo em conta o ocorrido há 91 anos nos EUA, como a revista Slate recordou.
Oswald Garrison Villard escreveu sobre o assunto para a Atlantic Monthly, em 1918. O então editor da The Nation apontou o desaparecimento do Boston Journal como uma "tragédia do jornalismo" e para a democracia, pela necessidade de ouvir "ambos os lados de cada assunto".
Villard falava da existência de apenas um matutino em várias cidades, uma escassez proporcionada pela reduzida publicidade e "enormes custos de manutenção" dos jornais, com perdas financeiras que os proprietários não estavam dispostos a manter, invertendo a anterior tendência "psicológica" de o fazer por prestígio.
"Há poucos outros sectores em que sejam mantidas tantas empresas não lucrativas", referia então Villard.
Tags: TV & Media, media
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