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por JOANA EMÍDIO MARQUES
Entrevista com José Gil, filósofo e professor universitário, que hoje dá a sua última aula na Universidade Nova de Lisboa, onde está há 29 anos.
Hoje dá a sua última aula na Universidade Nova de Lisboa, onde lecciona há 29 anos. Que impressão gostaria de deixar nos seus alunos?
Gostaria de deixar uma certa liberdade de pensar. Pensar não apenas no âmbito filosófico, mas nas diferentes disciplinas, nos diferentes campos do saber. Gostava de deixar, sobretudo nos alunos, a capacidade de construírem um pensamento profundo e rigoroso sobre a vida.
E na universidade, nos colegas, na comunidade filosófica?
Não existe comunidade filosófica em Portugal, portanto, não sei a importância que o meu trabalho tem tido. Da parte dos colegas também não tenho tido muito feedback. Excepto de alguns, poucos, amigos filósofos.
Diz isso com uma certa mágoa?
As pessoas que constituem a academia portuguesa não estão abertas ao pensamento uns dos outros. Vivem isoladas, só pensam nelas e nas suas carreiras. Tenho mágoa porque se houvesse troca de ideias entre as pessoas, se houvesse comunicação, criar- -se-ia uma energia contagiante, que ajudaria os alunos e ajudaria o País.
A reforma da vida académica tem-no induzido a fazer um balanço sobre a sua vida?
Não, porque a vida é feita de metamorfoses. Este é mais um momento de metamorfose para mim. Vou fazer outro uso do tempo. Poderei dedicar-me mais aos meus estudos filosóficos. Para já vou reunir um conjunto de textos que tenho escritos em torno da temática do corpo. E vou trabalhar em mais dois livros.
Houve um momento em que abandonou o lugar de filósofo desconhecido para se tornar uma figura mediática que pensa e escreve sobre Portugal. Considera que essa sua intervenção deu frutos?
Não, penso que não consegui induzir mudança. Não é porque as pessoas começam a usar um vocábulo do meu livro (inscrição) que isso muda alguma coisa. A influência dos livros é pouca, pois os problemas da sociedade portuguesa são muito profundos.
Vai manter a sua intervenção no espaço público português, nos livros, nos media?
Sim, porque em Portugal há muitas coisas sobre as quais me interessa pensar. Além disso, esta é a sociedade à qual pertenço e intervir também faz parte da forma como penso a própria filosofia. Neste momento, acho que Portugal está a abdicar da exigência democrática. Não há um esforço para pensar em alternativas além dos paradigmas reformistas vigentes.
Sobre o que vai falar na sua última lição?
Vou falar sobre um assunto que me estimula o pensamento, que é a linguagem na arte e na filosofia.
Tags: Portugal
Anónimo
Nem poderia discordar com tudo ...
há 175 dias, 14 horas e 25 minutos
Há mais de 10 anos que assisti ...
há 175 dias, 17 horas e 7 minutos
telmovieira
Tem toda a razão o Sr. Professor. ...
há 175 dias, 19 horas e 46 minutos
João Bosco
É o medo e uma consciência profunda ...
há 175 dias, 21 horas e 40 minutos
jose
Não hà comunhão de idéias entre ...
há 175 dias, 23 horas e 39 minutos
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