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por Lusa
Há duas semanas a prestar apoio à população de Reguengo do Alviela (Santarém), isolada pela subida das águas do Tejo, a corporação de Bombeiros Voluntários de Pernes começa a dar sinais de algum desgaste.
Francisco José Viegas, comandante da corporação, disse hoje à agência Lusa que o apoio à população da aldeia se tem feito sem grande dificuldade, mas o arrastamento da situação no tempo começa a causar algum desgaste, já que os elementos disponíveis são praticamente sempre os mesmos.
Durante a semana, os Bombeiros Voluntários de Pernes colocam três dos seus elementos mais disponíveis a fazerem as viagens necessárias para levar à povoação os bens essenciais e para transportar os que necessitam de sair da aldeia, nomeadamente para consultas médicas.
"Ainda agora, o barco foi lá buscar uma pessoa para a transportar até à ambulância que a espera para ir fazer um tratamento médico ao Hospital de Santarém", disse.
Os dois barcos da corporação estiveram de serviço durante o fim de semana, já que a subida das águas impediu a circulação da viatura alta, devendo esta retomar as viagens hoje à tarde, dada a previsão de descida dos caudais, disse.
Ao longo destas duas semanas, foi a segunda vez que os barcos tiveram que entrar ao serviço, já que também no fim de semana anterior (27 e 28 de Fevereiro) o nível das águas impediu a circulação das viaturas pesadas.
E é precisamente ao fim de semana que a corporação tem que reforçar os meios no terreno, já que assegura o transporte dos familiares que vão visitar os parentes à povoação, disse.
Neste fim de semana, além dos seis elementos que asseguraram o funcionamento dos dois barcos, a corporação disponibilizou outros dois para conduzirem os camiões que transportaram os barcos e estiveram a prestar apoio nas deslocações entre a zona alagada e Vale de Figueira e Pombalinho, as duas povoações vizinhas (uma de cada lado da zona inundada).
Francisco Viegas disse à Lusa que, sobretudo ao fim de semana, são muitos os curiosos que vão até às zonas inundadas para "ver as cheias", mas esses não podem aceder ao Reguengo do Alviela.
A povoação encontra-se num ponto de relevo mais elevado, não sendo as habitações afectadas pela subida das águas, que a deixam numa espécie de "ilhota".
Todo o apoio que os Bombeiros Voluntários de Pernes estão a prestar à população tem sido suportado pela Associação Humanitária, que espera vir a ser ressarcida destes encargos pela Associação Nacional de Protecção Civil ou pela autarquia, disse.
"É um encargo significativo para uma associação em situação financeira difícil como a nossa", afirmou, sublinhando que a corporação espera a "devida compensação" pelo apoio que tem vindo a prestar.
Tags: Portugal, Centro
Fotografia © Paulo Cunha
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