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por AMADEU ARAÚJO, V
Doente esperou quatro horas para ser transferida de helicóptero. Em vão. Um avariou na descolagem, outro não tinha condições para o transporte
Uma mulher com um grave traumatismo na coluna esperou, no Hospital de Viseu, durante mais de quatro horas por uma retirada de helicóptero para os Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC). O INEM assegura que accionou todas as hipóteses para efectuar o transporte aéreo mas nem a existência de um helicóptero a escassos 30 km do hospital impediu que a mulher fosse transportada por estrada. A família da doente admitiu ao DN apresentar queixa contra o organismo.
O episódio voltou a chamar a atenção para as dificuldades (ver caixa) nas transferências aéreas entre hospitais do interior numa altura em que continuam sem estar no terreno os três helicópteros prometidos há dois anos para o INEM, cujo concursos públicos se arrastam.
Maria Rosa Pereirinha estava num pinhal em Farejinhas, na manhã de quarta-feira, a ajudar no abate de pinheiros. Mas uma das árvores caiu "apanhando a mulher, que ficou debaixo do pinheiro", disse ao DN fonte dos Bombeiros de Castro Daire. A mulher, de 61 anos, foi então transportada para o Hospital de Viseu onde deu entrada com "um traumatismo vértebro medular", adiantou fonte hospitalar.
A transferência da doente para os HUC foi decidida "às 17 horas e accionado um helicóptero do INEM", confirmou o hospital.
Segundo o INEM "este transporte deveria ser efectuado por helicóptero e foi accionado o heli do Porto, que teve uma avaria na descolagem, que o inoperacionalizou", adiantou a porta-voz do instituto. Raquel Leal adiantou que " por estar mais perto, foi accionado o helicóptero Kamov de Santa Comba Dão", da Protecção Civil mas "por razões meteorológicas não teve condições para chegar a Viseu".
Uma informação que não é confirmada pelo Hospital de Viseu. Fonte oficial assegurou que "esse heli não pôde ser usado devido às condições de entrada da maca no aparelho, já que não é possível coloca-la direita".
Uma critica que se repete depois de terem sido conhecidas várias queixas sobre a utilização em evacuações médicas dos helicópteros Kamov. Os médicos que operam na aeronave asseguram que "o habitáculo apresenta várias condicionantes que não o tornam apto a evacuar doentes, muito menos com lesões graves na coluna". De facto de 1 de Fevereiro a 31 de Maio do ano passado, o único período em que existem dados disponíveis, os helicópteros Kamov realizaram apenas cinco missões em período nocturno e com equipa médica a bordo no âmbito de requisição do INEM.
A Protecção Civil, que não confirmou a existência de Ordem de Missão, revelou que na própria quarta-feira o Kamov "esteve em missão de treinos, na área de Santa Comba Dão e não foram reportadas quaisquer problemas". Apesar disso e de acordo com o INEM foi accionado o helicóptero de Lisboa mas "as razões meteorológicas também não possibilitaram a sua descolagem". Decorridas 4 horas e perante a falta de resposta para o transporte aéreo foi tomada a decisão de enviar a doente de ambulância até aos HUC.
Cerca das 21 horas a mulher foi transferida para Coimbra. Fonte dos HUC disse ao DN que o seu "prognóstico é reservado e está em risco de ficar tetraplégica".
O INEM desvaloriza o atraso, assegurando que a doente "se encontrava em ambiente hospitalar e acompanhada de equipas médicas". Uma justificação que não convence a família que "pondera" apresentar uma queixa.
Tags: Portugal, Centro
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