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Gripe A

Grávidas desistiram da vacina após morte de fetos

por PATRÍCIA JESUS  

A falta de adesão das grávidas é o principal dado que sobressai do balanço do primeiro mês de vacinação contra  a gripe A. As autoridades de saúde culpam as notícias sobre morte de fetos, dizendo que houve uma quebra enorme na segunda quinzena do mês. Mas reconhecem que o ambiente de desconfiança afectou médicos e enfermeiros. A DGS estabelece agora como prioridade convencer  as as grávidas

A "grande maioria" das cinco mil grávidas portuguesas que já se vacinaram contra o H1N1 fê-lo na primeira quinzena do mês, antes de serem noticiadas as quatro mortes de fetos em grávidas vacinadas. Depois disso, "notou-se uma quebra enorme", revelou ao DN a subdirectora-geral da Saúde, Graça Freitas. Assim, apenas 8% das 60 mil futuras mães que já podiam ter sido vacinadas estão protegidas contra a gripe A, conclui.

"Muitos centros de saúde tinham grupos de dez grávidas marcadas e não aparecia uma. E quando telefonavam às utentes elas diziam que tinham medo", conta Graça Freitas, uma das responsáveis pela campanha de vacinação.

Este medo é, segundo a médica, a razão pela qual no primeiro mês de vacinação só foram imunizadas cinco mil das 60 mil futuras mães no segundo e terceiro trimestre de gravidez - um grupo prioritário, devido ao facto de terem dez vezes mais risco de sofrerem complicações se forem infectadas pelo H1N1.

Por isso, ontem, no balanço do primeiro mês de campanha, a Direcção-Geral estabeleceu como prioridade proteger este grupo, juntamente com as crianças, no mais curto espaço de tempo.

Para o director-geral da Saúde, Francisco George, a falta de confiança das gestantes deve-se "à inexplicável visibilidade" das notícias sobre a morte de fetos em grávidas vacinadas. Mas o presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia, Luís Graça, admite que a imprensa se limitou a fazer eco das dúvidas de "muito médicos e enfermeiros que falaram sem propriedade". "Acho que um obstetra que recomenda a uma grávida que não seja vacinada está a violar as boas práticas médicas, mas não é possível adoptar uma atitude policial", conclui. Em vez disso, pede aos colegas que se informem antes de aconselharem as grávidas.

Foi exactamente para esclarecer os médicos que, nas últimas semanas, Graça Freitas e Francisco George se desdobraram para participar em sessões informativas sobre a vacina, a pedido de associações de médicos e sociedades científicas, diz a subdirectora.

"Ultimamente as dúvidas que surgem são mais de carácter operacional, como perguntas sobre possíveis interacções com outros medicamentos, do que sobre a segurança da vacina", acrescenta. Fonte do Ministério da Saúde refere também a importância de pedir aos médicos que ajudem as mulheres a recuperar a confiança na vacina.

Pelo contrário, os pais parecem ter aderido bem: desde dia 16, em pouco mais de uma semana, foram vacinados oito mil bebés entre os seis meses e dois anos.

Já a adesão dos profissionais de saúde varia. Ao todo foram vacinados 17 mil, o que corresponde a 32% dos médicos e apenas 18% dos enfermeiros. Francisco George considerou que a cobertura dos médicos é boa (no Inverno de 2007 tinham-se vacinado contra a gripe sazonal apenas 28%), mas admite que a adesão dos enfermeiros fica aquém do desejado e não é suficiente para proteger a classe. Nem para assegurar o funcionamento dos serviços de saúde em caso de pandemia.

No total, até terça-feira, foram vacinados 96 mil pessoas no continente, o que corresponde a 65% das vacinas distribuídas até essa altura: 142 mil, mais 10 mil nas ilhas. Mas até ontem já tinham chegado mais 62 mil doses.


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