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por ANA BELA FERREIRA
As pessoas comprometidas que queiram dar 'facadinhas no matrimónio' já têm um sítio onde podem fazê-lo de forma discreta. Ainda antes da chegada do Gleeden português, já há milhares de utilizadores nacionais.
Apresenta-se como um "jardim da felicidade", mas a escolha do fruto proibido para símbolo deixa antever que este não é um local pensado para juntar almas gémeas, mas para juntar aqueles que querem ter uma relação extraconjugal sem serem apanhados. Gleeden, o novo site de encontros na Internet, tem um objectivo claro: juntar pessoas casadas ou comprometidas que queiram ser infiéis.
É tudo feito com a garantia da maior discrição, assegurada em parte pela mensalidade que é preciso pagar para se inscrever e manter os contactos. E, apesar de a versão portuguesa ainda não ter sido lançada, esta página já conta com 1500 portugueses inscritos, com idades entre os 30 os 40 anos.A adesão portuguesa a este novo suporte para a infidelidade é para o psicoterapeuta Rui Ferreira Nunes um sinal dos tempos. "As pessoas, principalmente dos 20 aos 30 anos, estão mais abertas e ter casos extraconjugais é quase legítimo", explica. Assim, muitos casais de hoje "começam a aceitar a traição como um paradigma da relação", acrescenta.
O terapeuta de casais considera que nas relações actuais se nota "uma grande dificuldade em investir numa ligação. Já não há a história do casamento para toda a vida, as pessoas partem logo do pressuposto que não é preciso grande esforço para estar com alguém". Uma ideia reforçada pelas várias formas de encontrar alguém nos dias de hoje.
Além do site que facilita as infidelidades, existem ainda outros que oferecem desculpas para justificar ausências. Desde colóquios, viagens e cursos de culinária, muitos são os álibis que se podem comprar para não ser apanhado numa 'escapadela'.
Apesar de ser socialmente reprovável, a traição é, segundo o terapeuta Rui Ferreira Nunes, "uma fantasia comum". Mais complicado é quando se torna real. "As pessoas muitas vezes não pensam nas consequências dessas fantasias", considera.
De facto, o especialista revela que nas suas consultas é patente "uma certa infantilidade". "Só se pensa no prazer imediato e esquecem-se todos os benefícios de investir numa relação".
Mas nas relações extraconjugais também existe investimento. E não é só emocional. Para se estar ligado no Gleeden, cuja versão portuguesa deve estar pronta antes do final do ano, é preciso abrir os cordões à bolsa. Cada 15 créditos - entradas efectivas - custam sete euros e quem quiser ter um acesso sem limites terá de pagar 907 euros.
Sendo apresentado como uma forma segura de trair, o mais difícil de ultrapassar pode ser mesmo o sentimento de culpa. Porém, os responsáveis do site dão uma ajuda e lembram que 75% dos infiéis nunca se arrependeram. Outras estatísticas mostram ainda que, por exemplo, metade dos espanhóis teria uma relação extraconjugal se tivesse oportunidade.
Tags: Portugal
Empresas arranjam desculpas para ausências
Antolin Santos
É das poucas criações interessantes ...
há 86 dias, 19 horas e 17 minutos
mauricio de sousa
desculpem utilizar esta linguagem, ...
há 86 dias, 22 horas e 25 minutos
Analou
Um casamento corre mal , arranja- ...
há 86 dias, 22 horas e 45 minutos
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