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Processo 'Face Oculta'

CDS/Aveiro garante que não recebeu donativos de Godinho

por Lusa  

O presidente da Distrital do CDS/Aveiro, Raul Almeida, garantiu hoje à Lusa que o seu partido não registou qualquer donativo do empresário Manuel José Godinho, principal arguido do processo Face Oculta.

O também deputado do CDS pediu mesmo à investigação que clarifique em que contas foram depositados dois cheques de 10 mil euros cada que, segundo notícias hoje divulgadas, teriam sido entregues por Godinho a estruturas do CDS no distrito de Aveiro, em fins de 2001.

"Nem nas contas centrais do partido nem das concelhias há registo ou memória da recepção de qualquer cheque de Manuel Godinho", garantiu Raul Almeida à agência Lusa, na sequência de diligências que ele próprio diz ter feito ao longo da manhã de hoje.

"Gostaríamos, por isso, que dissessem em que contas é que foram passados os tais cheques", exortou.

Acrescentou que encara este caso "com grande estranheza e como uma necessidade de fazer divergir as atenções".

A Polícia Judiciária (PJ) desencadeou a 28 de Outubro a operação Face Oculta em vários pontos do país, no âmbito de uma investigação relacionada com alegados crimes económicos de um grupo empresarial de Ovar que integra a O2-Tratamento e Limpezas Ambientais, a que está ligado Manuel José Godinho, que se encontra em prisão preventiva, no quadro deste processo.

No decurso da operação foram efectuadas cerca de 30 buscas, domiciliárias e a postos de trabalho, e 15 pessoas foram constituídas arguidas, incluindo Armando Vara, ex-ministro socialista e vice-presidente do Millennium BCP (que suspendeu as funções), José Penedos e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA, de Manuel José Godinho.

Um administrador da Indústria de Desmilitarização da Defesa (IDD) também foi constituído arguido no processo Face Oculta.

Entretanto, o Juízo de Instrução Criminal do Baixo Vouga, Aveiro, indiciou hoje o arguido da Face Oculta Namércio Cunha pelos crimes de associação criminosa e corrupação activa, obrigando-o a pagar uma caução de 25 mil euros.

De acordo com um comunicado lido pelo juiz presidente da comarca, Paulo Brandão, Namércio Cunha é suspeito de ter praticado um crime de associação criminosa e outros dois de corrupção activa para acto ilícito.

O arguido fica obrigado a pagar uma caução de 25 mil euros no prazo de dez dias, a não contactar com outros arguidos e a não se ausentar do país sem autorização judicial.

Segundo a investigação, Namércio Cunha estabelecia a ponte entre o principal arguido do processo, o empresário Manuel José Godinho, e a REN-Redes Eléctricas Nacionais, a empresa dirigida por José Penedos, outro arguido do proceso.

Desde 30 de Outubro, aquando do início dos interrogatórios judiciais, um arguido foi colocado em prisão preventiva (o empresário Manuel José Godinho) e três outros foram suspensos de funções: Manuel Guiomar, quadro da Refer, Mário Pinho, funcionário da Repartição de Finanças de São João da Madeira, e José Lopes Valentim, também quadro da Refer-Rede Ferroviária Nacional.

JGJ/TQ.

Tags: PortugalCentro


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