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por JÚLIO ALMEIDA, Aveiro
Entre os interrogados, dois funcionários da Refer e um chefe de Finanças tiveram cargos suspensos. Penedos pode seguir-se.
Se a regra de suspensão de funções for seguida pelo juiz de Instrução Criminal de Aveiro, com o já sucedeu com três dos arguidos ouvidos, José Penedos, presidente da REN, corre o risco de ver aplicada a mesma medida de coacção, numa altura em que ainda não suspendeu o mandato (ver caixa).
Ao final da manhã de ontem, o JIC de Aveiro, António Costa Gomes, suspendeu de funções o segundo funcionário da Refer chamado a interrogatório, José Valentim, considerando "fortemente indiciada a prática" de um crime de corrupção passiva para acto ilícito. Desde o inicio dos interrogatórios, a 30 de Novembro, para além da detenção de Manuel Godinho, todos os restantes arguidos ficaram com funções suspensas. Manuel Guiomar, José Valentim (Refer) e Mário Pinho (chefe da Repartição de Finanças de S. João da Madeira) encontram--se indiciados por corrupção.
José Valentim, antigo responsável pela gestão de sucata da Rede Ferroviária Nacional no Entroncamento, limitou-se ontem a conhecer os indícios de actos criminais que lhe são imputados no processo. Escutas telefónicas da PJ interceptaram-no a prestar informação sobre concursos que interessariam ao empresário de Ovar, actualmente em prisão preventiva. A suspensão de funções na Refer, à semelhança do que acontecera com o primeiro funcionário da empresa pública ouvido pelo JIC, Manuel Guiomar, acaba por não surpreender.
Carlos Vasconcellos, o terceiro quadro da Refer constituído arguido, deverá ser interrogado amanhã. Os três funcionários terão facultado informação privilegiada sobre concursos a troco de compensações patrimoniais e/ou não patrimoniais atribuídos pelo empresário Manuel Godinho, o único suspeito em prisão preventiva.
Já Namércio Cunha, braço direito de Manuel Godinho, continuava a ser interrogado ontem ao princípio da noite no JIC de Aveiro onde entrou pelas 14.10 acompanhado da advogada. Só hoje de manhã serão conhecidas as medidas de coacção aplicadas a este colaborador próximo do empresário de Ovar que já tinha sido ouvido durante a tarde e noite de sexta-feira. Admite-se, por isso, que esteja a prestar declarações confrontado com indícios de práticas criminais.
Namércio Cunha é referenciado em contactos a mando de Manuel Godinho com terceiros, que apontam para eventuais favorecimentos na obtenção de contratos de empresas como a CP, Refer e REN. Neste último caso, dá-se o envolvimento de Paulo Penedos que beneficiaria da cumplicidade do pai, José Penedos.
Tags: face oculta
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