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Ex-ministros criticam a insistência na suspensão

por PEDRO SOUSA TAVARES  

Ex-ministros criticam a  insistência na suspensão

Roberto Carneiro e Júlio Pedrosa defendem que o verbo "suspender" deve ser alterado por "substituir" ou "construir" nas negociações sobre  a avaliação dos professores. Ministra reúne-se hoje com as estruturas sindicais, que não abdicam da suspensão do actual modelo e do fim da divisão nas carreiras como pontos de partida para um entendimento futuro.

Dois ex-ministros da Educação, de áreas políticas diferentes, têm o mesmo ponto de vista face às negociações que arrancam esta manhã: resolver o conflito na Educação é urgente para o País. Mas para o fazer é preciso retirar a tónica do discurso da "suspensão" do actual modelo - princípio defendido pela generalidade dos sindicatos e partidos da oposição - e começar a conjugar o verbo "construir".

Para Roberto Carneiro - ministro da Educação do XI Governo constitucional, do actual Presidente da República Cavaco Silva -, não há dúvidas de que "como princípio, a avaliação é necessária, porque é preciso premiar os melhores e punir os piores". E o actual modelo, com todas as falhas que lhe sejam apontáveis, "teve o mérito" de procurar responder a essa necessidade.

Por isso, defende, "a suspensão não deve acontecer até haver um modelo melhor". Caso contrário, alerta, a consequência pode ser o vazio nesta matéria: "Temo que com a suspensão se coloque a seguir a questão de saber se a avaliação é ou não necessária", adverte.

Júlio Pedrosa - antigo ministro da Educação de António Guterres, no XIV Governo constitucional -, prefere não se pronunciar sobre as implicações da eventual paralisação do processo. Mas não tem dúvidas em considerar que o enfoque nesta questão não ajuda nada a resolver os problemas.

"Já disse que me parece que a palavra 'suspender' deveria ser retirada do discurso dos intervenientes, sendo substituída por 'construir" , lembra. "É preciso construir uma solução. E fazê-lo rapidamente".

Os dois ex-ministros estão igualmente de acordo no apelo ao fim de extremar de posições entre as partes, de forma a que se evolua para aquelas que consideram ser as grandes questões educativas, como "a qualidade do ensino" e a "revisão dos currículos".

José Manuel Canavarro, secretário de Estado da Administração Educativa durante o governo de Santana Lopes, defende que executivo e sindicatos têm de fazer algumas cedências para que o processo de negociações seja levado a bom termo. Num debate que, "nesta fase vai ser muito político e muito pouco técnico", José Manuel Canavarro refere que "está por saber se se vai atacar os sintomas ou a causa da doença". Ou seja, se a discussão vai ficar pelo modelo de avaliação dos professores ou se passará por aquilo que define como "o mal de todos os males, o estatuto da carreira docente". Mas manifesta dúvidas: "Não sei se a abertura do Governo e da ministra da Educação chegarão aí".

Quanto à suspensão da actual avaliação dos docentes, o ex- -secretário de Estado defende que "seria melhor neutralizar os efeitos do modelo anterior" . Sobretudo há que salvaguardar um princípio, sublinha: "Aquilo que ficou para trás ou conta igual para todos ou não conta para ninguém."

Tags: Portugal


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6 Comentários


Gaspar

10 Nov 2009, às 19:46 - Portugal

Os profs não querem a avaliação. A posição extrema de exigir a SUSPENSÃO em ves da SUBSTITUIÇÃO é muito conveniente à vontade dos profs de não serem avaliados. Depois de suspenso o actal modelo, nunca mais se chaga a acordo para um novo, e assim cai a avaliação!!!


Alcides Mota

10 Nov 2009, às 17:35 - Portugal - Aveiro

O Sr Mario Nogueira,não lhe convem a avaliação dos professores.pois já não dá aulas n-ao sei á quantos anos,e continua a ser pago pelo jé povinho,esta é que não entendo,ter que pagar a delegados sindicais


Augustos

10 Nov 2009, às 11:17 - Portugal - Lisboa

Não espero qualquer flexebilidade da parte dos professores. Eles ainda não se convenceram que a avaliação tem que ser muito exigente e séria. Esta classe foi a que mais beneficiou depois do 25 de Abril, sem que lhes fosse imputada qualquer responsabilidade. Nas escolas quem sempre teve o quero, posso e mando foram os professores e os rsultados estão à vista.


serico115

10 Nov 2009, às 11:13 - Portugal

Para os sindicatos dos professores a sua filosofia `e a de antes quebrar que torcer. Talvez depois de partirem o nariz, consigam entender que comparados com outros profissionais do sector publico, com razoes bem mais candentes, são ate uns privilegiados. Mas de uma coisas eles se sabem aproveitar muito bem `e a de que a união faz a força, e lá nisso eles são unidos, não direi a 100 por cento...


cevaso44

10 Nov 2009, às 10:33 - Portugal - Lisboa

Penso que Roberto Carneiro sintetizou muito bem aquilo que se deve fazer. O nosso país não pode andar para trás. E suspender é exactamente isso. É começar tudo de novo. No fundo o que os comunistas querem é que as coisas não andem para a frente. E a melhor forma, é estar sempre a arranjar "engulhos"...


zpto

10 Nov 2009, às 09:22 - Portugal

Só um completo irresponsável levanta a hipótese de suspender a avaliação,isso só resultaria em fortalecer a capacidade das corporações a qualquer mudança ou reforma no sistema de ensino e enfraquecer este e qualquer futuro governo em fazer o mesmo.Depois de trinta e poucos anos,chega Vamos de uma vez por todos arrancar o ensino das mãos dos sindicatos e o por ao serviço do País


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