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por GUILHERME SOARES,
A 'Cidade dos Arcebispos' vai-se afirmando como uma alternativa cultural. Várias instituições vão dando cartas e criaram uma nova rota a norte do País. Hoje estão as 'Cinco em Linha' - o que significa outras tantas novas e variadas exposições para cativar os bracarenses. E não só
Nos últimos meses, a cidade de Braga tem estado na berra pela surpreendente carreira do Sporting local, que lidera isolado o campeonato de futebol. Mas nem só no futebol a antiga "Cidade dos Arcebispos" se destaca, também a nível cultural a cidade começa a emergir da letargia em que esteve mergulhada durante alguns anos e, a nível regional, tem ditado leis.
Curioso é verificar que esse "agitar das águas" é mais obra da chamada sociedade civil. Exemplo disso é a "Velha-a-Branca", cooperativa cultural sem fins lucrativos que assinala por estes dias o seu quinto aniversário. A "Velha-a-Branca" abriu portas em Outubro de 2004, sonho de um punhado de jovens voluntários, com o objectivo de promover a criação e a divulgação artística e cultural. Todos os dias é possível assistir no recuperado edifício do séc. XVIII às mais variadas actividades (conversas, lançamentos de livros, sessões de poesia, concertos, semanas temáticas, etc.), visitar exposições e frequentar cursos vários.
Um dos fundadores e actual membro da direcção, Luís Tarroso, explicou ao DN que a "Velha", como é carinhosamente reconhecida pelos bracarenses, surgiu num momento em que "o Teatro Circo estava ainda fechado, não havia a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, os museus viviam com grandes constrangimentos orçamentais". Pelo que, a razão do seu sucesso, defende, deve-se a isso mesmo: "a 'Velha' fazia falta a Braga."
Mais de mil actos de cultura depois, "em breve a Velha-a-Branca vai deparar-se com um problema de escala", confessou o jovem advogado. "Há cinco anos esta casa era grande, mas agora é pequena e vai ser cada vez mais para os eventos que queremos realizar. Teremos de encontra uma nova casa para a 'Velha'", revelou.
Outro foco de disseminação cultural em pleno centro histórico de Braga é um conceito único: o Cabeleireiro e Espaço Cultural Pedro Remy. Quem passa pela rua Gualdim Pais, rua estreita e antiga, a dois passos da velha Sé de Braga, e espreita no número 40, vê homens e mulheres sentados e outros homens e mulheres em seu redor, de tesoura, pente e secador em punho. Não há dúvida: trata-se de um cabeleireiro.
Mas um olhar mais atento, que surge mal se ultrapassa a porta de entrada, transporta-nos para um ambiente de galeria de arte. As suas paredes estão sempre cuidadosamente preenchidas com quadros ou fotografias, principalmente de jovens artistas; o seu espaço transforma-se amiúde em palco para os mais diversos debates, apresentação de peças de teatro ou projecção de curtas-metragens. Mas, acima de tudo, nas salas onde, de dia, se ouvem as tesouras e os secadores, à noite, é outro tipo de música que ali palpita: jazz ao vivo!
Pedro Remy, ele próprio um músico, embora já não percorra o circuito de bares e pequenas salas da região como há 15 anos, é um amante de jazz e proporciona aos bracarenses concertos intimistas de grupos que, não raro, na véspera tocam na Casa da Música, no Porto, e se deslocam até ao cabeleireiro onde, pela singularidade do espaço, tocam a preços quase simbólicos.
Também de iniciativa privada, a Centésima Página, hoje sedeada na Casa Rolão, um belo exemplar de arquitectura civil do século XVIII, com cafetaria e jardim interior, é palco dos mais variados acontecimentos culturais em pleno centro histórico da cidade.
Tags: Portugal, Norte
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