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por PATRÍCIA JESUS
Aumento de casos da doença e corrida às urgências dos últimos dias levam hospitais a equacionar medidas extraordinárias.
Recorrer a médicos reformados, a avençados e pedir mais horas extraordinárias são algumas das medidas que os hospitais estão a estudar para fazer frente aos previsíveis problemas nas urgências devido à pandemia de gripe A.
A falta de pessoal, mesmo sem contar com o absentismo que a doença pode gerar, já está a causar dificuldades em alguns hospitais, como o Dona Estefânia. Nos últimos dias, a unidade viu a corrida às urgências aumentar significativamente - com consequências nos tempos de espera e no cansaço dos profissionais. Por isso, o maior hospital pediátrico do País está a equacionar a "contratação de pessoal médico recentemente aposentado", explicou o conselho de administração ao DN, por escrito. Aliás, com a activação do Plano de Contingência, alguns pediatras das consultas externas vão reforçar as equipas de urgência.
Também o Santa Maria, em Lisboa, está a ponderar a hipótese de recorrer a médicos reformados, disse ao DN uma fonte do hospital. Para Artur Vaz, administrador do Amadora-Sintra, se for possível contratar profissionais aposentados, o hospital recorrerá a essa solução. É que a legislação actual apresenta alguns obstáculos à medida. O jurista Jorge Mata, da Federação Nacional dos Médicos, lembra que, "nos termos daquilo que consta no estatuto de aposentação, esta medida só será possível mediante uma autorização excepcional do primeiro-ministro". A ministra da Saúde, Ana Jorge, já tinha aliás mostrado abertura para viabilizar esta solução.
Artur Vaz considera ainda que se se agravar a falta de médicos (por doença dos profissionais ou excesso de doentes), o hospital terá de recorrer ao trabalho extraordinário, quer do seu pessoal como de empresas de serviços médicos. "E reorganizar os serviços, como já fizemos noutros anos, cancelando cirurgias programadas, por exemplo", conclui.
No São João, no Porto, o recurso a avençados é a opção mais provável, esclarecem os recursos humanos. Enquanto no Curry Cabral a administração espera ser suficiente aumentar as horas extraordinárias. "Vamos reforçar o atendimento com médicos de especialidades que até agora não faziam urgências e pedir mais horas extraordinárias", explicou Manuel Delgado.
Ontem, as autoridades divulgaram o número de casos de gripe registados na última semana: foram mais de 7000 - a esmagadora maioria de gripe A - com 63 doentes a precisarem de internamento hospitalar (ver info).
Tags: Portugal
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