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por EVA CABRAL, D.D.
O Executivo socialista vai levar à Assembleia da República um documento em tudo semelhante ao programa eleitoral que apresentou às eleições legislativas - José Sócrates quer deixar claro que o que está enunciado no texto é para cumprir. Documento será entregue no Parlamento na segunda-feira e será debatido pelos deputados na quinta e sexta.
O programa de Governo que José Sócrates vai apresentar à Assembleia da República será em tudo idêntico ao programa eleitoral que levou às eleições. Dando eco às afirmações feitas aquando da tomada de posse do novo Executivo, o primeiro-ministro prepara-se para manter o mesmo texto, admitindo apenas ajustamentos muito pontuais, sabe o DN.
Até à próxima segunda-feira - a data ontem definida em conferência de líderes parlamentares para a entrega do programa do Governo - o documento que o PS apresentou às legislativas será reanalisado, mas já sob o ponto de partida de que não haverá alterações significativas. Entre os socialistas vinha-se admitindo que o documento poderia ser "suavizado" , no sentido de dar um sinal de abertura à oposição, mas Sócrates quer insistir noutra mensagem: o programa sufragado nas urnas é para cumprir. O debate no Parlamento está marcado para quinta e sexta-feira da próxima semana.
"Desdramatizar" é a palavra de ordem para o diploma que inicia todas as legislaturas. Ana Catarina Mendes, a deputada que ontem representou o PS na reunião da conferencia de líderes, garantiu que a bancada socialista não vai apresentar nenhuma moção de confiança. A deputada quis deixar claro que " uma maioria relativa não é nenhuma fatalidade para o País, mas antes uma oportunidade para todos juntos encontrarmos as melhores soluções".
Uma posição que parece , assim, "seguir" o sugerido pelo líder parlamentar do CDS-PP, Pedro Mota Soares, que à saída da reunião dos líderes parlamentares disse ser "desaconselhável" uma moção de confiança. Já Agostinho Branquinho, vice-presidente da bancada do PSD, afirmou ser necessário conhecer o programa do Governo a ser apresentado pelo PS, em linha com o que José Pedro Aguiar- Branco disse de manhã no sentido de considerar que para os sociais-democratas o "ponto de partida é não pôr em causa a estabilidade". Um claro sinal de que também os sociais-democratas afastam a perspectiva de uma moção de rejeição - que, tal como a moção de confiança, obrigaria à votação do texto.
Também o líder parlamentar do BE, José Manuel Pureza, adianta a necessidade de se conhecer o documento, frisando ser necessário verificar o que diz o programa em matérias tão relevantes como as privatizações, as políticas sociais e as de emprego.
Bernardino Soares, do PCP, adianta a urgência de se clarificar as medidas concretas que o executivo do PS aponta para se resolver a actual situação de crise económica e social. O líder parlamentar comunista refere que semanas depois das eleições legislativas "os portugueses querem é as soluções concretas para questões como o desemprego e o avolumar da crise económica".
Tags: Portugal
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6 Comentários
30 Out 2009, às 00:31 - Portugal - Lisboa
Tem toda a lógica que o partido que ganhou as eleições, apresente como Programa do Governo o mesmo documento que os eleitores votaram e que querem que seja posto à discussão na AR, para que a oposição apoie,rejeite ou se abstenha,para que tudo decorra com transparência e cada partido assuma as suas responsabilidades. É claro como água, para que à posterior não afirme as "promessas não cumpridas".
29 Out 2009, às 19:39 - Portugal - Aveiro
O Programa do Governo,já sufragado nas legislativas, assume relevância nacional quando conectado com o Orçamento do Estado.O modelo de desenvolvimento que deverá ser definido,a politica de coesão social,o crescimento das receitas e a racionalização das despesas sem comprometer a coesão social deverão ser viabilizadas com o Orçamento.Essa sintonia ditará a "fé" no futuro
29 Out 2009, às 19:16 - Portugal - Setúbal
OS PORTUGUESES VOTARAM NESSE PROGRAMA, MAS DE UMA FORMA RELATIVA. O QUE O GOVERNO PRETENDE É, CLARAMENTE, AFRONTAR TODA A OPOSIÇÃO. COMO PODE PRETENDER APOIOS EM FORÇAS POLÍTICAS QUE ESTÃO CONTRA ESSE PROGRAMA?
29 Out 2009, às 19:12 - Portugal - Setúbal
PELO MENOS HÁ COERÊNCIA, MAS HÁ TAMBÉM VONTADE DE AFRONTAR A RESTANTE OPOSIÇÃO. AO TER MAIORIA RELATIVA, O GOVERNO DEVERIA FAZER REPERCURTIR, PROPORCIONALMENTE, ESSA PERCENTAGEM DE VOTAÇÃO, NA ELABORAÇÃO DO SEU PROGRAMA.
29 Out 2009, às 13:05 - Portugal - Setúbal
Foi nesse programa que os Portugueses votaram. É óbvio que terá de ser esse o programa do Governo, implementando alterações pontuais propostas pelos partidos da oposição. Agora pedir a Sócrates que Governe com o programa dos outros é que está fora de questão.
humbert
29 Out 2009, às 10:17 - Portugal
Há uma discussão séria a fazer na República Portuguesa acerca da participação de elementos do orgão judicial de forças armadas e policiais e de serviços secretos nos orgãos legislativos e executivos>tem sido muito analisado e visto negatimente em Portugal sempre que alguém dessses serviços do Estado é chamado a esses poderes legislativo e executivo>agora um assessor do PM é secretário de estado.
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