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por João Céu e Silva
A vacina escolhida não é considerada segura por todos os organismos. Segundo o Infarmed, foi "estabelecida a relação benefício-risco e o benefício foi considerado superior ao risco" pela Agência Europeia do Medicamento
A vacina que está a ser usada em Portugal contra a gripe A não foi aprovada pelos Estados Unidos por conter substâncias na sua composição que podem alegadamente causar danos à saúde dos que a tomam. Trata-se da Pandemrix, vacina aprovada pela Organização Mundial da Saúde e escolhida pela Agência Europeia do Medicamento para ser usada em todos os Estados membros. E em relação à qual o Infarmed garante terem sido feitos todos os testes de qualidade.
No entanto, a Pandemrix está a provocar a recusa de muitas pessoas na Alemanha da sua utilização, dando como justificação o facto de os políticos e os funcionários públicos de topo serem preventivamente vacinados com uma outra. O presidente do Colégio Alemão dos Médicos de Família refere mesmo que os "potenciais riscos ultrapassam os benefícios" e, segundo Michael Kochen, este é um "teste em larga escala feito à população alemã" enquanto o Ministério da Saúde veio a público esclarecer que a Pandemrix não tem efeitos secundários mais graves que a vacina alternativa. Segundo o secretário de Estado da Saúde, Klaus Schroeder, foram encomendadas 50 milhões de doses de Pandemrix e não de outro preparado, porque pode ser produzida quatro vezes mais rapidamente do que a Cevalpan. Refira-se que 22 Governos europeus já encomendaram 440 milhões de Pandemrix.
Em Portugal, membros dos grupos prioritários recusaram a vacinação, designadamente políticos e a classe médica. Ontem, o presidente da Associação Portuguesa de Bioética, Rui Nunes, considerou que a recusa de médicos e de outros profissionais de saúde deve ser aceite com "prudência e bom-senso" porque acha esta reserva "natural" quando se trata de profissionais que "estão mais envolvidos no meio; sabem mais do ponto de vista técnico/científico o que se passa e sabem que não há ainda resultados verdadeiramente sólidos que permitam determinar com clareza se a pessoa deve ser vacinada".
Nos EUA, a Pandemrix não foi aprovada porque contém uma substância, o escaleno, que alegadamente provoca a alteração do sistema imunitário. Vários estudos ligaram os seus efeitos à síndrome da Guerra do Golfo porque terá sido utilizado como adjuvante na vacina do antrax (ler coluna ao lado). O que está em causa nesta vacina, segundo os seus detractores, são dois componentes que se encontram tanto na própria vacina como no adjuvante que lhe é adicionado para aumentar os efeitos.
Apesar de a vacina da GlaxoSmithKline (GSK) estar em conformidade com as regras europeias da Organização Mundial de Saúde (OMS), ela contém, segundo a informação que esteve no site da farmacêutica até ontem a meio do dia, cinco microgramas de tiomersal - na vacina - e 10, 69 miligramas de escaleno - no adjuvante -, cujos efeitos secundários são polémicos e considerados insuficientemente testados nos seres humanos. Estes dois produtos são necessários para potenciar os efeitos da vacina de modo a que a já gigantesca produção do medicamento satisfaça a procura em menos tempo de produção. O escaleno reduz o tempo da cultura de vírus inactivos e o tiomersal permite utilizar o sistema da multidose.
A preocupação da OMS perante os riscos das vacinas para a H1N1 é tão grande que responsabiliza as autoridades médicas nacionais para os alegados riscos e benefícios das vacinas disponíveis antes de as licenciarem, porque "quando vacinas pandémicas são administradas a tantos milhões de pessoas pode não ser possível identificar situações raras". Aconselha a monitorização intensa e comunicação imediata dessas situações e a troca a nível mundial desses dados.
A GSK, contactada pelo DN, considera que no caso do escaleno "não existem estudos conclusivos que permitam estabelecer relação entre causa e efeito" e confirma que a substância permite "com menos fazer mais" porque é um "amplificador de sinal". No caso do tiomersal, refere que "a pequena dose de mercúrio de 25 microgramas" não "induz malformações no sistema nervoso dos bebés nem ameaça o de-senvolvimento dos embriões" e que está muito abaixo do "limite aceitável para as grávidas de 60 kg, que é de 96 microgramas".
O Infarmed - a Autoridade Nacional do Medicamento - confirma que as duas substâncias encontram-se na Pandemrix, mas que "as afirmações sobre o tiomersal e o escaleno não são, de facto, nem correctas nem verdadeiras". Esclareceu ao DN que a vacina foi aprovada por "procedimento centralizado" - pela Agência Europeia do Medicamento - e que ficou homologada para todos os Estados membros.
O Infarmed informa, também, que "durante o processo de avaliação foram ponderados todos os aspectos relativos à qualidade, segurança e eficácia de um medicamento, sendo estabelecida uma relação benefício-risco. Na situação em apreço, o benefício foi considerado superior ao risco, razão pela qual a Agência Europeia emitiu uma posição favorável à autorização do medicamento".
Tags: Portugal
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Substâncias polémicas
pax80a
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Joao Louro
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J.Serra
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ARC
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10 Comentários
28 Out 2009, às 22:36 - Portugal - Viseu
Segundo o Infarmed, foi "estabelecida a relação benefício-risco e o benefício foi considerado superior ao risco" a gsk diz o mesmo em relação ao seroxat...estes sacanas não descansam enquanto não destruirem o ser humano!
28 Out 2009, às 21:48 - Portugal - Faro
È só tretas! Os Americanos não quiseram esta vacina porque é fabricada por laboratório Europeu.O escaleno é proibido como intencificador de sinal nos E.U.A., mas o aluminio é permitido!!!. Entre estes dois há escolha que não tenha riscos?.
28 Out 2009, às 20:21 - Portugal
O´S SRS MINISTROS, COM ESPECIAL RELEVO PARA A SRA MIN ISTRA DA LAVAGEM DAS MÃOS JÁ TOMARAM A VACINA?
28 Out 2009, às 17:03 - Portugal - Lisboa
Será que o "gado" não tem direito a saber por parte das entidades como por exemplo Infarmed, quais os riscos oficiais verificados em testes e menos oficiais? Certamente existem pessoas às quais a vacina poderá ter um inpacto diferente. Que tal abrirem o jogo e dizerem de uma vez por todas. Se tomarem pode acontercer "isto" se não tomarem pode acontecer "aquilo"....
28 Out 2009, às 16:55 - Portugal - Aveiro
Esta cruzada de medidas institucionais direccionadas pelos receios da pandemia tem suscitado polémicas que, tendencialmente, se tornarão mais correntes.Somos, agora ,confrontados com a informação que"afinal há riscos"que a vacina pode provocar.Outras informações mais ou menos informais e virtuais avisam "que ´foi prematura a determinação de comerciar a vacina".Tanta informação comprometem adesão
fustibus
28 Out 2009, às 12:57 - Portugal - Porto
TODA A ENCENAÇÃO FEITA PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE e respectivo SIM-SIM (director-geral) tornavam o "mistério" mais que suspeito: "cheirava" a golpada! Como médico, estou informado e divulgo que NOS PAÍSES DO HEMISFÉRIO SUL A PANDEMIA DE GRIPE A JÁ PASSOU, NÃO HAVIA VACINAS E AS CONSEQUENCIAS FORAM MENORES DO QUE SE TIVESSE SIDO GRIPE SAZINAL- "les études... leçons ... plutôt rassurantes"...
fantomette
28 Out 2009, às 10:00 - Portugal
Memorandos da OMS de 1972 explicam: como transformar Vacinas num meio para matar. Estes memorandos descrevem o impacto de três fases em três "picadas" em que muitas pessoas serão forçadas a tomar, para alegadamente tratarem-se de um vírus que a Organização Mundial de Saúde também ajudou a criar e a implementar... Veja mais em: w. w. w. gripeh1n1.ning.com/profiles/blogs/memorandos-da-oms-de-1972
Jorge Correia
28 Out 2009, às 09:49 - Portugal - Leiria
Na minha opinião,estamos cada vez mais confusos. Pobres dos doentes.
meninodeouro
28 Out 2009, às 09:45 - Portugal
pois é, mas eu nao tomo a vacina
rufruf
28 Out 2009, às 09:38 - Portugal - Lisboa
Já se sabia que a vacina da gripe A, que vai ser utilizada na Europa, podia vir a ter sérios efeitos colaterais. A recusa dos EUA em aceitá-la é mais uma prova disso. O facto de a interacção de 2 componentes da vacina NÃO estarem suficientemente estudados no homen é motivo para preocupação. Arriscamo-nos a que a vacinação com a Pandemrix possa ser mais ´perigosa que a própria gripe.
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