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por PAULO JULIÃO, Viana do Castelo
Universidade de Santiago de Compostela tem 225 alunos em Medicina oriundos de Portugal, um número que não pára de aumentar. Quem está no País discorda das medidas para que alunos possam concluir curso em universidades nacionais
Os números definitivos foram agora conhecidos. Em 2053 alunos matriculados este ano lectivo no curso de Medicina da Universidade de Santiago de Compostela (USC), Galiza, 225 (11%) são portugueses. As médias proibitivas de acesso aos cursos de Medicina em Portugal estão na origem da contínua invasão de alunos nacionais.
Segundo dados revelados ao DN pela Reitoria daquela universidade, uma centena de alunos portugueses fez a matrícula prévia, número que entretanto baixou para 64, tantos quantos os que entraram para o primeiro ano. Ainda assim, o número não pára de crescer, depois de, em 2007, o curso de Medicina galego ter recebido 50 novos alunos portugueses. Altura em que deixaram de ser exigidas provas de acesso e apenas conta a nota do 12.º ano, geralmente mais alta do que a dos galegos. E, no âmbito do Processo de Bolonha, os portugueses passaram a competir directamente nos dois países.
Além dos 64 caloiros, o curso de Medicina da USC conta com mais 161 portugueses nos restantes anos, ou seja, 225, num universo de 2053 alunos que o frequentam.
A questão é saber até que ponto o ingresso de estudantes portugueses está a inflaccionar as notas em Espanha e a travar o caminho aos espanhóis. Na Galiza, chegou a reclamar-se uma prova de filtro para os residentes em Portugal por temerem que a situação se agrave. Hipótese abandonada.
"As críticas efectuadas no ano passado ficaram a dever-se à falta de informação por parte dos alunos e das suas famílias, perante a alteração na admissão de alunos procedentes de sistemas pré-universitários comunitários", sublinhou fonte da reitoria da USC.
Este ano lectivo, foram abertas em Portugal 1615 as vagas em Medicina para quem concluiu o secundário, mais uma que no ano lectivo anterior. A média mínima de entrada foi de 17,82, o que leva os portugueses a estudar Medicina no estrangeiro, nomeadamente em Espanha, República Checa e Inglaterra. São mais de 700 os alunos que estão nessas condições.
Ao mesmo tempo, assiste-se a uma falta de médicos no País, já que os novos médicos não substituem os reformados. Tal facto levou a ministra da Saúde, Ana Jorge, a defender que esses estudantes deveriam poder concluir o curso em Portugal. Actualmente, podem fazer o exame da especialidade e concorrer com a média de curso no estrangeiro, quando, antes, era reduzida a dez valores.
O DN apurou que cabe a cada faculdade adoptar as medidas para atrair os alunos que estão no estrangeiro, processo que ainda está em negociação. Uma das hipóteses, apresentada pelo director da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, seria deslocar as vagas para quem já tem um curso superior, 10%, para os que estão a estudar no estrangeiro.
A proposta não agrada à Associação Nacional de Estudantes de Medicina. Pedro Moreira, o vice-presidente, justifica: "Está a dar-se uma segunda oportunidade a esses estudantes, o que não acontece com os que ficaram em Portugal e tiveram de ir para outras licenciaturas." Além disso, defende, as universidades não podem ter mais alunos. E a falta de médicos? "Esse problema deve-se à redução das vagas nos anos 80 e 90. Agora, entram 1600 todos os anos e, no futuro, não haverá falta de médicos, mas o resultado dessa abertura só vai sentir-se a partir do próximo ano".
Tags: Portugal
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