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por ANA TOMÁS RIBEIRO
Bispos vão reunir-se entre 9 e 12 de Novembro e deverão tomar posição sobre o facto de o Governo querer avançar com o matrimónio entre pessoas do mesmo sexo. Alguns mostram-se indignados por o assunto ser prioritário
A notícia de que José Sócrates vai avançar já para a legalização do casamento gay abriu nova polémica com a Igreja. "É triste e lamento que o Governo se vá ocupar de temas que não fazem parte dos problemas fundamentais das pessoas", critica o bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, considerando que o tema "não é de relevo para o País", mas útil para "fazer acordos" na Assembleia da República.
Críticos são também os bispo de Santarém e Lamego. "Não é uma prioridade. Há outras bem mais importantes, tanto mais que estamos num momento em que há uma diminuição dos casamentos e uma baixa de natalidade", avisa Manuel Pelino. Já o bispo de Lamego, Jacinto Botelho, mostra-se indignado por existirem "tantos problemas em Portugal" e o Governo escolher os casamentos homossexuais.
Os bispos portugueses irão reunir-se em Fátima, entre 9 a 12 de Novembro, e deverão decidir a estratégia a tomar sobre vários assuntos. Em cima da mesa estarão algumas das questões que José Sócrates terá comunicado ao cardeal--patriarca, D. José Policarpo, na reunião de mais de uma hora que, a pedido do novo primeiro-ministro, tiveram na terça-feira. O cardeal admitiu ontem à RR que no encontro foram discutidas outras questões, que não a formação do Executivo.
Por isso, há bispos que preferem esperar pela tomada de posição conjunta. "Tem de se fazer uma análise cuidadosa e ver se tomamos alguma posição", diz o bispo do Porto, D. Manuel Clemente. Já D. Tomaz, bispo auxiliar de Lisboa, adianta que a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) deverá assumir posição sobre a medida governativa, explicando que não se pronuncia antes disso por querer que se fale a "uma só voz". O porta-voz da CEP, Manuel Morujão, admite que, apesar de o tema não estar na agenda oficial da reunião, poderá ser discutido no "contexto de um ponto agendado sobre um olhar para a realidade social que vivemos".
No entanto, todos os bispos recordam que já há seis meses a Igreja tomou uma posição explicando o que entende como "verdadeiro casamento". Uma posição tomada depois de José Sócrates ter prometido em Janeiro que, se ganhasse as eleições, levaria o casamento entre pessoas do mesmo sexo ao Parlamento. "As pessoas que votaram sabiam a posição dos partidos. Agora quero é saber o que pensam os juristas sobre o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo", desafia D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas.
Sócrates reabre assim a lista de conflitos latentes com a Igreja. Na última legislatura, os confrontos resultaram da regulamentação da Concordata e da nova lei do divórcio, em que Cavaco Silva acabou por ser um dos aliados dos bispos - alertando para a importância da família na sociedade.
Tags: Portugal
Descarrilado
Este assunto tem a ver com a igualdade ...
há 28 dias, 13 horas e 34 minutos
Diana_
A Igreja que cuide dos seus fiéis ...
há 28 dias, 17 horas e 35 minutos
Miguel Soares
O mais bizarro de toda esta exagerada ...
há 28 dias, 18 horas e 55 minutos
Curioso como o sr. Januário Torgal ...
há 28 dias, 18 horas e 59 minutos
Jorge Silva Marques
Mais uma vez, o que está em causa ...
há 28 dias, 19 horas e 3 minutos
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8 Comentários
24 Out 2009, às 14:52 - Portugal - Porto
Este assunto tem a ver com a igualdade de direitos e deveres dos cidadãos e deveria ser uma área primordial de qualquer governo democrático que se preze. Compreende-se que a Igreja (onde não há democracia) entenda o contrário. O resto é profunda hipocrisia.
24 Out 2009, às 10:51 - Portugal - Lisboa
A Igreja que cuide dos seus fiéis e não meta o nariz onde não é chamada.
24 Out 2009, às 09:30 - Germany
O mais bizarro de toda esta exagerada preocupação da igreja com o casamento entre pessoas do mesmo sexo é que a igreja nunca reconheceu o casamento civil, e até hoje não o reconhece, ora que importa a alteração de uma alínea de uma lei que não se reconhece como um todo!?
24 Out 2009, às 09:27 - Germany
Curioso como o sr. Januário Torgal Ferreira reconhece que os resultados eleitorais não deixam margens para dúvidas quanto a esta questão, para logo os desvalorizar e socorrer-se de juristas! Acontece que, sr. Ferreira, é a própria constituição a proibir discriminações com base na orientação sexual. E se a igreja se queixa da falta de casamentos, talvez o melhor fosse começar a dar o exemplo!
24 Out 2009, às 09:22 - Portugal - Lisboa
Mais uma vez, o que está em causa é o casamento CIVIL! Seria tão absurdo o Parlamento pronunciar-se sobre o que a Igreja Católica pode decidir em matéria de matrimónio religioso, como esta imiscuir-se no casamento civil. Família, são também os casais sem filhos, e é em relação a estes que existe uma discriminação!!!
Cordeiro
24 Out 2009, às 08:49 - Portugal - Lisboa
A igreja tem de ter muito cuidado ao abordar este assunto, é muito sério e tem de ser respeitado. O Cardeal sabe tão bem quanto nós existe homossexualidade dentro da sua instituição, a diferença consiste em que, aí não podem existir casamentos. Está-se a tratar de um assunto que abrange diversas religiões ou credos, como tal, deve reflectir muito bem antes de alguma tomada de opinião.
mv2009
24 Out 2009, às 05:37 - United States
Mais de 50% dos eleitores portugueses votaram em partidos que apoiam esta proposta (PS+BE+PCP), logo, a Igreja e' que esta' de fora, e devia reduzir-se a sua (cada vez maior) insignificancia.
24 Out 2009, às 05:32 - United States
Direitos Humanos sao tao prioritarios como outro tema qualquer. Excepto para a Igreja e outras mentes antiquadas/inquisitorias, claro, que so defendem direito a felicidade para aqueles que correspondem a "norma", ou seja, uma visao da vida a preto e branco. Mais uma vez a Igreja nao aprende, ao vir misturar-se na politica!
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