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por CATARINA CRISTÃO
Estudo da União Europeia revela que um quarto dos ciganos no País tem asma e bronquite. A comunidade portuguesa é também aquela em que se começa a fumar e beber mais cedo.
A comunidade cigana portuguesa é que tem mais doenças crónicas da União Europeia e aquela onde se começa a fumar e a beber álcool mais cedo, conclui um estudo que é hoje apresentado no Porto, pela Rede Europeia Anti-Pobreza. É a primeira radiografia às condições e acesso à saúde da comunidade cigana no País, que foi comparada com a de seis outros países, onde um cigano vive menos 20 anos que um cidadão europeu.
Cerca de 25% dos ciganos portugueses sofrem de asma e bronquite, 15% de colesterol e 11% de tensão arterial alta, segundo os inquéritos, realizados a 367 famílias ciganas do País. Dados mais preocupantes do que aqueles encontrados em Espanha, Grécia, Bulgária, Eslováquia, República Checa e Roménia.
"Muitos ciganos em Portugal ainda vivem em acampamentos, em condições muito precárias, sem os cuidados de saúde elementares, o que agrava os problemas respiratórios", explica Sandra Araújo, da Rede Europeia Anti-Pobreza - Portugal (REAPN) e uma das coordenadoras do estudo.
Um cigano vive, em média, 60 anos, muito abaixo da esperança média de vida europeia, que se situa, actualmente, nos 78 anos. "É uma população muito jovem. Em Portugal, a esmagadora maioria, 60%, tem até 24 anos e apenas 14% têm mais de 45", indica a responsável.
"Têm uma vida muito antecipada e, por isso, também morrem mais rápido. Casam-se muito cedo e as mulheres têm filhos logo, não vivem a juventude como qualquer outra adolescente", frisa, por seu lado, Francisco Monteiro, director da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos.
A saúde da mulher é, aliás, um dos focos principais de preocupação das coordenadores do estudo: 23,2% das mulheres ciganas portuguesas nunca foi ao ginecologista e, das que foram, a maioria fê-lo apenas por estar grávida - por uma ou duas vezes, no máximo - ou na hora do parto. "Antes do casamento a palavra sexo é tabu e a mulher não sabe como prevenir-se nem onde recorrer", garante Alzinda Carmelo, da Associação de Mulheres Ciganas Portuguesas (ANUCIP). "Portugal ocupa último lugar também no que se refere à realização de mamografias e de citologias", indica ainda Sandra Araújo.
Também não costumam ir a consultas de rotina de nenhuma especialidade. "Frequentam essencialmente as urgências dos hospitais, onde chegam só quando estão mesmo mal. E procuram não ficar mais do que dois dias hospitalizados", diz a responsável. Ao nível dentário, cerca de 94% da população adulta inquirida reconhece ter algum tipo de problema.
A tendência também é para fumar e beber álcool em excesso: 26,9% dizem ser fumadores habituais e 37% bebem diariamente. É em Portugal, aliás, que os ciganos mais cedo adquirem estes hábitos. Começam a fumar aos 13 anos e aos 14 já fumam. "Somos também o país onde de notam maiores diferenças nos hábitos de vida entre homens e mulheres. São muito poucas as que bebem e fumam", finaliza Sandra Araújo.
Outro dos problemas é o excesso de peso: 41,4% dos entrevistados têm peso a mais e 13,7% são mesmo obesos.
Tags: Portugal, Europa
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Radiografia à saúde da comunidade
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