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por PAULA SÁ
Na semana em que os sociais-democratas procuram a clarificação do seu futuro, ninguém se atreve a dizer de que perfil de líder o partido precisa. Mas há quem arrisque um palpite, recorrendo a características de alguns ex-líderes. Os politólogos concordam numa coisa: deve ser federador, como foi Barroso
Traçar um retrato robot de um futuro líder do PSD não é fácil. Terá que ser mais autoritário, como foi Cavaco Silva, ou mais conciliador, como Durão Barroso? Dialogante, como Marcelo Rebelo de Sousa ou Marques Mendes, ou mais popular, como Luís Filipe Menezes? Ou terá, numa situação política tão particular, de encarnar uma personagem onde se cruzem vários traços de personalidade?
Não deixa de ser significativo que várias personalidades sociais-democratas contactadas pelo DN se tenham escusado a apontar um perfil de líder ideal para o PSD, capaz de unir um partido que, segundo palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, está "balcanizado" por grupos e grupinhos". Mas a recusa acabou por ser justificada: "Depende da altura em que as eleições directas se realizarem. A situação política com um governo minoritário e um Presidente da República desavindo com o primeiro-ministro, provocará muitos sobressaltos a curto prazo. Não vale a pena arriscar já quem terá capacidade no PSD para gerar uma alternativa consistente ao PS".
Descomprometidos com a dinâmica interna social-democrata, os politólogos concordam que"é a conjuntura que faz o líder", como diz António Costa Pinto. E a conjuntura, sublinha, é a de uma maior perspectiva de eleições antecipadas". Daí que o investigador do Instituto de Ciências Sociais (ICS) entenda que o próximo presidente do PSD tem que responder a três requisitos: ser congregador do partido; com perfil de candidato a primeiro-ministro e que tenha capacidade de negociação.
Costa Pinto considera que Marcelo, que foi líder numa situação complexa sem ter sido sujeito ao desgaste das urnas, tem todo aquele "potencial". Mas lembra que a história do PSD é feita de "líderes improváveis" e que foram estes que chegaram ao poder. Cita Cavaco, que ganhou inesperadamente o congresso da Figueira da Foz em 1985, tendo sido eleito primeiro-ministro pouco depois; e o de Durão Barroso, que assume o comando do partido em 1999, tendo também chefiado um governo.
Costa Pinto admite que a actual direcção esteja a ganhar tempo, para "tentar controlar a própria sucessão da líder". Mas assim que Manuela Ferreira Leite anunciar que sai, "automaticamente os líderes das principais tendências se colocarão em movimento para escolher o seu candidato". Que até pode ser, diz o investigador, Pedro Passos Coelho, o único que já anunciou que estará na corrida.
José Adelino Maltez concorda com a visão de Marcelo de um PSD "balcanizado". Pelo que, na sua opinião, "o PSD precisa de um imperialismo corrector". Mas o politólogo entende que o tabu do professor sobre a sua candidatura à liderança contribui para essa balcanização. "A unidade do partido não vai acontecer enquanto o ausente/presente não tomar uma decisão, seja em torno dele seja em torno de outra figura", refere Adelino Maltez que advoga tempo para que uma solução de liderança seja sólida "e federadora".
Outro investigador do ISCSP, Manuel Meirinho, partilha desta ideia: é preciso um "aglotinador das diferenças". Recorda ainda que os partidos sentem uma premente necessidade de renovação e neste campo dois potenciais candidatos estão melhor posicionados, Passos Coelho e Paulo Rangel. E para chegar a um perfil de liderança congregadora e de renovação? Meirinho arrisca-se a pôr na 'máquina' de formatar líderes um pedaço de Marcelo, outro de Passos Coelho e outro de Rangel...
Tags: Portugal
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