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Melhor a língua materna

Ler música em pautas na base de melhores notas a Português

por GUILHERME SOARES  

Ler música em pautas na base de melhores notas a Português

No Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, os alunos são motivados desde os seis anos a ler as pautas de música e este treino visual torna muito mais fácil ler um texto. A entrada tem por base a aptidão melodiosa.

A melhor escola no ensino de Português é uma escola de música, onde a entrada é seleccionada com base na aptidão melodiosa de cada um e, parecendo que não, os factos estão relacionados.

Pelo menos essa é a opinião do presidente do conselho executivo do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian (CMCG), em Braga. "No Português há a questão da leitura: os alunos habituam-se diariamente, desde os seis anos, a ler pautas de música escorreitamente e este treino visual - a leitura é isso, ver e interpretar - torna mais fácil ler um texto."

Para além da leitura, é privilegiada no CMCG a expressão escrita e são promovidos debates para treinar a oralidade. "O segredo está em ser o aluno a descobrir e não a apanhar com a 'receita'", frisou Carlos Alberto Pereira ao DN.

De resto, considera, o mérito é mais dos alunos que da escola. "No último ano que dei aulas de Português, os alunos 'obrigaram-me' a comprar as colecções todas infanto-juvenis porque eles liam aquilo tudo e depois pediam a minha opinião", recorda entre sorrisos.

Para o responsável, aliás, essa é uma verdade indesmentível, apesar de existirem opiniões contrárias: "Hoje lê-se cada vez mais, e muito na Internet."

Nesta escola rodeada de prédios bem no casco urbano da cidade dos arcebispos, há técnicas de aprendizagem que se destacam: "O aprender fazendo e a pedagogia do exemplo." Por isso, os alunos são incentivados a escrever muito. "O que é que o escritor faz? Escreve, e volta a escrever, e repete e escreve de novo. Depois os alunos ganham o gosto e entram em velocidade de cruzeiro."

A trave-mestra do CMCG é "a exigência", explica. Para Carlos Alberto Pereira, "quem enveredar pelo facilitismo destrói a escola, o futuro dos alunos e a dignidade dos professores". O responsável exemplifica: "Temos um protocolo com a Orquestra do Norte para alguns alunos poderem tocar com os seus profissionais. Essa possibilidade leva-os a estudar mais e mais e quando eles se habituam ao esforço, a não facilitar, aquilo rende. Qualquer um de nós, no nosso trabalho, se não facilitar, se der sempre o máximo, alcançará resultados."

A formação interdisciplinar com forte componente artística, as turmas pequenas (no máximo 20 alunos), a estabilidade do corpo docente, o forte apoio a alunos mais necessitados e a constante presença e participação dos pais são outras das razões que contribuem para que seja "uma escola singular".

Além, claro está, de "um currículo que exige muito trabalho".

Tags: Portugal


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