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por CÉU NEVES
Psicóloga conclui que as crianças podem ter vantagens em ser criadas por dois pais ou duas mães. Problemas estão na forma como a sociedade estigmatiza estas famílias.
Os homossexuais, em geral, não são "neuróticos e ansiosos". Pelo contrário, são "afectuosos, tranquilos, confiantes e firmes nas decisões", características que fazem deles melhores pais do que muitos heterossexuais, mais "neuróticos, ansiosos e inseguros". Conclusões surpreendentes de uma tese em psicologia sobre homoparentalidade, que desfaz estereótipos como o de que uma criança criada por homossexuais tem maiores probabilidades de ser gay ou lésbica.
A psicóloga Vanessa Ramalho diz que a "identidade sexual da criança é formada muito precocemente, muito antes do bebé conseguir distinguir um homem de uma mulher. O que conhece são os cuidadores e faz uma síntese das características que gosta e que não gosta neles".
Segundo a tese daquela psicóloga, "Homoparentalidade: estudo da adequação homoparental", os homossexuais revelam ser bons cuidadores. "Verificam-se características idiossincráticas e comportamentos educativos adequados, promotores de boa parentalidade, que assim assumem índices desenvolvimentais e relacionais, indutores de adaptação emocional e maturidade psicológica." E vai ao ponto de afirmar que pais homossexuais até podem trazer vantagens para a educação de uma criança, até porque um filho resulta, em geral, de muita ponderação e tempo de espera.
Ana (no-me fictício) é lésbica e foi mãe de gémeos através de uma inseminação artificial no estrangeiro. E acredita que a homossexualidade pode ser uma vantagem. Considera que "um pai/ mãe homossexual que seja assumido é, à partida, um indivíduo mais flexível, de mentalidade mais aberta ao mundo e ao que possa fugir do padrão instituído pela sociedade".
Ana recorda a "felicidade imensa" que foi para os seus pais o nascimento dos seus filhos, numa altura em que "já tinham perdido a esperança de ter netos", aceitando "naturalmente" a namorada e a relação que ela tem com os gémeos. E conclui: "Parecem-me crianças felizes e despreocupadas e, apesar da pouca idade, já perceberam que a mamã não tem um marido e que não têm um pai nos moldes da maioria dos amiguinhos, mas sinto que vivem isso de uma forma natural, porque eu e a minha família isso lhes transmitimos."
Manuel (igualmente nome fictício) tem outra história de paternidade para contar. O filho, de 12 anos, resultou de um casamento heterossexual. A criança viveu com ambos os pais até aos sete anos, altura em que o pai se assumiu como gay. Ficou a viver com a mãe, mudando-se no último ano para a companhia do Manuel e do companheiro por "uma questão de logística".
"A parentalidade não se mistura com a orientação sexual. Era pai quando tinha um comportamento heterossexual e continuei a ser pai depois de ter um comportamento homossexual", sublinha, acrescentando: "A questão só se coloca na gestão extraparedes."
Uma preocupação que vai de encontro ao estudo de Vanessa Ramalho. A investigadora diz que "a estigmatização da sociedade é que cria obstáculos à homoparentalidade ou à adopção por homossexuais". E defende campanhas de sensibilização sobre estas novas famílias.
Tem sido esse um dos objectivos das associações de gays, lésbicas, bissexuais e transgenders, como a Ilga. Paulo Côrte-Real, o seu presidente, salienta que o estudo "reforça o que é de consenso científico a nível internacional". Ou seja, "não se justifica a proibição da adopção e da reprodução medicamente assistida por casais homossexuais".
Vanessa Ramalho considera o seu estudo "um contributo para o debate do tema", reconhecendo a limitação da amostra: 25 heterossexuais e 25 homossexuais. Mas a sua tese, orientada pelo pedopsiquiatra Eduardo Sá, é o primeiro trabalho do género em Portugal, dada a dificuldade em inquirir esta comunidade. É que os homossexuais ainda não se sentem preparados para darem a cara!
Tags: Portugal
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9 Comentários
07 Out 2009, às 16:15 - Portugal - Porto
RESPEITAR OS SER HUMANOS NÃO É ADOPTAR CRIANÇAS. OS SERES HUMANOS PODEM FAZER O QUE DESEJAREM COM O SEU CORPO MAS COM AS CRIANÇAS NÃO, SÓ DE LOUCOS.
05 Out 2009, às 23:03 - Portugal
Coitados dos tristes e ignorantes que falam de asneiradas . . . só por falar. Não se actualizam intelectualmente, mentalmente, não procuram info correctas, livros, artigos, estudos, teses de mestrado/doutoramento sobre a homossexualidade. Primeiro: eduquem-se; Segundo: critiquem assertivamente com conhecimento de causa; Terceiro: respeitem os seres humanos tal como são.
05 Out 2009, às 21:29 - Portugal - Porto
Só os loucos é que assim afirmam, mas nem todos porque há loucos com sentido humano. Essas crianças vão sentir, nas escolas essas diferenças. Esses loucos, porque são anormais, deviam ser presos e submetidos a um tratamento de recuperação, porque querem violar a pureza dos sentimentos da criança
05 Out 2009, às 21:19 - Portugal
Parabéns aos autores desde estudo! Só vem provar que somos pessoas de bem, tal como os hetero; na nossa sociedade democrática e republicana, tod@s nós somos imprescidíveis para o bem estar da mesma. Quem não respeita as diferenças de cada um como cada qual, é antiguado, não permite a evolução da sociedade, não tem inteligência emocial, não tem assertividade, nem respeita o ser humano como tal.
05 Out 2009, às 21:16 - Portugal
Acredito sinceramente que as crianças consigam ser felizes e aceitem a situação. Mas isso não significa que a situação lhes faça bem.
Descarrilado
05 Out 2009, às 20:16 - Portugal - Porto
Se conseguíssemos vencer o nosso ego e tivéssemos a plena consciência de que afinal, nada sabemos, não julgaríamos as pessoas pelo que são,como se organizam, como vivem, mas pelo bem ou mal (objectivos) que causam ao próximo. O que é natural? O que não é? Que sabemos nós? Muito se engana quem julga...
Utente
05 Out 2009, às 18:23 - Portugal
Três pais não seria melhor ?
sousantos
05 Out 2009, às 14:49 - Portugal
O problema não está na sociedade estigmatizar estas famílias. O problema está quando estas famílias pretendem passar a mensagem que ser homossexual é normal quando não o é. Estas famílias, inconscientemente, ou não, estarão a condicionar e de certo modo a influenciar a criança na sua sexualidade. No futuro, teremos um jovem revoltado com a sociedade "estigmatizadora" e quem sabe um Bi-Sexual.
Francisco Leite Monteiro
05 Out 2009, às 11:16 - Portugal - Lisboa
Como dizia o outro: "O povo endoidou..."
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