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Entrevista a Fernando Seara

"PSD tem de reflectir acerca do seu futuro"

por LUÍS GALRÃO e .JOSÉ MANUEL BARROSO  

"PSD tem de reflectir acerca do seu futuro"

Fernando Seara, aposta renovada da coligação PSD e CDS/pP em Sintra, pensa o concelho e pensa-o no quadro mais global do País. Na entrevista ao DN, fala de dois novos ciclos políticos, o nacional e o local, e diz como entende um e outro.

O ciclo eleitoral do PSD tem três etapas, segundo Manuela Ferreira Leite: as europeias. as legislativas e as autárquicas. Qual a repercussão de uma vitória ou de uma derrota, nas autárqulcas, no peso político nacional do partido?

O PSD depois das autárquicas tem de reflectir seriamente acerca do seu futuro. O seu futuro como principal partido da oposição e o seu futuro tendo em conta as próximas e relevantes eleições presiden- ciais. Que, no meu ponto de vista, anunciarão um novo ciclo polltico. Até lá e para algumas personalida- des do PSD que estão a falar. direi: "Porque não te calas?"

Esse novo ciclo inicia-se quando?

Salvo se houver grandes surpresas, teremos um novo cicIo político a começar em 2011, com a eleição de um novo preskiente. Um cicio similar ao que vivemos pós-bloco central e pós Governo mInoritário de Cavaco Silva, que também foi concomitante com uma eleição presidencial.

Tem algo a ver com o facto de o novo Parlamento ter poderes constituintes?

Tem tudo a ver. Porque estamos num ciclo político semelhante ao de 1985. Também havia problemas de falta de credlbilldade dos políticos e daí a emergência do PRD. Hoje em dia temos um outro partido recente, o BE, mas já com alguma sedlinentação, que expressa  as mesmas preocupações. Também com uma lógica urbana similar ao PRD ao nível da agregação eleitoral. Temos um ciclo político que na altura resultou numa candidatura partidária do professor Cavaco Silva que tinha por detrás o professor Diogo Freitas do Amaral. Se olharmos à inversa, poderemos estar a perceber que se estará a preparar alguma coisa na esquerda no que diz respeito a Manuel Alegre ou. porventura. a outro candidato presidencial. Temos sinais de ciclos políticos que têm elementos de identificação que não podemos ignorar. Com uma questão interessante, que na altura tambem vivemos, que é a percepção de onde está a gente nova, os aparelhos ideológicos, o papel da comunicação social, a importância da nova comunicação através da Net.

Qual é aí o papel do PSD?

Perceber o ciclo e nem querer antecipar-se, nem querer iludir-se quanto a ele. Nem ter simulações subjectivas, uma vez mais.

Como encara os resultados do PSD nas legislativas? Como se perspectivam eles para o futuro a curto e a médio prazo do partido?

Nas elelçõeslegislatlvas há vencedores e vencidos. O PS é claramente o principal dos vencedores. Tal como, em outras perspectivas, o CDS e o BE. Mas há diferenças entre escolher o primeiro-ministro e o Parlamento e as câmaras municipais. Porventura com algo em comum: em ambos os casos estamos perante a presidencialização real dos cargos. O que, no fundo, resulta da personalização da vida política contemporânea.

Depois destes seus oito anos de experiência autárquica, o que deveria ser mudado para que o poder autárquico funcionasse melhor?

Primeiro,  devia haver uma reorganização administrativa do País, porventura até com regiões. Hoje em dia admito que a regionalização é um elemento importante, desde que as instituições Intermédias funcionem. Por exemplo, a questâo metropolitana de transportes é uma urgência que não pode ser adiada mais. Porque vai haver o problema da redução significativa das receitas municipais em 2011, o que pode pôr em causa o funcionamento de muitas autarquias. Depois. a Adminlstração Central tem de assumir se acredita ou não nas autarquias, porque alguns julgam que só eles é que são o Estado. E devia haver o chamado requisito de acesso a certos lugares, que explicassem a essa gente (e reforço a expressão) que o Estado é a Administração central, regional e local. Não são apenas eles.

Ou seja, a reorganização administrativa do País implica em paralelo a reorganização do conjunto da repartição de competências com a Administração local?

Sem dúvida. E não pode estar dependente de conjunturas político-partIdárias. Temos de ter a real noção do Estado - porque tenho a sensação de que na Administração central não falam uns com os outros, não há uma concertação nem uma coordenação legislativa. E isso é a fragilidade portuguesa. Em suma: reorganização administrativa e redefinição das competências entre a Adminlstraçao central e local. De uma vez por todas devia haver um acordo nessas matérias.

Um acordo de bloco central?

Não é um bloco central. É preciso uma maioria consciente, porque já não há maiorias iluminadas. Essa é a questão. Há 24 municípios, em 308, que representam cerca de 46% da população. Isso é muito significativo.

Recandidata-se porque  já "é" presidente ou contInua a "estar" presidente?

Candidato-me porque senti um sentido de responsabilidade em continuar, devido ao apelo que me foi feito pelos dois Iíderes dos dois principais partidos da coligação Mais Slntra, Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas, e depois de ouvir cuidadosamente a minha família e os meus amigos.

O tempo eleitoral num mandato autárquico já não são oito anos, como defendia?

Esse é o tempo normal, mas as circunstâncias especiais deste ano eleitoral, com a proximidade entre legislativas, autárquicas e a proximidade do ciclo europeu, criaram uma situação excepcional. Foi isso que determinou a minha recandidatura.

Está confiante na vitória nestas autárquicas? O que fará se não tiver maioria absoluta?

Estou confiante. Mas não traço cenários. Recordo que venci com maioria absoluta, em 2005, e chamei todos para o governo da Câmara. Todos os partidos. O PS e a CDU. E todos aceitaram.

A coIigação que encabeça ganhou ou perdeu com a entrega dos pelouros pelo PS, a um ano das eleições?

Enquanto estivemos Incluldos, estivemos todos - até ao momento da ruptura que aconteceu, com o PS, no ano passado. Mas eu não apago a história. Não digo uma coisa hoje diferente do que dizia há dois anos. Não digo coisas diferentes e se, há dois anos, a minha opção  orçamental era a consolidação das contas, não a ignoro nem a esqueço. O que partilhei com o meu vereador das FInanças [PS] foi bem partilhado. Não tenho problemas de consciência nem de memória. Nem jogos duplos.

E os resultados foram positivos?

Positivos, é evidente. Porque a questão da consolidação das contas era elemento Importante e continua a ser. Mesmo que em campanha o PS de Sintra o esteja a esquecer.

O que mudoo nestes anos na sua reIação com Sintra?

Mudou tudo. A minha relação com Sintra é feita de afectos. Conheci muitas pessoas e instituições, sinto que as pessoas tem a consciência de que me dedico a Sintra.

Tags: PortugalSul


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