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por DN
Na sua crónica semanal publicada hoje, o provedor do leitor do 'Público' comenta os desenvolvimentos no caso das escutas a Belém e insta a direcção do jornal a "dar sinais claros e inequívocos" da sua isenção.
Na sua crónica de hoje, Joaquim Vieira, provedor do leitor do Público, faz críticas à actuação do jornal, considerando que "do comportamento do PÚBLICO (...) resultou uma atitude objectiva de protecção da Presidência da República (PR), fonte das notícias".
Para Joaquim Vieira, "isto, independentemente da acumulação de graves erros jornalísticos praticados em todo este processo (entre eles (...) permitir que o guião da investigação do PÚBLICO fosse ditado pela fonte da PR) leva à questão mais preocupante, que não pode deixar de se colocar: haverá uma agenda política oculta na actuação deste jornal?"
O provedor diz na sua crónica que "as explicações" para as suspeições da Presidência da República de que haveria escutas da responsabilidade do Governo "eram grotescas (...) mas aceites como válidas pelos jornalistas do PÚBLICO".
Mais adiante na sua análise, Joaquim Vieira sustenta que, depois da primeira manchete do Público - que deu conta das suspeitas da Presidência 17 meses depois da data do e-mail divulgado na sexta-feira passada pelo DN - e face ao silêncio de Cavaco Silva e do primeiro-ministro, "o passo seguinte do PÚBLICO deveria, logicamente, consistir em confrontar o próprio PR com as suas responsabilidades políticas na matéria".
Referindo-se ao momento em que o Público finalmente teve uma reacção do PR - que pedia que não houvesse desvios em relação aos "problemas do país" - Joaquim Vieira questiona: "como pode o PR fazer declarações altruístas sobre a situação nacional e ao mesmo tempo caucionar (se não mesmo instigar) ataques abaixo da cintura lançados de Belém sobre São Bento?"
Joaquim Vieira começa por explicar que "na sequência da última crónica do provedor" se instalou na redacção "um clima de nervosismo", no seio do qual o director do Público, José Manuel Fernandes, terá chegado a chamar "mentiroso" ao provedor.
Joaquim Vieira conta ainda que "a sua correspondência electrónica" e de outros jornalistas do diário foi "vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do PÚBLICO".
O provedor dos leitores do Público critica ainda o Diário de Notícias pela publicação da correspondência que deu origem à manchete de sexta-feira, que denuncia a "encomenda" do caso das escutas pela Presidência da República, declarando que "não denuncia fontes de informação confidenciais dos jornalistas (...) e acha muito estranho que outros jornalistas o façam".
No final da crónica, Joaquim Vieira aponta para o facto de já ter feito "observações sobre procedimentos de que resulta sempre o benefício de determinada área política em detrimento de outra".
Por considerar que esta actuação "não corresponde ao seu estatuto editorial [do Público]", Joaquim Vieira sustenta que "a direcção deveria dar sinais claros e inequívocos. Não por palavras (pois a coisa mais fácil é pronunciar eloquentes declarações de isenção), mas sim por actos."
Tags: Caso das escutas
Fotografia © Pedro Valente - Arquivo DN
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17 Comentários
02 Out 2009, às 12:58 - Portugal - Lisboa
Não será tempo de se começar a pensar em jornalismo de opinião e cada orgão de comunicação assumir uma linha editorial. Seria mais serio e evitava aos jornalistas esse esforço sobrehumano que é tentar ser isento. Desde já assumo que não sou capaz de ser isento , nem no football ! Cada um compra o jornal ou vê o canal de televisão que diz aquilo que nós gostamos de houvir.
22 Set 2009, às 16:06 - Portugal - Lisboa
O Director do Público saiu muito mal deste processo. O jornalista não quer a informação para si, quando indaga, quando solicita as informações fá-lo em nome dos seu leitores, procurando que todos os assuntos aludidos sejam cabalmente esclarecidos. Se querem fazer politica partidária está no seu direito, mas não deve utilizar o jornal para atacar politicamente alguém.
22 Set 2009, às 10:40 - Portugal - Lisboa
É claro que há uma agenda política escondida no Público. É pena que o Público tenha vindo a perder a isenção e a qualidade, que eram sua característica. J.M.Fernandes é tudo menos isento. Todos sabemos quem ele apoia, quem ele ataca. Há muito que este senhor se deveria ter afastado do jornal ou ser demitido. Muitos agradeciam.
22 Set 2009, às 10:26 - Portugal - Lisboa
José M. Fernandes é um óptimo jornalista, com muita experiência e isenção mas, uma alvo a abater, é óbvio que tinha de surgir um cambalhaço para cala o jornal que neste momento trata os assunto pelos nomes. Sócrates quando deixar a politica já tem com que se entreter, resolver todos os casos que tem em tribunal. Será parente de Hugo Chavez?
21 Set 2009, às 06:41 - Portugal - Lisboa
Esta direita é miserável,já foi assim com Ferro com Socrates foi vezes sem fio,como se pode um Presidente da Republica prestar a este papel,o que fez Cavaco e disso não tenho duvidas depois de ouvir tudo o que ele disse,foi uma tentativa de golpe de Estado Institucional. Marcelo veio tentar limpar com os seus comentários,aquilo que só não vê quem não quer
Interventor
20 Set 2009, às 21:33 - Portugal
Ainda bem que este jornal tem um provedor que se preza da sua função. Que só tem de dar resposta à sua consciência de homem e jornalista. Jornalistas como JMF não podem caber no nosso jornalismo, onde ainda se encontram muitos homens de bem.
Indigitado
20 Set 2009, às 21:28 - Portugal - Braga
Triste e lamentável situação. Ao Jornal Público tem de ser restituída a dignidade de qualquer jornal que se preze. O actual director tem de ir para a rua porque não sabe o que é a ética jornalística. Estamos fartos da sua javardice.
agb
20 Set 2009, às 20:03 - Portugal - Porto
Senhor Provedor: O senhor tem andado muito distraído com as isenções e bandalheiras que existem na nossa imprensa. Ou será que apenas analisa os casos que não são de seu agrado? Deverá deixar o seu lugar de Provedor, pois não está a ser isento. Cumprimentos
jose magalhaes
20 Set 2009, às 17:15 - Portugal - Viseu
Este (triste) caso das escutas vem, inequívocamente, demonstrar aquilo que já todos sabiam: campanha miserável do director do jornal público, contra o Sócrates. Por outro lado, a conivência e, mais grave ainda, o silêncio de Cavaco são a prova de toda uma campanha orquestrada por Belém, para favorecer o PSD e MFL Que triste figura fez Cavaco em todo este processo
ribeirinho
20 Set 2009, às 14:59 - Portugal - Viana do Castelo
onde param os comentarios do comentador oficiosa, JPJPJP? O rato está a milhas, podera.
Milhazes
20 Set 2009, às 14:24 - Portugal - Porto
Foi assim que tramaram Ferro Rodrigues esta gente não tem escrúpulos. Ligamos com uma autentica máfia que vai desde compra de votos.
EUZINHO
20 Set 2009, às 13:00 - Portugal - Lisboa
O Director do Público é um indíduo sem escrúpulos, sem honra de jornalista. Típico de ex-maoísta convertidos ao liberalismo.
pincelim@gmail.com
20 Set 2009, às 12:17 - Portugal
O jornalista Emídio Rangel escreve o seguinte no CM: "inventona" das escutas a Belém foi gerada, na Presidência da República, por Fernando Lima, um homem-forte do Presidente e utilizou o jornal ‘Público’, dirigido por José Manuel Fernandes, que agora abandona o barco, ao que se diz, para se juntar ao staff do Presidente da República." Isto é verdade?...
Jamba Laya
20 Set 2009, às 12:04 - Portugal
Tal como o célebre brandy Constantino, a agenda política oculta do sr. Fernandes já vem de longe. É ir ver os arquivos.
vguerra
20 Set 2009, às 11:50 - Portugal - Lisboa
Afinal a crítica é para o Publico ou para o DN?Esta´-se a posicionar para outros vôos.
ELSA DAVID
20 Set 2009, às 09:45 - Portugal - Lisboa
A "agenda política oculta" é a via rápida inter-governamental do PR, para não sair desfocado na fotografia do Poder
20 Set 2009, às 09:44 - Portugal - Lisboa
Os "problemas do país" na óptica do PR são antes de mais a sua falta de autoridade política face ao lascismo arcaico dos media, na produção de notícias políticas referentes ao Governo, que indicam a neuroplasia do Poder associada à maioria, que sem dúvida o PR pretende combater, e mostra-se interessado em interferir nos resultados eleitoriais, para que haja uma coligação centrista.
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