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Revelação

"Subitamente neste Verão"

por Catarina Guerreiro, Graça Henriques e Nuno Saraiva  

O provedor do leitor do Público criticou, domingo passado, o procedimento do jornal no chamado "caso das escutas". Joaquim Vieira volta ao tema esta semana

@page { margin: 2cm } P { margin-bottom: 0.21cm } No último Domingo, dia 13 de Setembro, o provedor do leitor do jornal Público dedicou a sua coluna semanal ao caso da alegada vigilância exercida pelo Governo sobre a Presidência da República (PR). "Subitamente neste Verão", assim era o título do artigo em que Joaquim Vieira sublinhava o facto de "apesar de recolhido pelo jornal, faltou o contraditório a uma notícia que agitou o mundo político".

As matérias a que o provedor se referia fizeram a manchete do Público de 18 e 19 de Agosto: "Presidência suspeita estar a ser vigiada pelo Governo", foi a primeira em que era citada uma fonte não identificada da Casa Civil do Presidente da República. No dia seguinte o jornal "reincidia, alegando que a origem das suspeitas [da PR] remonta a uma viagem presidencial à Madeira, há um ano e meio, na qual um adjunto do primeiro-ministro [Rui Paulo Figueiredo] teve comportamentos que levaram colaboradores de Cavaco Silva a apertar o circuito da informação para evitar fugas". 

A segunda manchete, prosseguiu Joaquim Vieira, "motivou o envio ao provedor de uma reclamação" do referido adjunto em que este se queixava de "não ter sido citado" o desmentido em que, assegurava, ter tido "oportunidade de negar completamente" tudo aquilo com que foi confrontado pelo correspondente do jornal na Madeira, Tolentino de Nóbrega. 

 

Perante os factos relatados e as implicações de que este caso se reveste, o provedor decidiu "aprofundar a sua investigação, muito para lá do adjunto governamental, abrangendo todo o procedimento do Público no processo". "O provedor pôde concluir que o contacto inicial de um membro da PR com o jornal para se queixar da "espionagem" de S. Bento sobre Belém, e até da possibilidade de escutas telefónicas, se deu há cerca de 17 meses, pouco após a visita de Cavaco Silva à Madeira", acrescentando ainda Joaquim Vieira "Salvo melhor prova, tudo não passa de um indício, sim, mas de paranóia, oriunda do Palácio de Belém. Só que tal manifestação é em si já notícia, porque revela a intenção deliberada de alguém próximo do PR minar a relação institucional (ou a "cooperação estratégica") com o Governo". 

 

O provedor, sem nunca nomear a fonte de Belém, concluiu ainda que "só há uma fonte, que é sempre o mesmo colaborador presidencial que tomou a iniciativa de falar ao PÚBLICO em 2008". E por considerar que este caso "se reveste de grande complexidade e gravidade" promete voltar ao assunto no próximo Domingo. 


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