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por ANA TOMÁS RIBEIRO
Número de portugueses a estudar noutros países é inferior à média Europeia. Universidades apostam tudo para mudar o cenário e em Lisboa a Reitoria até vai dar prémios aos professores.
As universidades portuguesas estão preocupadas com o baixo números de alunos que vão para o estrangeiro e apostam nos incentivos a professores e estudante para mudar o cenário. É que a percentagem de estudantes portugueses noutros países é de cerca de 5%, inferior à média europeia (8%) e longe da meta definida pela Europa (20%) para o final da próxima década.
Segundo adiantaram ao DN vários estabelecimentos nacionais de Ensino Superior, o objectivo é atingir pelo menos 10%.
A Universidade de Lisboa está mesmo a preparar a atribuição de prémios aos docentes que consigam cativar mais estudantes para uma experiência académica lá fora, admitiu ao DN Amélia Loução, a responsável do departamento internacional deste estabelecimento de ensino superior.
Prémios que poderão não ser em dinheiro, mas em condições ou outro tipo de avaliações interna, explicou. Comparativamente com outras universidades nacionais, como a Nova ou a do Porto - as que enviam mais estudantes lá para fora - a de Lisboa tem menos alunos por ano no estrangeiro. Só 5% dos seus estudantes deixam anualmente Portugal para estudarem no estrangeiro, ao abrigo do programa Erasmus, de acordos de cooperação ou de parcerias entre universidades.
Amélia Loução diz que a Reitoria da Universidade de Lisboa irá aprovar, dentro de dias, um pacote de medidas de estímulo à mobilidade, com o objectivo de melhorar o número de alunos que se candidatem a programas internacionais. E espera que dentro de quatro de quatro anos 10% dos estudantes portugueses da Universidade de Lisboa já tenham uma experiência académica internacional.
A Universidade do Minho também está preocupada em aumentar a taxa de mobilidade dos seus alunos, que estagnou nos últimos tempos. Por isso, o estabelecimento de ensino apostou em várias formas de incentivo. Uma passou pela criação de um padrinho de Eramus, para incentivar os alunos a atriar alunos. E criou a figura do coordenador do projecto Eramus, atribuída a um professor.
Segundo contou DN Adriana Lago de Carvalho, a responsável do departamento internacional da universidade, uma das prioridades futuras é envolver ainda mais os professores no projecto de internacionalização dos seus estudantes (ver entrevista).
Também a universidade de Faro e Porto querem aumentar os estudantes no estrangeiro, mas mesmo assim os números são melhores do que em Lisboa (ver caixa).
A fraca mobilidade dos estudantes da Universidade de Lisboa explica-se por esta não ter alguns cursos, como engenharias, psicologia, belas artes e economia, cujos alunos demonstram mais interesse por experiências académicas fora das fronteiras nacionais. Mas também por certo conservadorismo de alguns professores, eles, também, com pouca mobilidade e com uma média etária já "considerável".
Por último, a capacidade financeira das famílias nacionais para ajudar aos custos, está ainda aquém daquela que é verificada em muitas outros países da Europa.
Além disso, as bolsas do programa Erasmus não chegam muitas vezes para fazer face às despesas. Para contornar o problema, a Universidade de Lisboa está também a ponderar a criação de apoios, que passam por dar ajudas de custo, a este nível. Mas Amélia Loução não quer para já especificar quais, porque o pacote de medidas ainda está a ser avaliado e só em breve será aprovado pela reitoria.
Tags: Portugal
Portugal recebe mais alunos do que envia
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