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Sócrates e o pós-eleições: "Não excluo nada"

por JOÃO PEDRO HENRIQUES  

Sócrates e o pós-eleições: "Não excluo nada"

José Sócrates foi ontem entrevistado na RTP1. Deixou de falar na maioria absoluta como objectivo eleitoral. Já só diz que quer um Governo que dure quatro anos em condições de "estabilidade". "Não excluo nada", afirmou, confrontado com cenários pós-eleitorais. O essencial da entrevista foi passado a atacar Manuela Ferreira Leite. Com recados para Belém

"Politiquices". Foi assim que ontem, entrevistado na RTP-1, José Sócrates qualificou o debate "para jornalistas e analistas" em torno dos cenários pós-eleitorais, caso o PS vença sem maioria absoluta. "Não excluo nada", afirmou, quando perguntado por Judite de Sousa sobre se há possíveis entendimentos que afaste desde já.

Desta vez sem usar a expressão "maioria absoluta" como definidora do objectivo eleitoral do PS - o que representa uma evolução no seu discurso -, José Sócrates sublinhou porém que "os portugueses sabem que a situação exige um Governo para quatro anos e que tenha estabilidade política".

O líder socialista - que hoje voltará um debate televisivo, desta vez num frente-a-frente com Paulo Portas, que a TVI transmitirá - concentrou-se num esforço de bipolarização com o PSD de Manuela Ferreira Leite: "Só há duas pessoas que podem ser primeiro-ministro, só dois partidos podem ganhar, o PS ou o PSD. Esta é a escolha. Todos sabemos que é assim."

Sócrates deixou também recados dirigidos ao Presidente da República, atribuindo-lhe o ónus de não se deixar instrumentalizar pelo PSD: "O Presidente da República não irá permitir a utilização da sua figura para fins eleitorais", afirmou. Ou, por outras palavras: "Cada um deve pedalar a sua bicicleta e não estar à espera e que outros o façam por ele."

Considerou, por outro lado, que a "cooperação institucional" entre o Governo e o Presidente da República - Sócrates não usa a expressão "cooperação estratégica", que o PR prefere - "é absolutamente impecável" e "sem falhas", sendo que todas as divergências de opinião "são normais".

Quando às alegadas vigilâncias pelo Governo aos assessores do Presidente, voltou a qualificá-las como "disparates de Verão". Acrescentou dois adjectivos: "Inventonas" e "tonterias".

José Sócrates prometeu que, se for reeleito primeiro-ministro, tentará uma nova relação com os sindicatos dos professores (provavelmente, a sua principal fonte de desgaste na legislatura, juntamente com a crise). "Estou muito disponível para restaurar uma relação delicada e atenta com os professores."

Grande parte da entrevista passou-a o líder socialista a atacar Manuela Ferreira Leite. Sócrates censurou à líder do PSD o facto de esta insistir no facto de estar a defender uma "política de verdade". "Quem se apresenta apenas com a palavra 'verdade' o que pretende apenas é apoucar os outros. É o preconceito da superioridade moral".

E, além do mais, "os que andam sempre com a verdade na boca escorregam rapidamente", atirando contra a líder 'laranja' o caso da candidatura de Alberto João Jardim a deputado (é, como sempre, cabeça de lista do PSD pelo círculo da Madeira): "Ela [Manuela Ferreira Leite] tem na Madeira a mais falsa das candidaturas", afirmou, argumentando com o facto de Jardim já ter anunciado que nunca assumirá o mandato na AR.

Disse também que Ferreira Leite não pode reivindicar para o PSD em exclusivo a defesa dos valores da família apenas porque o PS fez aprovar um novo regime do divórcio e uma nova lei das uniões de facto. "Não posso admitir que se diga que sou menos apoiante da família", afirmou, recordando subsídios governamentais.

Tags: PortugalGoverno


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8 Comentários


alberto9

02 Set 2009, às 13:13 - Portugal - Lisboa

As perguntas pareciam encomendadas.Passar em revista o seu desgoverno, nem pensar! Já sabiamos que a RTP estava bem controlada pelo governo, mas com esta dimensão!...


alberto9

02 Set 2009, às 13:08 - Portugal - Lisboa

A RTP1, do povo pagante, pôs-se de cócaras! Judite de Sousa que até é uma chata com outros entrevistados políticos, perguntando e interrompendo frequentemente os ditos, ajoelhou e com um cândido sorriso deixou Sócrates tocar violino, deixando que fosse Sócrates a interromper quando tentava fazer uma pergunta ou observação.Assim o homem pôde dourar o seu desgoverno e elogiar-se sem pudor.


Martinho Loureiro

02 Set 2009, às 11:51 - Portugal - Viseu

Da entrevista concedida ontem á RTP pelo engº Sócrates salienta-se que o primeiro Ministro ao fim de um mandato continua apto a governar o país, com sentido de estado, e determinação em levar a cabo as reformas em curso. A objectividade das suas declarações sobre o momento politico e a forma serena como enfrenta os seus adversários garantem estabilidade aos Portugueses


vguerra

02 Set 2009, às 10:53 - Portugal - Lisboa

Uma hora de propaganda na televisão pública, que todos pagamos."Manipulação democrática"


LuisManuelLourenco

02 Set 2009, às 10:47 - Portugal - Lisboa

Artigo redigido de forma tendenciosa. Todos elegeram Sócrates como inimigo público nº1.Partidos direita, esquerda, joranais, televisões, etç., porque ele teve a coragem de mexer com poderes parasitas instaalados. Assim, Sócrates tem que ser abatido politicamente. Há muitos anos que voto em branco.


mpqueiros

02 Set 2009, às 10:26 - Portugal - Braga

Marcará esta entrevista a estratégia do actual PM para a campanha eleitoral? Se assim for, teremos, em linhas gerais, para além de falinhas mansas para encantar desiludidos: - tentativa de bipolarização PS-PSD - desacreditação pessoal do principal adversário... politiquices e tonterias, dizia...


EUZINHO

02 Set 2009, às 09:25 - Portugal - Lisboa

Foi uma entrevista excelente, um grande contraste com a fraquíssima entrevista da líder do PSD, Manuela Ferreira Leite. O líder do PS José Sócrates mostrou-se um hábil político e um estadista. Só estas duas entrevistas são suficientes para mostrar aos portugueses que a melhor solução governativa será um governo PS, de preferência de maioria absoluta, para assegurar estabilidade.


Carlos Gomes

02 Set 2009, às 08:38 - Portugal - Lisboa

Isto é um titulo feito à picareta. O homem já sabia que este era o título que os jornalistas queriam e recusou admitir qualquer cenário em antecipação ao resultado das eleições.


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