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por SÓNIA SIMÕES
O tribunal de Loulé absolveu-o do assalto a uma carrinha de valores e disse que não foi feita justiça. O tribunal de Lisboa condenou-o por tráfico de droga. Amadeu Santos vai ter de cumprir pena
O homem que ficou conhecido pelo "assaltante do século" chegou ontem algemado, mas tranquilo à sala de audiências no Campus da Justiça, em Lisboa. No final, Amadeu Santos não ouviu da juíza uma absolvição como, há sete anos, quando ficou em liberdade após uma acusação por roubo. E acabou condenado a seis anos de cadeia por tráfico de droga.
"É um crime simples de pouca importância. Ainda não sei se vou recorrer", disse à saída do tribunal o advogado de Amadeu, António José Urbano. Um ponto de vista diferente do colectivo de juízes, presidido por Ana Paula Barbosa.
No final da leitura do acórdão, a juíza explicou que é diferente traficar haxixe ou cocaína, e isso pesa na pena a aplicar. "O consumo de cocaína e heroína provoca dependência e, a longo prazo, vontade de deixar de viver." A juíza falava para Amadeu Santos e para os três co-arguidos. "Durante o julgamento contaram versões contraditórias e tentaram sacudir a água do capote. Só o Ricardo assumiu e mostrou arrependimento", disse.
Ricardo Reis foi quem, a 31 de Dezembro de 2007, trouxe no estômago cerca de um quilo de cocaína do Brasil para Portugal. Segundo a acusação, fê-lo a pedido de um pintor de construção civil, Francisco Ribeiro. Ricardo foi condenado a quatro anos de cadeia, com pena suspensa. O homem que o "contratou" enfrenta agora uma pena efectiva de cinco anos.
O esquema, segundo o Ministério Público, foi pensado por Amadeu Santos e pelo já conhecido das autoridades Fernando Cascalheira - o homem de 63 anos, conhecido por "Manuel Alentejano", e com um longo cadastro por ter integrado o grupo FP27 e por passagem de moeda falsa.
A dupla, Amadeu e Cascalheira, foi apanhada em diversas escutas telefónicas quando combinava a transacção de droga. Em tribunal provou-se que foi Amadeu quem pagou o bilhete de avião e os gastos do "correio de droga" no Brasil. Os dois acabaram condenados a seis anos de cadeia.
O "mestre do crime", Fernando Cascalheira, não perdeu a oportunidade para dizer que nada tinha a ver com o caso. Depois de lhe ser negado um pedido para voltar a prestar declarações e apresentar nova prova, Cascalheira exaltou-se e mandou as culpas para cima de Amadeu, sentado ao seu lado.
"O senhor devia pensar nos seus netos, de quem tanto gosta. Já viu se um dia eles começam a consumir este produto", disse-lhe a juíza. Fernando Cascalheira, todo vestido de preto, respondeu. "Foi o Amadeu, nunca toquei nessas coisas", atirou. O advogado repreendeu-o.
E Amadeu acenou com o dedo. Negou. Manteve a mesma postura impecável de há sete anos, à porta do tribunal de Loulé - depois de absolvido do "assalto do século" a uma carrinha de transporte de valores que rendeu cerca de um milhão de euros.
Ao longo do julgamento não ficou provado que o grupo tivesse feito mais alguma transacção de droga, como o Ministério Público acusou. E o colectivo de juízes fez cair as acusações pelos crimes de associação criminosa e tráfico de droga agravado - condenando todos os arguidos por tráfico de droga simples.
"Não quer dizer que não tenham feito outra transacção, mas não se provou", rematou a juíza. A magistrada disse ainda que estava nas mãos dos arguidos "reconstruir uma vida longe do crime".
Cascalheira e Amadeu saíram juntos para a cadeia de Lisboa. No elevador, Cascalheira não parou de contestar. Enquanto Amadeu se manteve em silêncio.
Cascalheira mudou de advogado no início da sessão. Deixou Ana Cotrim - que defende Paulo Baptista, arguido no processo Máfia da Noite que está fugido - para ficar com Fernando Belchior "um amigo de longa data". Os arguidos estão presos há ano e meio.
Tags: Portugal, Sul
mendoncajunior
MENDONÇA JÚNIOR, Coronel de Cavalaria Acredito ...
há 96 dias, 7 horas e 14 minutos
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1 Comentário
19 Ago 2009, às 13:27 - Portugal
MENDONÇA JÚNIOR, Coronel de Cavalaria Acredito que o assaltante da carrinha de valores depois de devidamente encarcerado seja morto pelos seus congéneres... se não lhes revelar onde escondeu o produto o roubado... depois de terminarem de cumprir as suas penas .
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