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por NUNO SARAIVA
O nome de Passos Coelho já foi aprovado pela distrital de Vila Real. Mas Manuela Ferreira Leite ainda não revelou se vai ou não convidar o seu opositor nas últimas directas para integrar as listas às eleições legislativas. Em entrevista ao DN, Passos Coelho não se arrepende de ter condicionado o partido nas europeias e quer maioria absoluta nas próximas legislativas
Há notícias contraditórias sobre a sua inclusão nas listas do PSD. Qual é a sua expectativa?
Não me tenho pronunciado sobre essa questão. Nunca na vida alimentei disputas ou quezílias à volta de lugares. Saí do Parlamento há 10 anos pelo meu pé - e estava convidado para continuar. Não me considero, porque literalmente não sou, nem reformado da política nem estou a trabalhar para o ser. Há um ano disse em que condições é que estava disponível...
E essas condições mantêm-se?
São as mesmas. E fico muito satisfeito por saber que, no meu distrito político, há uma vontade inequívoca da generalidade das pessoas para que eu possa encabeçar essa lista ao Parlamento. Mas essa é uma questão que será decidida pela Comissão Política Nacional (CPN) e pela presidente do PSD.
Já teve algum contacto com ela?
Não. Não tive.
Que ilações tirará se não fizer parte das listas?
Não vou retirar consequências políticas para o plano interno de qualquer situação dessa natureza. Nem no caso de ficar na lista, nem no caso de não ficar. Não vou fazer disso uma questão política interna. Há um ano disse que, se fosse eleito presidente do PSD, convidaria os meus adversários para as listas. Quis dar com clareza a ideia de qual era a minha cultura e atitude política. Os partidos precisam de ser espaços plurais, de diversidade com divergência. Não devem ser espaços de totalitarismo, devem ser espaços de abertura e democracia.
Há quem tenha outra opinião. Pacheco Pereira, Alexandre Relvas ou Alberto João Jardim já disseram que não deve integrar as listas porque não faz parte da linha oficial.
Não quero polemizar. Se quisesse fazer parte de um partido totalitário não fazia parte do PSD.
Não admite que se excedeu quando, na campanha das europeias, impôs ao PSD a obrigação de ganhar?
Voltaria a dizer hoje. Não podia ir a uma campanha eleitoral dizer que o PSD não está a jogar para ganhar, que se perder não tem problema nenhum. O PSD precisava de ganhar aquelas eleições. Provou-se que eu tinha razão.
Não admite que, até pelo momento em que fez essas afirmações, pode ter provocado embaraço à presidente do partido?
Não vejo porquê. Fui à campanha elogiar o desempenho do cabeça de lista. Fui felicitá-lo pela campanha que estava a fazer. E dizer que achava indispensável que o PSD colocasse a fasquia da vitória eleitoral porque sem isso seria muito difícil convencer o país que era possível haver uma inversão de expectativas e que podíamos derrotar o PS nas legislativas. O tempo deu-me razão.
E de quem foi o mérito da vitória?
Não pode deixar de ser atribuída à direcção do PSD. E à equipa que fez parte daquela lista e, em particular, o cabeça de lista, que fez uma belíssima campanha.
Se for deputado vai manter-se como voz autónoma face à direcção?
Acho que isso é o que se exige dos deputados e de todas as pessoas que se levam a sério. À CPN cumpre traçar as orientações políticas gerais do PSD. Mas isso não significa dizer que todos os militantes, deputados ou dirigentes, abolam os seus pontos de vista. Isso não é a cultura do PSD e ainda bem.
Confirmando-se as expectativas de que não haverá um governo de maioria absoluta, em caso de vitória o PSD deve coligar-se com o CDS?
O PSD tem que disputar todo o jogo até às eleições, procurando persuadir o país que a situação que enfrentamos macro-económica e social para os próximos anos é suficientemente severa para colocar a condição de governabilidade numa exigência do maior grau possível.
Ou seja, o PSD deve pedir maioria absoluta?
O PSD não poderá deixar de colocar uma fasquia muito elevada quanto ao resultado que pretende nas eleições. Não poderá afrouxar nas fasquia. As condições de governação vão ser muito difíceis em face da conjuntura severa. Um governo que não tenha claramente apoio expressivo no Parlamento é um governo que, não só estará a prazo, como não conseguirá empreender uma acção reformista que é inevitável. Não se trata de chantagem, trata-se de um apelo à responsabilidade do eleitorado, para que saiba o que pode esperar de um governo frágil ou de um governo mais forte. Não há razão hoje para que o PSD tenha menos condições do que teve o PS.
Acha que o PSD deve rasgar as políticas sociais deste governo?
Há 20 anos, quando me candidatei a presidente da JSD, tinha um lema de candidatura que era "rasgar a indiferença". Não tenho medo das palavras. Mas o PSD não é, historicamente e ainda bem, um partido de rasgar. É um partido de construir. E nesse sentido, a expressão que foi utilizada é menos feliz. Mas Manuela Ferreira Leite já a corrigiu.
E diferencia-se dizendo que concorda com as políticas sociais anunciadas pelo PS?
Tenho muita expectativa de que o PSD consiga encontrar, quanto mais não seja pela lei da gravidade política, o caminho certo e o discurso certo daqui até às eleições.
O PSD já devia ter apresentado o programa eleitoral?
Penso que sim. Eu teria escolhido revelar as linhas de força da alternativa do PSD mais cedo.
E acha que o PSD devia dizer isso em vez de se remeter ao silêncio?
Não vejo nenhuma razão para que o PSD não diga claramente o que pensa sobre esta matéria.
Desistiu de ser presidente do PSD?
Tenho uma maneira de ver o PSD, tenho um projecto que podia caracterizar como de mobilização e de prosperidade relativamente ao futuro do país. Continuarei a defendê-lo hoje e se houver no futuro necessidade de as voltar a protagonizar ao nível do PSD, não estou diminuído na possibilidade de me voltar a candidatar a presidente do PSD.
Tags: Portugal
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