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por DIANA MENDES
Ordem dos Médicos vai enviar para o Governo os resultados do inquérito a dois mil clínicos, em que 90% concordam em serem eles a distribuir genéricos nos hospitais, em vez dos farmacêuticos. Bastonário diz que para isso o Ministério teria de fazer concursos públicos para cada doença ter só um genérico. E avisa que Estado e utentes podiam poupar até 40%.
Os médicos querem dispensar medicamentos genéricos nos hospitais, consultórios ou centros de saúde. Mas, para isso, diz a Ordem, o Governo tem de fazer um concurso público para escolher um genérico por cada substância activa. O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, revelou ao DN que até foi realizado um inquérito a dois mil médicos para ver se "concordavam com a medida e estavam dispostos a ter essa função. "90% responderam que concordavam e o faziam a custo zero", adiantou o bastonário.
O inquérito - cujos resultados irão chegar ao Governo - assim como a ideia da proposta surgiu na sequência de um debate televisivo, em Abril, entre Pedro Nunes e João Cordeiro, presidente da Associação Nacional das Farmácias (ANF). Na altura, João Cordeiro propôs que as farmácias vendessem apenas um genérico por cada molécula, o que seria possível mediante a realização de um concurso público.
"A Ordem agarrou na ideia e propôs que fossem antes os médicos a distribuir os genéricos nas unidades de saúde." Se é para haver uma só molécula, então o Estado pode comprá-la e deixar os médicos distribuí-la nos centros de saúde e hospitais", explica Pedro Nunes, acrescentando que uma medida deste tipo teria "de ter o acordo dos médicos". Por isso, a OM fez o inquérito: "Queríamos perceber se estariam dispostos a fazê-lo em qualquer remuneração."
Uma vez que só haveria um genérico para cada doença, os médicos dariam esse medicamnento aos utentes, que, dependendo da comparticipação, o pagariam nas unidades de saúde, tal como fazem na farmácia. "A única diferença é que se pouparia a margem de lucro das farmácias", diz Pedro Nunes, garantindo que, segundo contas da OM, o "Estado e utentes poderiam poupar até 40%".
A proposta é contestada pelo presidente da ANF que a considera "absurda", e sublinha que seria bom era para a indústria farmacêutica, devido "às relações que têm com os médicos" (ver entrevista ao lado).
A forte contestação das farmácias faz Pedro Nunes acreditar que o Executivo não irá aproveitar a ideia: "O Governo não teria coragem política para tomar esta medida, pois as farmácias iriam perder as suas margens de lucro."
A ideia da Ordem destina-se a todos os utentes, incluindo os pensionistas que têm reformas mais baixas do que o salário mínimo nacional e que desde dia 1 de Junho têm genéricos gratuitos nas farmácias. "Aí quem poupava era o Estado porque não tinha de pagar aos médicos o que paga aos famacêuticos", conclui Pedro Nunes.
Segundo dados da Associação Nacional de Farmácias, nos primeiros 15 dias de Junho, a quota de mercado dos genéricos já estava a aumentar em relação ao mês anterior, o que poderá ser um sinal de que há mais médicos a receitar e mais pensionistas a optar por genéricos gratuitos.
De qualquer forma, no mercado em que concorrem genéricos e medicamentos de marca, os primeiros ainda têm apenas uma quota de 23%.
Tags: Portugal
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6 Comentários
29 Jun 2009, às 22:15 - Portugal - Lisboa
Este jogo do "gato e do rato" não é sério. O Bastonário só pode estar a brincar com a Ass. de Farmácias e com o País. Por este andar as Farmácias fechavam e quando um doente quizesse adquirir um medicamento qualquer ia bater à porta do médico, sabe-se lá onde e a que horas... Decididamente, não é destas tricas que o País precisa.
29 Jun 2009, às 21:54 - Portugal - Braga
Então o Sr Bastonario da Ordem dos Farmaceuticos agora já não se importa com o bolso dos portugueses? Será porque é sócio de uma empresa de genericos? Temos que pagar 40% de lucro ás farmácias porquê? Afinal esses senhores não curam ninguem nem produzem medicamentos...são merios intermediarios que engordam á custa dos pacientes. VERGONHA FARMACIAS...
29 Jun 2009, às 12:50 - Luxembourg
Vivo e trabalho num país onde a questão dos genéricos não se põe. Os médicos tanto receitam medicamentos de marca como genéricos, independentemente de ser antibióticos ou simples analgésicos e nunca me perguntaram a preferência. Vou à farmácia, compro, sou comparticipada e pronto. Só mesmo em Portugal é que os genéricos são um problema. Todos desconfiam de todos.
29 Jun 2009, às 11:01 - Portugal - Lisboa
Usem só genéricos e depois digam quem gasta dinheiro em investigação de novos medicamentos. Não tarda nada a farmacologia volta á Idade Média.
29 Jun 2009, às 09:43 - Portugal - Lisboa
Para mim é abjecta a atitude da OM.Primeiro pôem em causa a qualidade dos genericos e a competência do INFARMED,agora já querem ser eles a distribuir genéricos,e neste interim quem sofre são os doentes de poucos recursos a quem receitam ainda medicamentos de marca!Que diriam estes senhores se se fizesse concurso internacional para o preenchimento do quadro de médicos?Vergonhoso!
inconveniente
29 Jun 2009, às 07:13 - Portugal - Faro
Esta guerrinha entre médicos e farmacêuticos ilustra bem o que de mais nojento existe neste sistema "democrático". Tantas moscas a discutirem pela meda que é o ordenado ganho pelo cidadão mérdio. Transforma-se o juramento de Hipócrates em hipocrisia e a solidariedade humana converte-se em margem de lucro.
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