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Crise

'Velocidade' do TGV incendeia debate político

por EVA CABRAL  

Os grandes projectos de Obras Públicas estão confrontados com uma dívida externa crescente, que já atinge 100% do PIB e que leva João Cravinho, ex-ministro de Guterres, a admitir que "o País está à beira do precipício" e a lembrar que só a ligação Lisboa-Porto em TGV é rentável. O tema volta hoje ao debate político com um colóquio parlamentar em fase de pré-campanha.

A actual crise económica faz com que o PS e todos os partidos da oposição se vejam na necessidade de avaliar a que velocidade se vai avançar com o TGV numa altura em que existe uma forte escassez de crédito e o País está a braços com um preocupante nível de dívida externa que passou de 14 para 100 % do PIB.

Agendado há vários meses, o colóquio parlamentar internacional sobre "Alta velocidade em Portugal" ocorre hoje, uma semana após os resultados das europeias, que pressionam o debate político. Miguel Frasquilho, presidente da Comissão Parlamentar de Obras Públicas e deputado do PSD, frisa que "o colóquio está programado de há muito", negando qualquer nexo de causalidade com o ressurgir do debate político em torno das grandes obras públicas, que será um tema forte da campanha para as legislativas. Uma posição também assumida por José Junqueiro, que na bancada do PS tem o pelouro das Obras Públicas e que referiu ao DN que "os deputados socialistas não têm uma posição fechada sobre esta matéria, e que irão ouvir atentamente os intervenientes no colóquio". José Junqueiro lembra, contudo, que o projecto do TGV "foi aprovado por um Executivo do PSD/ /CDS numa altura em que o País se encontra igualmente em recessão técnica".

Já Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, referiu ao DN que "parece ser hoje consensual que não vai haver meios disponíveis para todas as obras públicas", frisando que neste quadro " se vai ter de escolher o investimento".

Em igual sentido, João Cravinho afirma ao DN que "há dez anos se planeou um programa global de infra-estruturas para o País que, entretanto, foi desarticulado". O ex-ministro das Obras Públicas do PS chama a atenção para o facto de se ter "separado a questão do TGV da do novo aeroporto" ,deixando a construção destas infra-estruturas "ao sabor de bairrismos e dos grandes interesses económicos". João Cravinho frisa que os estudos da Rave especificam claramente que só a ligação de Lisboa ao Porto tem viabilidade económica, já que a linha se rentabiliza com 4,1 milhões de passageiros/ano, quando os cálculos de tráfego apontam para os 4, 9 milhões por ano".

Já a ligação de Lisboa a Madrid será "economicamente inviável", pelo que terá de se basear sempre "numa decisão política para se avançar". O ex-ministro de Guterres deixa ainda claro que num país como Portugal existe uma "necessidade de se concentrar tráfego para se conseguir ter rentabilidade", chamando a atenção para a necessidade de uma análise custo/benefício quando se tomam decisões sobre obras públicas" adiantando que "a crescente dívida externa deixa o País à beira do precipício e implica que a próxima legislatura obrigue a um esforço acrescido de contenção orçamental".

Mas falar de TGV é falar de construção e, consequentemente, de grande volume de emprego. Questão fundamental num sector cuja produção caiu 25% nos últimos sete anos e que perdeu 70 mil postos de trabalho. Mas nem por isso a Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas (Fepicop) se pronuncia a favor ou contra a construção no imediato da alta velocidade ou se refere a qualquer outro pormenor de cariz técnico do projecto. "Não tenho qualquer dúvida de que tanto o TGV como o novo aeroporto são projectos benéficos para o País, mas já não sou ca- paz de dizer se será este o momento certo para os fazer. Não me custa a admitir que precisem de ser mais bem estudados", diz Reis Campos, presidente da Fepicop. "O aeroporto e o TGV re- presentam um investimento de 11 mil milhões, apenas 25% do pacote total de obras públicas anunciadas pelo Governo para serem realizadas até 2017 e não faz sentido que a polémica que envolve estes projectos entrave os restantes que não merecem qualquer contestação", defende.

Tags: Portugal


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7 Comentários


ViDi

15 Jun 2009, às 14:29 - Portugal

estou a 1oo%de acordo com os quatro comentadores,nos não precisamos de TGV,precisamos sim de ter um salario minimo como o dos Espanhois,porque o custo da vida está aqui tão caro ou mais do que en Espanha,temos o Alfa Pendular que é tão rapido para o pequeno Pais que temos chega e sobra,


mendoncajunior

15 Jun 2009, às 12:43 - Portugal

MENDONÇA JÚNIOR, Coronel de Cavalaria. Amigo Mário Lino, Em vez de "jamais" poderás passar a ser chamado "toujours" se o projecto do TGV se concretizar.


Francisco Tavares

15 Jun 2009, às 12:01 - Portugal - Setúbal

Não deve ser a crise económica, nem o agravar do endividamento que devem ditar se o TGV deve ou não deve ser construído. Será o resultado de uma confrontação custo/benefício em todos os seus aspectos que deverá ditar a aprovação do projecto.


laranginha

15 Jun 2009, às 10:54 - Portugal - Vila Real

certamente que com a crize ecnómica existente,não faz falta nenhuma o tgv.todos mas todos bateriam palmas se em vez do tgv se melhorassem os serviços de saude ,e mesmo que se fizesse mais um hospital ou dois ninguém mas ninguém,contestaria.até a própria oposição ficaria sem argumento ,e claro a população,que é o mesmo que dizer os portugueses agradeceriam.mas atenção HOSPITAIS PARA POBRES.


manuel figueiredo

15 Jun 2009, às 10:27 - Portugal - Porto

A dívida externa já chegou aos 100% do PIB! O abismo é já ali! Deixem-se as questiúnculas partidárias e pense-se no interesse nacional. O Alfa Porto-Lisboa chega-nos perfeitamente ( é já o "tgv" para Portugal). Melhore-se a rede ferroviária, a cobrir o país, e deixemo-nos de fantasias!


Nascimento

15 Jun 2009, às 09:57 - Portugal - Leiria

É mais que evidente que os investimentos no aeroporto e no TGV, têm de ser adiados! Como muito bem diz, João Cravinho, com uma dívida externa que atinge os 100% do PIB e à beira do precipício, só a teimosia e a "cegueira" de José Sócrates, poderão levá-los adiante ! Não haverá outras coisas muito mais importantes que o TGV ?


Nuno Vaz

15 Jun 2009, às 07:23 - Portugal - Lisboa

É claro que o TGV não faz falta nenhuma! Ele só servirá para o Sócrates e os seus MUCHACHOS se sentirem grandes e importantes! E querem saber porquê? É que isso só vai diminuir o tempo de viagem para o Porto em 30 minutos ! Quanto à ligação com Espanha, não serve para nada, pois os espanhóis já estão fartos de Portugal desde 1640, pois essa data bem os TRAMOU!


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