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por Ana Tomás Ribeiro
O Governo vai criar centros de dia para doentes com demência. Na fase inicial serão abertas 270 vagas, mas se o projecto funcionar bem poderá ser alargado. O Estado irá apoiar a construção destas unidades, que podem vir a ser do Serviço Nacional de Saúde, das misericórdias ou de privados. No País há 70 mil pessoas que vivem com Alzheimer.
O Governo vai avançar ainda este ano com a criação de 18 unidades para doentes de Alzheimer, uma em cada capital de distrito do País. "Tratam-se de instalações com uma capacidade total para 30 pessoas e 50% das vagas destinam-se a doentes com demência, sobretudo de Alzheimer", revelou ao DN a coordenadora da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), Inês Guerreiro.
Esta rede vai arrancar com serviços de dia - ou seja, "à noite os utentes regressam às famílias". Uma situação que é já uma grande ajuda para os familiares dos cerca de 70 mil portugueses com Alzheimer, pois muitos são obrigados a deixar de trabalhar para os tratar. O projecto inicial representa um total de 270 vagas para doentes cujas famílias já têm dificuldades em colocá-los nos lares convencionais, mesmo nos privados.
Por isso,"quando a sua situação se torna muito dramática, a solução é interná-los nos hospitais, onde hoje já há maior disponibilidade para os receber do que há uns anos", explicou ao DN membro da da comissão científica da Associação Portuguesa dos Familiares e Amigos dos Doentes de Alzheimer, o médico António Leuschner. O clínico sublinha porém que "ainda há alguns hospitais que colocam problemas na aceitabilidade destes doentes". Isto porque as pessoas com doença de Alzheimer, pela seu demência, exigem cuidados e atenções especiais, e são vistos como um factor de perturbação para outros utentes dos lares ou hospitais.
As necessidades, contudo, estão a aumentar, porque a incidência da doença está também a crescer, apesar de relativamente lenta. Além disso, os doentes de Alzheimer "são pessoas que estão muito sujeitas a quedas e fracturas, que vêm complicar o seu estado de saúde", explica António Leuschner.
As unidades que o Governo promete lançar agora são, por isso, ainda escassas para as necessidades. Mas já são uma ajuda.As que abrirem em cada capital de distrito vão funcionar como experiências-piloto que, se correrem bem, poderão ser reproduzidas em outros lugares, adiantou Inês Guerreiro.
Dado qu e, inicialmente, a rede terá apenas centros de dia, o internamento destes doentes, quando necessário, terá de ser garantido" na rede convencional de cuidados continuados, refere Inês Guerreiro, acrescentando: "O acesso é universal e os serviços estão a receber pessoas com todo o tipo de patologias."A rede será constituída através da ampliação de algumas unidades já existentes e do reforço de pessoal das mesmas. Ou através da constituição de outras, autónomas. "A proposta está a ser avaliada pelas tutelas (Ministérios da Saúde e do Trabalho e Segurança Social). E a legislação que regulamentará este projecto deverá estar publicada em Diário da República no Verão. Só depois arrancará a criação das unidades", diz Inês Guerreiro.
O Estado vai apoiar a construção e contratar os financiamentos. As unidades poderão pertencer ao Serviço Nacional de Saúde, às misericórdias, privados ou IPSS e cada uma criará entre 10 a 12 novos postos de trabalho. Mais um factor positivo em tempos de crise.
Tags: Portugal
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