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Eurodeputados avisam que crise vai marcar novo mandato

por ALEXANDRA CARREIRA, BRUXELAS  

A um mês da votação em que os portugueses escolhem os seus 22 representantes no Parlamento Europeu, o DN dá início à operação Europeias 2009. Hoje começamos a publicar um inquérito aos candidatos dos cinco principais partidos. Numa altura em que a pré-campanha decorre em toda a Europa comunitária, ficamos a conhecer melhor a Alemanha.

Falta um mês para as eleições europeias e é a crise que vai dominar a campanha que arranca agora Europa fora. O assunto é, de acordo com todos os especialistas ouvidos pelo DN, o grande desafio que se encerra no novo mandato do Parlamento Europeu (PE). Além disso, joga-se nas europeias, e nos cinco anos seguintes, a capacidade de "inserção da Europa no mundo como actor político e económico", diz a eurodeputada socialista Elisa Ferreira.

"Nunca as europeias tiveram lugar num momento em que os impactos da globalização fossem tão evidentes", refere Elisa Ferreira. A culpa reside no "modelo altamente liberal que está em vigor e que deu maus resultados". Por isso, continua, é a altura de "reorientar as agulhas". O momento é "decisivo para a Europa", diz Miguel Portas, o único parlamentar do Bloco de Esquerda, e os efeitos da crise que se abateu sobre a Europa no ano passado "devia ser suficiente para que as pessoas fossem votar".

O PE vai ser palco de "uma grande batalha política sobre os mercados financeiros", reflecte Portas ainda a propósito da crise que, diz, "vai ser longa e vai marcar todo o mandato".

No eixo social, para Elisa Ferreira, o desafio agora é saber se a Europa "consegue continuar a funcionar como espaço que garante a coesão territorial, a solidariedade e que tem por objectivo criar condições de liberdade e de democracia". E é aqui que Paulo Sande, o representante do PE em Portugal, coloca a questão escondida por detrás do boletim de voto: "esta crise vai obrigar-nos a decidir se queremos uma Europa mais solidária, onde não pode haver um país muito pobre, senão a Europa não faz sentido, ou se queremos um retrocesso".

Nesta linha, também o popular Ribeiro e Castro recomenda aos colegas que chegarem depois de 7 de Junho que "se continuem a bater pela manutenção da Política de Coesão" que, avisa, "pode vir a entrar em crise". Portugal, aponta Sande, "tem de continuar a fazer parte dos fundos, é dos mais frágeis, e os deputados portugueses têm de se bater por isso".

"A Europa tem, com a crise, a oportunidade de mostrar que pode fazer a diferença num esforço coordenado", diz Jackie Davies perita do European Policy Centre, um dos think tanks de Bruxelas. O melhor exemplo foi a "articulação europeia no G20" do mês passado, explica Capoulas Santos, deputado pelo PS e número três da lista para as europeias. Mas, para isso, dizem, é preciso o Tratado de Lisboa, que virá marcar a agenda na segunda metade do ano com a repetição do referendo na Irlanda, em Outubro. Capoulas reivindica para Lisboa a chave para uma melhor "afirmação da UE como actor global", tendo em vista a resolução de "problemas institucionais muito complexos", diz Silva Peneda, um dos cessantes na equipa do PSD em Estrasburgo.

A Política Agrícola Comum já se encontra em processo de reforma e "Portugal pode sair beneficiado", garante Capoulas Santos, relator do último relatório parlamentar sobre a PAC. A questão agora é "instituir critérios novos para a atribuição das ajudas, como o ambiente e o emprego". Sobre a reforma nas Pescas, também em curso, Ribeiro e Castro reivindica "mais esforços" da parte dos portugueses, "e também no que respeita aos Assuntos do Mar", numa óptica de interesse estratégico para Portugal.

Silva Peneda pede ainda que a agenda lusa na próxima legislatura passe por reivindicar uma reforma da Política Regional da UE, de forma a mitigar os efeitos "nefastos da globalização nalgumas regiões, como é, por exemplo, a região norte de Portugal, que era das mais industrializadas da Europa, para agora ser das mais pobres". Além disso, o deputado ressalva ainda a importância da reforma orçamental da UE que vai começar a ser debatida na próxima legislatura: "É preciso acabar com o modelo das quotizações por país, a UE tem de passar a ter receitas próprias".


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