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Justiça

Falta de funcionários nos tribunais põe em risco investigações

por ANA BELA FERREIRA  

PJ esteve horas à espera que o Tribunal do Seixal emitisse mandados de buscas e os suspeitos foram presos no limite. Sindicatos garantem que existem milhares de mandados atrasados por falta de oficiais de justiça.

A Polícia Judiciária (PJ) pediu, no final da semana passada, ao Tribunal do Seixal a emissão de mandados de busca com carácter urgente para uma operação a realizar no mesmo dia. Mas depois do juiz ter autorizado, os documentos demoraram horas a ser executados pelos oficiais de justiça, comprometendo a investigação e detenção dos suspeitos. Este é um dos muitos casos em que os mandados demoram horas ou são adiados para o dia seguinte pondo em causa as investigações e detenções.

Carlos Almeida, presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ), aponta o dedo à falta de funcionários. "Neste caso tivemos sorte. Os mandados foram executados no limite e a PJ já não sabia o que fazer, estava desde a manhã à espera", aponta o sindicalista.

"Estamos a colocar em risco a segurança das pessoas, porque poderíamos não ter conseguido produzir a prova para manter o grupo preso. E depois o que passaria para a opinião pública era que o juiz tinha libertado um grupo de criminosos, mas a verdade é que a culpa não é dele", acrescenta Carlos Almeida.

O responsável aponta o dedo à tutela: "O Ministério da Justiça tem desvalorizado tudo isto e a Direcção-Geral da Administração da Justiça também."

Episódios deste tipo não são únicos, garante também Fernando Jorge, presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais. Adiantando até que não conhece "nenhum tribunal onde estas acções corram bem". "São milhares os mandados que se atrasam horas ou são adiados um dia, pondo em causa as investigações", conclui.

O ministro da Justiça, Alberto Costa, admitiu ontem na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, que os prazos de inquérito não estão a ser cumpridos.

A falta de oficiais de justiça leva ao acumular de processos. Para Fernando Jorge, o Tribunal de Sintra está numa "situação calamitosa" com mais de 60 mil processos. Também Carlos Almeida alerta que "estão criadas as condições para que aumentem as prescrições". Até porque, "o crime está a aumentar e os tribunais não estão a acompanhar", acrescenta.

Oficialmente existem oito mil funcionários, mas o SOJ acredita que sejam apenas sete mil. Por isso, o organismo fala na necessidade de contratar mais mil.

Recentemente os quadros deveriam ter tido um reforço, através de um concurso interno da Administração Pública, de 300 funcionários, mas só entraram 194. Os restantes preferiram manter a função actual. "As pessoas quando são confrontadas com as condições não querem ingressar na carreira", reconhece Carlos Almeida.

O sindicalista denuncia ainda que o novo mapa judiciário afasta as pessoas da justiça. "Na sexta-feira uma senhora foi de Mafra até ao Tribunal de Sintra com os dois filhos menores para denunciar o incumprimento da pensão de alimentos. Apanhou três meios de transporte para lá chegar", conta Carlos Almeida. Uma situação que prova que a justiça "não está próxima dos cidadãos". "Não há sensibilidade social neste modelo que se quer aplicar", diz.

Tags: Portugal


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Orlando Cruz

Dada a situação actual de descrédito ...

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Abduljafoste

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2 Comentários


Orlando Cruz

30 Abr 2009, às 17:49 - Portugal - Coimbra

Dada a situação actual de descrédito da justiça, admitir mais funcionários não adianta. Prender ? Só se for para as estatísticas, porque são logo soltos a seguir. É como no futebol, a questão dos árbitros: Quantos mais são menos valem.


Abduljafoste

30 Abr 2009, às 13:14 - Vanuatu

Só com uma dose de imaginação é que se pode assacar à falta de funcionários a não emissão de mandados de busca, ainda por mais busca. Porque esse género de situações são pelo menos no serviço onde trabalho, de “prioritários”, pelo que só se não houvesse nenhum funcionário do juízo ou no tribunal a trabalhar, porque qualquer oficial de justiça tem competência técnica para elaborar qualquer tipo de mandados judiciais, quer de busca ou de prisão. Inclusive os escrivães de direito ou os técnicos de justiça principal. Por isso não sei se o motivo de a PJ estar horas à seca à espera de uns míseros mandados de busca, terá só a ver com a falta de funcionários, ou até se pode ter dado o caso de o juiz que os ordenou, não se encontrar no tribunal para os assinar, sabem só são validos depois de assinados por um juiz e neles ser aposto o selo branco do respectivo tribunal. Por isso os senhores presidentes dos sindicatos usarem isso para reclamariam é um exercício um pouco “fantasioso”. Não havia um único funcionário é para rir.


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