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Defesa de Gonçalo Amaral pede absolvição

por Lusa  

A defesa pediu hoje a absolvição de Gonçalo Amaral, ex-inspector da Polícia Judiciária, da acusação de omissão de denúncia e de falso testemunho no caso das alegadas agressões a Leonor Cipriano, por considerar que não foi feita prova durante o julgamento.

Nas alegações finais, que hoje foram realizadas no Tribunal de Faro, o advogado de Gonçalo Amaral, António Cabrita, disse ao tribunal de júri que a acusação "não conseguiu demonstrar sem o mínimo resquício de dúvida" os crimes imputados ao coordenador da investigação ao desaparecimento de Joana Cipriano.

"A dona Leonor Cipriano, por todo o crédito que possa merecer, e não merece nenhum, disse que não viu quem a agrediu. Depois disse que foi Gonçalo Amaral. Se não viu, porque fez um reconhecimento, em que reconheceu pessoas que não eram da PJ e não estavam lá à data e hora dos factos?", questionou o advogado de Gonçalo Amaral nas alegações finais.

António Cabrita defendeu ainda que não podia haver crime de omissão de denúncia porque Gonçalo Amaral "não tinha obrigação de participar uma coisa diferente do que os seus colaboradores lhe comunicaram".

O advogado refutou ainda a acusação de falso testemunho porque Gonçalo Amaral "acreditava, como é natural, que o que lhe foi comunicado pelos colaboradores era verdade".

"Só poderão absolver todos os arguidos e em especial o que eu defendo", concluiu o advogado, que denunciou contradições nas declarações de Leonor Cipriano, questionou a veracidade das fotografias com os ferimentos apresentadas pela acusação e afirmou que "a única testemunha que falou verdade, o guarda prisional António Maia, está agora com um processo disciplinar em cima".

António Cabrita seguiu assim a linha da defesa dos três inspectores da Judiciária acusados de crime de tortura contra Leonor Cipriano, que antes também pediram ao tribunal de júri a absolvição dos arguidos com base em "manipulação" das fotografias e contradições testemunhais.

O julgamento de cinco inspectores da Polícia Judiciária (PJ), acusados de alegadas agressões a Leonor Cipriano no âmbito do "caso Joana", regressou hoje de manhã à barra do Tribunal de Faro para alegações finais.

A leitura do acórdão ficou marcada para 22 de Maio, pelas 14:00.

O processo das alegadas agressões a Leonor Cipriano por inspectores da PJ está relacionado com o denominado "caso Joana", que remonta a 12 de Setembro de 2004, dia em que a menina, de oito anos, desapareceu da aldeia de Figueira, Portimão, Algarve.

As acusações do Ministério Público contra cinco inspectores e ex-inspectores da Judiciária surgiram na sequência dos interrogatórios na PJ de Faro em 2004, altura em que Leonor terá aparecido com lesões na cara e no corpo no Estabelecimento Prisional de Odemira, onde estava em prisão preventiva.

A mãe de Joana, Leonor Cipriano, e o tio, João Cipriano (ambos irmãos), estão condenados pelo Supremo Tribunal de Justiça a 16 anos de prisão cada um, pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver da criança.


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