Última hora Toyota chama para revisão 'Prius' vendidos...Vendas de carros vão subir 2,2%ERC volta a rejeitar OPA da Ongoing Construção perdeu 56 mil empregosPresidente do Totta critica distinção negativa...Greve da função pública a 4 de Março Portugueses pagam ao fisco 80 cêntimos por...Cimpor: Camargo Corrêa compra totalidade...Báltico: Cimeira inicia-se em HelsínquiaApoio a glória do Sporting
por Manuela Paixão, Vaticano
O cardeal D. José Saraiva Martins falou ao DN, na sua residência pessoal, na Via della Conciliazione, mesmo nas portas do Vaticano. Tinha acabado de tomar o pequeno-almoço e rezar a missa diária na pequena capela que tem em sua casa.
Como se sente nas vésperas da canonização de um santo português, símbolo de Portugal?Muito, mesmo muito satisfeito, porque não queria deixar a prefeitura sem que o Beato Nuno conseguisse ser santo.
Mas quando o senhor cardeal foi nomeado prefeito da Congregação dos Santos, o processo encontrava-se há muito parado. Porquê?
De facto, quando cheguei à Congregação da Causa dos Santos, como prefeito, entre várias causas encontrava-se a do Beato Nuno. Estava parada há muito. Achei que seria um bem para a Igreja Universal retomar a causa e levá-la até à canonização, meta de todos os processos.
Mas o que causou a paragem do processo?
Houve vários motivos. Em 1940, Portugal obteve de Pio XII o início da Causa de canonização de Beato Nuno. E a 28 de Maio de 1941 foi instituída uma comissão histórica e uma vez apresentado o parecer desta comissão, o decreto de readmissão da Causa foi assinado em 4 de Julho de 1941. Mas as vicissitudes da Segunda Guerra Mundial impediram a evolução do processo. E a 20 de Dezembro de 1946, a Congregação dos Ritos concedeu ao cardeal-patriarca de Lisboa a missão de designar um vice-postulador. Por causas desconhecidas, também esta diligência não foi bem-sucedida. Além disso, em 1941, Pio XII teria dito ao embaixador de Portugal junto da Santa Sé que estava disposto a canonizar D. Nuno de Santa Maria, por decreto, isto é, sem aquela cerimónia litúrgica, solene, que se fazem para todas as canonizações.
Mas porque Pio XII teria sugerido essa forma?
A Igreja, ao longo dos séculos, por vezes, e sobretudo nos tempos antigos, canonizou por decreto. Tem o mesmo valor do ponto de vista da canonização, só não é caracterizada por aquele cerimonial de liturgia. Mas o então embaixador não estava nada de acordo, queria uma canonização solene. Como a cerimónia que vai ser realizada no sábado, na Praça de São Pedro?
Certamente. Mas o que é de facto importante é que depois de tantas peripécias, chegou finalmente o dia da canonização do Beato.
E para isso foi essencial a confirmação de um milagre. Sim. O milagre consistiu na cura milagrosa de uma úlcera córnea na vista esquerda da senhora Guilhermina de Jesus.
Como foi comprovada a cura?
A cura foi meticulosa, escrupulosa e cuidadosamente examinada pelos médicos da Congregação, para ver se se tratava de um milagre. Uma praxe necessária, já que, muitas das que chegam à Congregação dos Santos, como milagrosas, nem sempre o são. Os médicos da Congregação têm de nos dizer se aquela cura específica tem alguma explicação científica à luz da ciência médica actual.
Como se determina que uma cura não tem explicação científica?
Os médicos não têm de nos dizer se foi ou não milagre, mas se não é explicável cientificamente. Aliás, os médicos que avaliam os casos de milagre são na maioria das vezes ateus e agnósticos. À Igreja não interessa senão que eles comprovem o facto científico.
Depois de os médicos confirmarem a impossibilidade científica da cura, qual foi o passo seguinte?
Entraram em jogo os teólogos.
Como é exactamente a função dos teólogos?
O papel dos teólogos é o de ver se há um nexo causal entre a invocação ao Beato Nuno e a cura. Os teólogos concluíram que, de facto, a úlcera da córnea tinha sido curada graças a intercessão do nosso Beato Condestável. Estas conclusões foram examinadas pelos 30 cardeais e bispos, ou seja, o pequeno parlamento da Congregação dos Santos.
Esse pequeno parlamento foi presidido por si?
Sim. A competência deste "parlamento" é aprovar ou não, rectificar ou não, as conclusões dos médicos e dos teólogos. Depois de os médicos, teólogos e cardeais concordarem todos que a cura foi milagrosa, a 3 de Julho do ano passado, levei toda a documentação deste processo ao Papa Bento XVI, que então aprovou não só as virtudes heróicas como o milagre atribuído ao Beato Nuno, feito há cerca de 10 anos.
Foi assim que chegámos à parte conclusiva deste processo?
Sim. A Congregação dos Santos emanou o decreto "Super-Miro" sobre o milagre e "Super-Virtudibus" sobre as virtudes, e, assim, chegou à conclusão do processo de canonização. Mas o Beato Nuno fez ainda um último milagre: em apenas três meses, conseguiu que fosse feito, o que, normalmente, não se consegue fazer sequer em muitos anos. Ou seja, em Abril, os médicos estudaram cientificamente o milagre, em Maio estudaram os teólogos, em Junho os cardeais, e a 3 de Julho foi aprovado pelo Papa.
Guilhermina de Jesus, a senhora a quem Nuno Álvares fez o milagre, vem ao Vaticano à cerimónia de canonização?
Creio que sim. Na maior parte das canonizações, se são vivas as pessoas miraculadas, estão presentes nas cerimónias.
Na história de Portugal, D. Nuno foi um grande herói militar, com ele vencemos a mais célebre das batalhas. Mas em guerras há sempre muitos mortos. Esta situação atrasou o processo?
De modo nenhum. Todos podem chegar à santidade, militares ou não. Na história da Igreja há vários santos militares, guerreiros, o Santo Condestável não será o primeiro. É preciso distinguir: o Beato Nuno não foi um militar santo, mas um cristão santo. Antes de qualquer batalha, ajoelhava-se sempre e pedia o auxílio da Virgem Maria.
Qual o momento na vida de Nuno Álvares que o impressionou mais?
Era nobre e um chefe militar que trouxe glória e independência a Portugal. Mas, diante de tudo isso, Nuno Álvares não quis glórias e vaidades e fez uma escolha santa: no fim da vida fez-se carmelita; pé descalço, pedia esmola para dar aos pobres, percorrendo as ruas de Lisboa. A sua vida, as suas escolhas são de enorme actualidade. Só um santo teria tanta coragem.
Tags: Portugal
Miranda07
Pessoalmente, não considero a ...
há 293 dias, 21 horas e 2 minutos
Marco Oliveira
Quando uma religião dá assim tanta ...
há 293 dias, 21 horas e 39 minutos
E se amanhã a ciência descobrir ...
NGil
Nuno Álvares Pereira é um português ...
há 293 dias, 21 horas e 53 minutos
Guilherme Pereira
Saraiva Martins é apenas mais ...
há 294 dias e 21 minutos
Nota: Os comentários deste site são publicados sem edição prévia e são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Consulte a Conduta do Utilizador, prevista nos Termos de Uso e Política de Privacidade. O DN reserva-se ao direito de apagar os comentários que não cumpram estas regras. Receber alerta de resposta - será enviado um alerta para o seu e-mail sempre que houver uma resposta ao seu comentário. Aparecer como anónimo - os dados (nome e-mail) são ocultados. Os comentários podem demorar alguns segundos para ficarem disponíveis no site.
Utilizador Registado Utilizador Não Registado
Bolsa abre a subir 1,21% para os 7588,51 pontos
Investimento em dívida cai para metade
Portugal vai emitir OT a dez anos
CSN quer impugnar mudança na Cimpor
Banif abriu escritório em Hong Kong
Accionista do BPP prepara novo plano de salvação
À beira do precipício, mas com esplanadas sempre cheias
Família descobre morte de filho através do Facebook
PGR: Lei do segredo de justiça "não é má, é péssima"
"Não há indício de plano do PM para controlar a imprensa"
Entram no banco, tiram o véu e dizem: "mãos ao ar"
Alan Kaufman reinventa o guarda-chuva
Sócrates nega indicações à PT para compra de televisão
Paulo Rangel considera "estranhas" críticas de Assis
Rangel denuncia plano do Governo para controlar Media
brasil
diana piedade
bpp
emprego
haiti
acidente
idolos
salvador caetano
mario crespo
crel
Quem tem mais culpas na má época do Sporting?
Curso de Fotografia e Vídeo Digital
Impressora Multifunções Epson Stylus SX415
Todas as Iniciativas DN
Diário de Notícias, 2009 © Todos os direitos reservados | Termos de Uso e Política de Privacidade | Ficha Técnica | Publicidade | Contactos