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Coimbra

Paraplégicos vão poder telecontrolar máquinas com olhar

por JOANA FERREIRA DA COSTA  

Investigadores portugueses e suíços criam sistema de interface que permite a estes doentes accionar a abertura da porta de casa  ou atender o telefone apenas com os olhos.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra criou um sistema que permitirá a pessoas com problemas motores muito graves, como paraplégicos, controlar máquinas à distância. O sistema será testado publicamente amanhã no laboratório do Instituto de Sistemas e Robótica.

A tecnologia consiste num capacete com eléctrodos com capacidade de captar os sinais do cérebro de quem o utiliza, que está ligado a um computador que permite controlar máquinas à distância.

"Ao tetraplégico basta olhar para um de dois sinais emitidos no ecrã. O capacete tem capacidade para captar as ondas cerebrais e as transmitir a uma máquina. Essa máquina pode ser o portão de casa ou um robô", explicou ao DN Jorge Dias, professor de Robótica e Visão na Universidade de Coimbra e coordenador do projecto.

"Apenas com o olhar torna-se possível interagir com qualquer sistema. O que significa que pessoas com deficiências motoras ou que estão acamadas passam a ter autonomia para realizar tarefas quotidianas como atender o telefone ou abrir o frigorífico à distância.

"É um sistema de feedback visual", acrescentou à Lusa, frisando que as "ordens" são dadas pela visão, através de um sistema direccional que permite por exemplo a uma máquina abrir ou fechar, mover-se para a direita ou esquerda, para cima e para baixo.

Sublinhando que o conceito de comando de uma máquina através de ondas cerebrais "está provado e validado", Jorge Dias explica que "a grande dificuldade e desafio" do projecto passava por garantir "uma interface robusta entre os sinais de comando, dados pelo cérebro, e uma máquina, o que foi conseguido".

"No máximo, dentro de cinco anos esta nova tecnologia será mais popular porque é financeiramente atractiva e sem dificuldade de manuseamento", destaca o investigador.

O projecto desenvolvido em parceria por uma equipa da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e investigadores do Hospital-Universidade de Genebra é amanhã testado em Coimbra. Será uma demonstração à distância com os parceiros suíços. Um investigador do Hospital de Genebra usará o capacete de eléctrodos e terá o computador à frente. Os comandos serão dados a um pequeno robô que estará em Coimbra, no laboratório do Instituto de Sistemas e Robótica da faculdade.

Tags: PortugalCentro


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