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Identifica-se com a ideia de que é "o presidente que não deixa fazer", como disse recentemente o seu mandatário Rui Veloso?Identifico-me com a ideia de que parei um conjunto significativo de metros quadrados de construção que estavam para avançar quando cheguei à câmara. Isso sim, porque tenho a convicção de que Sintra sem acessibilidades não é competitiva, nem atractiva e que esse elemento era fundamental. Nos últimos 10 anos, Sintra cresceu 200 mil pessoas, é o concelho que mais cresce em Portugal. De repente, alterou-se um conjunto de requisitos de políticas públicas locais para as quais não havia planeamento nem estratégia.E qual foi a resposta da câmara?
Tentámos não suscitar grandes tensões, e daí a lógica da medida emblemática que toda a gente copiou, dos manuais escolares gratuitos, o aumento das refeições escolares, os transportes escolares, a acção social, as actividades de enriquecimento curricular, o apoio às instituições culturais e desportivas, às associações de bombeiros. Temos de olhar para a realidade do concelho e perceber que temos quatro vezes a área de Lisboa, e que temos de gerir os parcos recursos económicos e financeiros com a realidade que existe. Quatro vezes mais área que Lisboa e um quarto do IMI que recebe Lisboa.Apesar disso, os seus opositores dizem que não deixa obra…
Eles estavam habituados à obra da rotunda, de prédios e prédios onde só no décimo andar é que havia uma pontinha de sol.
Qual é o peso da Acção Social no orçamento da câmara?
Nos últimos anos, afectámos cerca de 200 milhões de euros em educação, acção social, desporto, cultura. Houve uma grande mudança estratégica nas despesas correntes. Em momentos de crise, isto é que é investimento. Na periferia de Paris, por exemplo, algumas das rupturas sociais que aí aconteceram foi porque o Estado francês e as autarquias deixaram de apoiar as estruturas associativas locais. Deixando de o fazer, falha a inclusão social indirecta. Em Sintra há muito tecido associativo, o tradicional e o novo. Tínhamos de dar apoio inequívoco. É uma obra de pequenas obras…
Reivindicou uma área metropolitana de transportes. Porquê?
Ah... Eu sei que a CP não quer deixar vir o metro a Queluz, temos de o dizer aos sintrenses. Caso contrário, a linha que, juntamente com a de Cascais, financia todo o esquema da CP em Portugal fica posta em causa. Eu reivindiquei a AMT porque temos de pensar num sistema de transportes coerente. E esse sistema não pode ser as ilhazinhas anunciadas do tipo "agora o metro desenvolve-se só até ali".
O crescimento urbano implica o repensar das acessibilidades?
Quando cá cheguei havia seis faixas de acesso, quatro no IC19 e duas no eixo Estoril-Sintra. E a partir de dia 30 de Setembro tem 16 faixas, seis no IC16, seis no IC19, e quatro para o Estoril. Sintra tem 320 quilómetros quadrados, igual ao conjunto da área de Lisboa, Oeiras, Cascais, Amadora, Odivelas e quase um terço de Loures. E, a partir do próximo ano, passa a ser o município do País com maior número de habitantes. Tem os dois elementos fundamentais para o desenvolvimento sustentável: pessoas e território. E novas acessiblidades.
Mas Sintra tem um PDM com dez anos, à espera de revisão…
Mas também tem todos os instrumentos para essa revisão, a qual está agora dependente da aprovação definitiva do plano regional de ordenamento do território da Área Metropolitana de Lisboa - que condiciona o nosso PDM. O Governo assumiu que, até finais de Novembro, tem a questão terminada. Enquanto não estiver definida a compatibilização das áreas vitais do plano, a revisão do PDM não pode avançar. Temos pronto o conjunto de planos essenciais para desencadear a revisão.
Tags: Portugal, Sul
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