Publicidade
Diário de Notícias Diário de Notícias


Mário Bettencourt Resendes
Provedor dos leitores

Trabalho de equipa

por Mário Bettencourt Resendes  

Vale a pena 'perder' cinco minutos para conseguir um esclarecimento se isso contribuir para prevenir uma falha na credibilidade do jornal

A identificação do autor de uma notícia ou de qualquer outro trabalho jornalístico pode levar leitores menos familiarizados com os "circuitos de produção" mediáticos a tirar conclusões menos rigorosas sobre a dimensão da responsabilidade que cabe ao profissional que apõe a sua assinatura.

É certo que o nome é o principal património de um jornalista e não é por acaso que a utilização da assinatura está devidamente regulamentada e condicionada no Estatuto do Jornalista e nos livros de estilo adoptados pelos órgãos de comunicação social que entenderam a utilidade desse instrumento.

Nos já distantes tempos pré-informáticos, a elaboração de um texto reclamava um diálogo exigente entre o autor e o seu responsável  hierárquico directo, a quem cabe dar luz verde ao seguimento da matéria. Era um processo moroso, nem sempre à prova de erros ou gralhas, mas havia um garantia suplementar de consonância entre visões eventualmente díspares.

O avanço das tecnologias de informação representou um progresso gigantesco e bem-vindo, mas também é verdade que despersonalizou as relações de trabalho nas redacções, não faltando episódios a comprovar que as adaptações a nível organizacional  neste outro cenário ainda não conseguiram pôr em prática filtros e mecanismos de verificação capazes de acudir a novos problemas.

Exemplo típico do que aqui fica dito é o protesto do leitor João Miguel Nunes, que enviou ao provedor um longo texto,  de que se apresenta, de seguida, uma versão resumida: "Na Vossa notícia intitulada 'Preços subiram em média 10%' (DN, pág. 18, País, 03/11/2009) a Sra. Jornalista Diana Mendes incorre em vários erros grosseiros que importa esclarecer: A nova 'tabela relativa ao acesso a exames de diagnóstico e terapêutica em unidades privadas com acordo com o SNS' veio substituir a tabela de Despacho Ministerial de 17/10/2005 (com correcção das taxas moderadoras pelo DL n.º 79/2008, N.º 2 do Art.º 20.º) e não 'ao fim de 30 anos foi actualizado' como refere a notícia. 'O grosso dos exames sofreu uma subida de cerca de 10%' não corresponde de forma alguma à verdade. O grosso dos exames ou mantém a actual comparticipação ou sofre uma redução. Sendo o exemplo mais chocante dessa redução a Osteodensitometria da coluna lombar com a Osteodensitometria do colo femural que eram pagos a 105,64€ e pela actual tabela são pagos a 50,18€, ou seja, uma redução superior a 50%. No quadro por Vós publicado, todos os 'Preços até Outubro' estão errados (...) Pela gravidade dos erros e pela deturpação que induzem a toda a notícia, uma vez que ao contrário do título ('Preços subiram') os preços baixaram, solicito que, ao invés de fazerem uma mera correcção dos erros, façam uma nova notícia, dando conta da cada vez menor comparticipação do Estado nos exames de diagnóstico e terapêutica às unidades privadas. Este facto é particularmente grave se analisarmos o aumento constante de custos com equipamentos, películas ou salários, e por outro lado verificarmos que numa tabela de 19/10/2001 as comparticipações eram substancialmente superiores(...)"

Perante o pormenor dos esclarecimentos do leitor, que, embora não tenha revelado a sua profissão, mostra conhecer bem a matéria em causa - que é de interesse público generalizado -, o provedor solicitou um esclarecimento a Diana Mendes. Eis a resposta: "A tabela dos meios complementares de diagnóstico e terapêutica foi, de facto alterada ao fim de 30 anos. Quem o refere é a própria Administração Central dos Sistemas de Saúde, que coordenou a referida revisão. A tabela tem sido sujeita a revisões pontuais, como as referidas pelo leitor, mas esta é a primeira vez que a nomenclatura e os preços em geral são revistos em profundidade. Deixo aqui excerto do texto que a ACSS publicou no site quando anunciou a revisão: Pela primeira vez, nos últimos 30 anos, a tabela de MCDT Convencionados é alvo de um profundo trabalho de revisão coordenado pela Administração Central do Sistema de Saúde, IP (ACSS) (...)

A Entidade Reguladora da Saúde emitiu um parecer sobre as actualizações realizadas e concluiu que, entre as cinco principais áreas dos exames os preços (pagos pelo Estado aos prestadores privados que têm acordo com o SNS), os preços subiram em três áreas. A explicação é extremamente técnica e visa apenas aproximar os preços pagos aos privados. Muitas vezes recebiam menos do que uma unidade pública, apesar de estarem ao serviço do SNS, através de um acordo(...)."

A editora Joana Ferreira da Costa acrescenta que, "por lapso, trocou-se a tabela dos convencionados pela dos preços dos exames no Serviço Nacional de Saúde, uma situação a que a jornalista foi alheia"  uma vez que o texto foi colocado em página num dia em que não estava a trabalhar".  Por isso, conclui Diana Mendes: "O quadro não foi da minha responsabilidade."

O DN errou e deve, portanto, uma desculpa aos seus leitores. O provedor permite-se ainda recomendar aos jornalistas que, sempre que isso for possível - e os meios electrónicos viabilizam hoje essa possibilidade em inúmeras circunstâncias - não se considerem desligados - e isentos de responsabilidade ... - dos seus textos a partir do momento em que os encaminham para as instâncias superiores, sobretudo quando se trata de matéria assinada. Quanto aos editores, assinale-se que a relação de confiança em que assenta o trabalho em equipa reclama uma corrente de comunicação fluida. O provedor sabe que, perante a pressão das horas de fecho, não é um desiderato fácil. Mas vale a pena "perder" cinco minutos para conseguir um esclarecimento se isso contribuir para prevenir uma falha na credibilidade do jornal.


ImprimirImprimirEnviar por EmailEnviar por Email
EstatísticasEstatísticasPartilharPartilhar

João César das Neves

Quando a esquerda se torna estabelecida, burguesa, dominante, quem é realmente revolucionário?

Ferreira Fernandes

O partido do venezuelano Hugo Chávez está de congresso. Um congresso à medida de Chávez: este faz discursos de horas e o congresso vai até 2010. A Venezuela é curta para tanto tamanho. Daí que Chávez tenha...

Leonídio Paulo Ferreira

Existem corruptos em Portugal, mas não somos um país de corruptos. Evitemos entrar em pânico.


O DN está aberto à participação dos leitores. Use o email jornalismodecidadao@dn.pt para publicar online os seus artigos, fotos ou videos. Publique os seus SMS usando o número 96 100 200

Ver mais


COMENTÁRIOS
ÁREA RESERVADA

Login


Nome de Utilizador: 

 

Password: 

  Entrar

0 Comentários



Mário B. Resendes

À porta de uma nova era

por Mário B. Resendes

 

Oprovedor fez recentemente, neste espaço, um balanço das vicissitudes da comunicação social portuguesa ao longo da última legislatura (ver artigo intitulado "Trabalhos de Lacão", publicado na edição do...


Ver Mais



Especiais

Recuar
Avançar
PUBLICIDADE


PATROCÍNIO
sondagem

Inquérito DN

Se tivesse possibilidades económicas compraria uma viagem ao espaço?

Sim
Não
Votar  Ver Resultados




Desporto

Todas as notícias

Todas as notícias

Cartaz

PLANO GERAL

PLANO GERAL

Portugal

Facebook

Facebook

Televisão

Guia TV

Guia TV

Portugal

Twitter

Twitter




Diário de Notícias, 2009 © Todos os direitos reservados | Termos de Uso e Política de Privacidade | Ficha Técnica | Publicidade | Contactos