Publicidade
Diário de Notícias Diário de Notícias


Paulo Pinto de Albuquerque

Orçamento mentiroso

por Paulo Pinto de Albuquerque  

O governo decidiu apresentar na Assembleia da República uma proposta de orçamento "redistributivo". Nele o Governo revê para 8,4% do PIB o défice da Administração central no corrente ano, corrigindo pela terceira vez em onze meses o valor de 2,2% de Outubro de 2008. Deste modo, o valor final do défice orçamental de 2009 deve ficar por volta dos 8%, tendo em conta os excedentes da Segurança Social e dos fundos e serviços autónomos.

É grave que Portugal tenha de enfrentar o mais elevado défice dos últimos vinte e quatro anos. É também grave que em apenas dois anos o Governo tenha desbaratado o esforço realizado pelos portugueses, fazendo subir o défice orçamental de 2,6% verificado em 2007 para os referidos 8% em 2009. Mas é ainda mais grave que os portugueses tenham sido despudoradamente enganados pelo Governo nas três anteriores estimativas avançadas para o défice antes de eleições. Dito de outro modo, o Governo iludiu os portugueses quando foram às urnas, apresentado-lhes uns números antes de votarem e outros bem distintos depois de terem votado.

A mentira consistiu na previsão manifestamente irrealista de uma inalcançável receita pública, que só permitiu alimentar a ilusão de poder manter uma despesa pública desproporcionada para as possibilidades do País. Mas não só: a mentira consistiu ainda na renitente omissão do custo efectivo da intervenção financeira no BPN, negando a evidência de o Estado ter de suportar a factura paga pela CGD para salvar o BPN.

O "realismo" e o "rigor" do orçamento propalados pelo Governo em 2008 dão agora lugar ao segundo orçamento rectificativo, lembrando a experiência nefasta já vivida no Governo de Guterres em 2001. Mas desta feita a maquilhagem nominal não esconde a realidade. O Governo quer endividar ainda mais os portugueses, levando a dívida pública, se nada for alterado, para 91% do PIB já em 2011, segundo a Comissão Europeia. É que a "redistribuição" da despesa representa efectivamente um aumento da dívida pública para cobrir o défice orçamental à custa de uma diminuição das garantias dadas aos bancos no âmbito do programa de ajuda ao financiamento externo da banco portuguesa. Portanto, substitui-se uma dívida virtual, que só se tornaria efectiva se os bancos recorressem às referidas garantias, por um endividamento efectivo do Estado.

A consequência desta política económica é irreversível: os portugueses terão de pagar o desvario despesista do governo com mais dívida pública, hipotecando as gerações futuras, ou com mais impostos, sufocando ainda mais os cidadãos e as empresas e diminuindo a competitividade da economia nacional. A subida de impostos pode ser mais ou menos explícita, por exemplo, suprimindo deduções fiscais. O governo escolheu por ora o primeiro caminho do aumento da dívida pública. Mas lá chegará também a hora do segundo.


ImprimirImprimirEnviar por EmailEnviar por Email
EstatísticasEstatísticasPartilharPartilhar

 
ULTIMOS COMENTÁRIOS

LFBT

Desconheço as razões pelas quais ...

há 72 dias, 20 horas e 26 minutos

Antonio Zumaia

Orçamento mentiroso... Por favor, ...

há 73 dias, 21 horas e 11 minutos

Jorge Silva Marques

O mais absurdo foi Sócrates ter ...

há 74 dias, 19 horas e 31 minutos

zecacurto

Para este Senhor, continua o ressabiamento ...

há 74 dias, 20 horas e 6 minutos

ARC

As informações que o cidadão comum ...

há 74 dias, 20 horas e 48 minutos


BAPTISTA-BASTOS

A questão é esta: há liberdade de imprensa em Portugal? É ociosa, a pergunta, para quem, como eu, vem do tempo em que se escrevia baixinho, tão baixinho que perdêramos muitas das palavras, por mudez e...

VASCO GRAÇA MOURA

Para ajudar os portugueses, o primeiro-ministro não hesitou em fazer trepar o défice por aí acima, como se o défice fosse um ágil macaco correndo a empoleirar-se no topo de um coqueiro. O homem nem pestanejou...

FERREIRA FERNANDES

Desconfio que o fantasma do sr. Seixas ande por aí. Constança Cunha e Sá, em recente artigo, chamou "histeria" ao ar do tempo, mas eu digo nervoseira - não há neurose, não se manifestam nem paralisia...


O DN está aberto à participação dos leitores. Use o email jornalismodecidadao@dn.pt para publicar online os seus artigos, fotos ou videos. Publique os seus SMS usando o número 96 100 200

Ver mais


Comentar

Caracteres disponíveis: 750

Receber alerta de resposta Aparecer como Anónimo
  • Comentar

Nota: Os comentários deste site são publicados sem edição prévia e são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Consulte a Conduta do Utilizador, prevista nos Termos de Uso e Política de Privacidade. O DN reserva-se ao direito de apagar os comentários que não cumpram estas regras. Receber alerta de resposta - será enviado um alerta para o seu e-mail sempre que houver uma resposta ao seu comentário. Aparecer como anónimo - os dados (nome e-mail) são ocultados. Os comentários podem demorar alguns segundos para ficarem disponíveis no site.

Se tem conta, faça Login

Nome do utilizador

Password

Legenda

Utilizador RegistadoUtilizador Registado    Utilizador Não RegistadoUtilizador Não Registado




PAULO PINTO DE ALBUQUERQUE

Justo tributo

por PAULO PINTO DE ALBUQUERQUE

 

A Câmara Municipal de Viseu, a Ordem dos Advogados e a Universi-dade Católica homenagearam o professor Jorge de Figueiredo Dias na cidade que o viu nascer. A homenagem teve duas partes: uma conferência...


Ver Mais



Siga-nos em
Especiais

Recuar
Avançar
PUBLICIDADE


PATROCÍNIO
sondagem

Inquérito DN

Quem tem mais culpas na má época do Sporting?

José Eduardo Bettencourt
Paulo Bento
Carlos Carvalhal
Pedro Barbosa
Sá Pinto
Os jogadores
Votar  Ver Resultados




Desporto

Todas as notícias

Todas as notícias

Portugal

Grande Entrevista

Grande Entrevista

Desporto

Inscreva-se

Inscreva-se

Cartaz

ESPECIAL ELVIS

ESPECIAL ELVIS




Diário de Notícias, 2009 © Todos os direitos reservados | Termos de Uso e Política de Privacidade | Ficha Técnica | Publicidade | Contactos