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por João Marcelino
1 Já não bastava mais uma polémica com o primeiro-ministro. Não era suficiente termos um Presidente da República fragilizado. Também era necessário que a sociedade portuguesa se confrontasse agora com as divergências públicas entre o presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o procurador-geral sobre as certidões do "Face Oculta"!
Tudo isto parece uma tragédia de fim de regime, de consequências imprevisíveis.
Além do mais, no terreno, os administradores da justiça estão notoriamente empenhados em devassar, de novo, os processos que deveriam defender e investigar de forma recta e sem mácula.
É preciso que o País se habitue a investigar e castigar os poderosos, sim senhor, mas é absolutamente imprescindível que o faça num quadro europeu, de Estado de direito, em que toda a gente seja considerada séria até ao momento em que, de facto, deixa de o ser.
Não é isso que acontece e ontem foi um dia curioso neste sentido.
No preciso momento em que José Sócrates viu a respeitada e insuspeita polícia inglesa arquivar o processo Freeport (que produziu por cá as consequências de todos conhecidas), abriu- -se já uma nova frente a partir de escutas entre o primeiro-ministro e o seu amigo Armando Vara.
Não sabemos de que factos falamos. Não sabemos se as conversas são criminalmente relevantes. Não sabemos, sequer, da respectiva legalidade. Mas a realidade está à vista de todos: crescem as notícias, florescem os comentários, impõe-se uma comunicação doentia em que não faltam sequer os poucos escrúpulos de grupos de jornalistas ávidos de acertar contas com o passado.
2 A guerrilha, mais uma vez, está instalada e a culpa, sendo de muitos, é sobretudo de dois homens que eu acuso de serem os principais responsáveis pela actual crise que afecta a sociedade portuguesa: José Sócrates e Cavaco Silva.
É à sombra de ambos que os exércitos se acantonam e combatem, na justiça e na comunicação social.
Sob a passividade de São Bento e Belém, escorre a intriga na política.
São os seus operacionais que movidos pelo ódio (já não só político) estão a conspurcar a vida pública nacional.
Nos bastidores, joga-se com trunfos que vão do BPN ao Freeport, do aeroporto à "Face Oculta", de Dias Loureiro a Armando Vara.
Se as coisas se agravarem a um nível insuportável, Sócrates e Cavaco deverão ser julgados por isso no grande tribunal da cidadania que tem de abrir as portas e começar finalmente a funcionar.
No dia em que Portugal se transformar definitivamente numa pequena e desgraçada Itália, serão eles quem se sentará no banco dos réus da história. Que tenham a consciência disso e do mal que estão a fazer à democracia portuguesa.
A intervenção de Manuela Ferreira Leite no Parlamento, esta semana, é ilustrativa do que atrás disse. A presidente do PSD farejou uma última oportunidade e voltou à campanha, sem qualquer pudor. Não foi politicamente séria, mas teve eficácia popular. Uma líder populista e demagógica é assim que actua. Muito bem!
Nick Bolas
Concordo inteiramente com João ...
há 86 dias, 10 horas e 9 minutos
pincelim@gmail.com
Dada a forte interferência que ...
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