Última hora Clima: Estados Unidos alertam para acordo...Nigéria: Vice-Presidente aceitou assumir...Honda: Construtor chamou 437.763 automóveis...Haiti/Sismo: Supermercado desabou com "cinco...PSD: Distritais reclamam nova liderança até...38 pessoas invocam "maus tratos" Advogados lusos unidos pelo poderAcordo na educação ficaria em risco se o...87% das mulheres que abortam não usam contraceptivos428 chamadas em 3 meses para Linha do Idoso
por Alberto Gonçalves
Numa altura em que o défice orçamental dispara, o endividamento público e privado progride com segurança, as falências sucedem-se, o desemprego continua a crescer, os beneficiários do rendimento mínimo se aproximam dos 400 mil e a crise, a caseira e a nossa, não promete sumir, o que faz o Governo? O indispensável: declara a aprovação do casamento entre homossexuais uma prioridade urgentíssima.
Estranhamente, nem toda a gente concorda. Certas associações ligadas à família, "família" em sentido abstracto, presumo, não se conformam com a possibilidade e tencionam levá-la a referendo. Do lado oposto (as matérias "fracturantes" são justamente as que têm dois lados, ambos aos saltos e aos gritinhos), a esquerda quer seguir a via parlamentar e recusar a referendária. O argumento da "família" é o de que isto é uma pouca-vergonha. O da esquerda é o de que não se submetem os direitos das pessoas a referendo.
Dito assim, não há dúvidas sobre qual dos argumentos soa melhor. Seria absurdo que alguém pudesse condicionar a "felicidade" de sujeitos "que se amam" e aspiram a consagrar esse "amor" na instituição matrimonial. Além de absurdo, é também uma maçada recorrente no mundo real. Ainda que os direitos dos cidadãos sejam estabelecidos pela lei, a lei não anda, ou não deveria andar, longe de um relativo "consenso" acerca do seu objecto. É por isso que, independentemente dos respectivos sexos, três (ou quatro, ou quinze) criaturas adultas e livres não conseguem casar mutuamente: porque a sociedade condena a poligamia e a lei determina em conformidade. A censura social, ou os "costumes", fundamenta igualmente a interdição penal do incesto, bem como obsta à pedofilia, aos pactos de suicídio e a inúmeras actividades que inúmeros indivíduos apreciam exercer e, por culpa de terceiros, legalmente não podem.
Sei que as comparações não são inéditas e que os activistas gay se indignam imenso com elas. De acordo com o cliché, não é sério equiparar a homossexualidade ao incesto. Pergunto: porquê? No máximo, compete-me jurar que convivo bem com a existência da primeira prática e mal com a existência da segunda. Mas trata-se apenas da minha opinião, que não vale mais nem menos do que a opinião do próximo. Acima de tudo, nenhuma das opiniões tem qualquer legitimação "científica" ou racional: a regra que sobra e conta, por incómodo que pareça, é a da quantidade.
Goste-se ou não, a felicidade das pessoas encontra-se permanentemente condicionada por juízos alheios. E mesmo quando a lei avança à frente da maioria desses juízos, o que de facto aconteceu em determinados lugares e em determinados episódios das conquistas cívicas, convém observar duas ligeiras condições: é preciso que a conquista em questão valha o confronto e é recomendável que o confronto (ou, no jargão actual, a "fractura") não seja demasiado profundo. Por acaso, duvido que um mero papel a decretar o matrimónio de dois homossexuais represente um grande avanço civilizacional. Em compensação, não me parece que, hoje, a generalidade dos portugueses se escandalizasse com o papel, embora o medo que o referendo inspira aos simpatizantes da "causa" sugira o contrário. Eles lá sabem, e não é muito democrático serem só eles a saber.
Quarta-feira, 28 de Outubro
Menores e vacinados
Por não perceber do assunto, não entro na polémica sobre os perigos da vacina da gripe A administrada em Portugal e que os EUA ou parcialmente a Suíça, por exemplo, rejeitaram. Porque me apetece, entro na polémica sobre os "grupos prioritários" a usufruírem da vacina, que em Portugal incluem os políticos e nos EUA e no Reino Unido, por exemplo, não.
A decisão coube ao Governo e, segundo li, visa "impedir o colapso do funcionamento da sociedade em caso de pandemia". Em teoria, concordo que, na medida em que foram eleitos e representam a população, o Presidente da República, o primeiro-ministro e os 334 deputados nacionais e regionais mereçam a prioridade na vacina, embora discorde que os ministros, que ninguém elegeu para coisa nenhuma, partilhem o benefício.
O problema é a prática. Até que ponto a incapacidade temporária de vinte, cinquenta ou setenta por cento do Parlamento e do Governo se sentiria cá fora? Na pior das hipóteses, não se notaria a diferença. Na melhor, daríamos por um alívio na produção de disparates materialmente destinados a extorquir o nosso dinheiro e espiritualmente destinados a infernizar a nossa existência. Nenhuma das possibilidades augura catástrofes. Aliás, será por isso que aqui se valoriza tanto a "estabilidade", para que o seu reverso nunca se imponha e nunca revele uma trivialidade familiar a países prósperos (como a Bélgica ou a Itália) e por nós desconhecida: a governação é relativamente dispensável. A classe política receia faltar-nos porque não quer que constatemos a pouca falta que nos faz. Donde a necessidade de insistir no pressuposto de que eles, os políticos, são a única alternativa ao caos.
Por acaso, se o Infarmed estiver errado e as autoridades americanas correctas, teremos uma excelente oportunidade para testar o dito caos. E, eventualmente, descobrir que é um sossego.
Quinta-feira, 29 de Outubro
Por Toutatis e por mais alguma coisa
As minhas personagens preferidas de "Astérix" são os piratas que costumam afundar o próprio barco na presunção, frequentemente errada, de que os gauleses o afundariam de qualquer maneira. Esses saqueadores falhados aparecem em apenas algumas histórias e sempre brevemente, mas a sua recorrência e o seu pessimismo constituem uma amostra justa do génio cómico de René Goscinny.
Goscinny, francês filho de judeus polacos, criou "Astérix" há cinquenta anos e morreu há trinta e dois, deixando para trás os álbuns que valem a pena e para a frente, através do colaborador Uderzo, os que não valem. A partir do legado do parceiro, Uderzo desenvolveu uma marca comercial. A partir da "Guerra das Gálias" e da observação prosaica dos seus compatriotas, Goscinny inventou, desculpem a palavra, um "imaginário" intemporal, patético aqui, redentor ali e, sobretudo, dotado de uma capacidade única para converter almas distantes do seu meio de expressão: "Astérix" é a banda desenhada para quem não gosta de banda desenhada. Acontece comigo e, ao que vi e vejo, acontece com muitos, adultos letrados que guardam religiosamente cada livrinho da série e passam ao lado da infantilidade de Walt Disney e da presunção oca de Hugo Pratt ou das graphic novels. Goscinny não era um empresário astuto nem um artista frustrado: era, nas suas orgulhosas palavras, um humorista, ofício afinal raro na forma criativa que escolheu e na qual, talvez por isso, foi dos pouquíssimos grandes.
Sexta-feira, 30 de Outubro
Ferro-velho
Os cépticos da ingerência estatal deviam pôr os olhinhos no "caso" da sucata, que envolve, entre diversas sumidades, Armando Vara, a fascinante família Penedos e outro sucateiro menos célebre. O elo comum ao arranjo? As empresas relativamente públicas, as quais não só fomentam emprego como permitem que, mediante as "lembranças" da praxe, se ganhe algum por fora.
O engraçado é que quando uma crise financeira destapa os desonestos que se movem no sistema financeiro, não faltam profetas a decretar o colapso do capitalismo. Já quando se revelam os cidadãos pouco sérios que cirandam na órbita (ou no interior) do poder político, ninguém reclama a queda de um sistema intervencionista que tudo vigia e tutela, com a agravante de que a aposta na banca é voluntária e o "investimento" no Estado compulsivo.
No máximo, levanta-se (desta vez, curiosamente sem grande empenho) a habitual meia dúzia de vozes contra o "bloco central de interesses", na convicção de que as clientelas do PS e do PSD é que desvirtuam a natureza essencialmente benigna do Estado. Porém, se não estou em erro, sucede o inverso: preferências ideológicas à parte, mexer em dinheiro alheio e fácil termina fatalmente nas "influências" que aqui, sob uma economia seminacionalizada e paternal que partido nenhum e raros empresários contestam, se ergueu a modo de vida.
Podíamos viver sem um Estado extenso e a corrupção inerente? Podíamos, mas não era a mesma coisa. E a aparição da senhora procuradora Cândida Almeida, que logo irrompeu pela imprensa a debitar palpites acerca da "Operação Face Oculta", é quase uma garantia de que, dissipado o ruído indignado do costume, a coisa continuará a ser a mesma.
joao americo oliveira ramos
Dia de analisar a semana finda. ...
há 93 dias, 18 horas e 29 minutos
Carlos Castelo-Branco
O facto de passar a haver uma ...
há 98 dias, 20 horas e 16 minutos
há 98 dias, 20 horas e 36 minutos
luzinha
Do mesmo modo que os professores ...
há 98 dias, 22 horas e 30 minutos
há 99 dias, 7 horas e 57 minutos
Liberdade, eis a questão
BAPTISTA-BASTOS
A questão é esta: há liberdade de imprensa em Portugal? É ociosa, a pergunta, para quem, como eu, vem do tempo em que se escrevia baixinho, tão baixinho que perdêramos muitas das palavras, por mudez e...
Babados de gratidão
VASCO GRAÇA MOURA
Para ajudar os portugueses, o primeiro-ministro não hesitou em fazer trepar o défice por aí acima, como se o défice fosse um ágil macaco correndo a empoleirar-se no topo de um coqueiro. O homem nem pestanejou...
O sr. Seixas não se deixa asfixiar
FERREIRA FERNANDES
Desconfio que o fantasma do sr. Seixas ande por aí. Constança Cunha e Sá, em recente artigo, chamou "histeria" ao ar do tempo, mas eu digo nervoseira - não há neurose, não se manifestam nem paralisia...
por Telmo Cunha
O DN está aberto à participação dos leitores. Use o email jornalismodecidadao@dn.pt para publicar online os seus artigos, fotos ou videos. Publique os seus SMS usando o número 96 100 200
Nota: Os comentários deste site são publicados sem edição prévia e são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Consulte a Conduta do Utilizador, prevista nos Termos de Uso e Política de Privacidade. O DN reserva-se ao direito de apagar os comentários que não cumpram estas regras. Receber alerta de resposta - será enviado um alerta para o seu e-mail sempre que houver uma resposta ao seu comentário. Aparecer como anónimo - os dados (nome e-mail) são ocultados. Os comentários podem demorar alguns segundos para ficarem disponíveis no site.
Utilizador Registado Utilizador Não Registado
Mário Crespo e outros problemas
por ALBERTO GONÇALVES
Embora Mário Crespo seja uma pessoa decente e um óptimo profissional, não sei, não posso saber, se a conversa por ele descrita é verdadeira. A alegada conversa, que se tornou na polémica da semana, terá...
ALBERTO GONÇALVES
O rapaz das pizas
ALBERTO GONÇALVES,
Passos perdidos
O caso (nos dois sentidos) da sra. Robinson
Apenas um papel
Uma década para recordar (ou, se possível, esquecer)
Clima: Estados Unidos alertam para acordo "nado-morto"
Nigéria: Vice-Presidente aceitou assumir presidência interinamente
Honda: Construtor chamou 437.763 automóveis em todo o mundo devido a airbag defeituoso
Haiti/Sismo: Supermercado desabou com "cinco a oito" pessoas no interior - responsável
PSD: Distritais reclamam nova liderança até final de março
Ana fez três abortos em três anos
À beira do precipício, mas com esplanadas sempre cheias
Família descobre morte de filho através do Facebook
PGR: Lei do segredo de justiça "não é má, é péssima"
"Não há indício de plano do PM para controlar a imprensa"
Alan Kaufman reinventa o guarda-chuva
Ex-capitão inglês terá tido 12 amantes na última década
Sócrates nega indicações à PT para compra de televisão
Paulo Rangel considera "estranhas" críticas de Assis
Rangel denuncia plano do Governo para controlar Media
brasil
diana piedade
bpp
haiti
emprego
acidente
idolos
salvador caetano
mario crespo
crel
Quem tem mais culpas na má época do Sporting?
Curso de Fotografia e Vídeo Digital
Impressora Multifunções Epson Stylus SX415
Todas as Iniciativas DN
Diário de Notícias, 2009 © Todos os direitos reservados | Termos de Uso e Política de Privacidade | Ficha Técnica | Publicidade | Contactos