Publicidade
Diário de Notícias Diário de Notícias


Maria José Nogueira Pinto

Liberdade de aprender e ensinar

por Maria José Nogueira Pinto  

Na vizinha Espanha parece haver consenso entre PP e PSOE para estabelecer um "Pacto de Estado" em matéria educativa: para melhorar o sistema educativo requer-se uma revisão não partidária, concordam ambos partidos, cientes dos vícios e erros que, governo após governo, têm atirado o ensino espanhol para o fundo da lista dos mais reputados relatórios, como o PISA, que contabilizou o absentismo escolar elevado e os reduzidos níveis de compreensão e assimilação das matérias por parte dos alunos espanhóis.

A opinião pública espanhola tem-se manifestado contra as pequenas medidas cirúrgicas que visam mais as estatísticas do que os resultados e que separam o esforço da motivação, bem como o exacerbar de uma educação dirigida e ultra-laicista que constitui uma insuportável ingerência na esfera privada das famílias e dos alunos.

Sabendo nós como Zapatero inspira Sócrates, é possível ter esperança de que um pacto semelhante ocorra na próxima legislatura. Até porque nessas listas negras, Portugal está sempre atrás da Espanha, embora pelas mesmas razões.

Sendo o sistema de educação um processo de aprendizagem com objectivos de personalização e capacitação, também por cá velhos preconceitos continuam a veicular um modelo "rouseauniano" e igualitarista que transformou a educação numa área sujeita a uma constante experimentação, palco de mudanças inconsequentes e rupturas periódicas e a triunfante ditadura das estatísticas.

A desvalorização do esforço e do mérito, a facilitação como norma, a infantilização das crianças e dos jovens e a falta de autoridade dos professores, a que se soma a permeabilidade da escola à sua envolvente externa e à circunstância concreta de cada aluno, têm comprometido o tempo de escolaridade como tempo de crescimento. Transferidos para um ambiente caracterizado por um excesso de solicitações, estímulos e informação mal digerida, estes jovens vêm-se reduzidos a uma participação meramente virtual ou "não vivida".

Se em Espanha se reclama de uma "educação dirigida", também por cá o Estado confunde o seu papel de garante de uma educação para todos com uma espécie de tutela que invade as consciências, tudo trivializando num pardacento relativismo moral. Numa democracia pouco amadurecida, a liberdade de aprender e ensinar, essencial para a respiração do sistema, é uma ameaça a um Estado que não se conforma com o exercício das suas funções de garante, regulador, financiador e fiscalizador. Tenta-se com ser o dono da rede de serviços, confundindo um sistema educativo com uma rede pública de estabelecimentos educativos. Assim se tem subvertido uma convivência entre público e privado, impedindo a concorrência, a diversidade e a liberdade de escolha das famílias.

Um Estado dogmático para justificar a sua tendência monopolista, impedindo a diversificação de estratégias e itinerários adequados, passando de garante de direitos a mentor de conteúdos e artífice de processos educativos exclusivos.

Através dos impostos, o Estado financia a educação obrigatória dos portugueses, uma rede de estabelecimentos e uma gigantesca máquina burocrática. Esta interpretação extensiva da Constituição não tem dado resultados que a justifiquem. Está na hora de avaliar as vantagens do financiamento público seguir o aluno em vez de cair na confusão do sistema. Para criar uma verdadeira igualdade de oportunidades que só existe se houver, para todos, liberdade de escolha.


ImprimirImprimirEnviar por EmailEnviar por Email
EstatísticasEstatísticasPartilharPartilhar

 
ULTIMOS COMENTÁRIOS

Utente

(cont) Se as condições económicas ...

há 123 dias, 14 horas e 22 minutos

Utente

(cont.)ingressando obrigatoriamente ...

há 123 dias, 14 horas e 28 minutos

Utente

Senhor José Silva Costa: Creio ...

há 123 dias, 14 horas e 31 minutos

jose silva costa

Como pode haver liberdae de escolha ...

há 124 dias, 7 horas e 29 minutos

Utente

Sem liberdade de ensino, como ...

há 124 dias, 12 horas e 59 minutos


BAPTISTA-BASTOS

A questão é esta: há liberdade de imprensa em Portugal? É ociosa, a pergunta, para quem, como eu, vem do tempo em que se escrevia baixinho, tão baixinho que perdêramos muitas das palavras, por mudez e...

VASCO GRAÇA MOURA

Para ajudar os portugueses, o primeiro-ministro não hesitou em fazer trepar o défice por aí acima, como se o défice fosse um ágil macaco correndo a empoleirar-se no topo de um coqueiro. O homem nem pestanejou...

FERREIRA FERNANDES

Desconfio que o fantasma do sr. Seixas ande por aí. Constança Cunha e Sá, em recente artigo, chamou "histeria" ao ar do tempo, mas eu digo nervoseira - não há neurose, não se manifestam nem paralisia...


O DN está aberto à participação dos leitores. Use o email jornalismodecidadao@dn.pt para publicar online os seus artigos, fotos ou videos. Publique os seus SMS usando o número 96 100 200

Ver mais


Comentar

Caracteres disponíveis: 750

Receber alerta de resposta Aparecer como Anónimo
  • Comentar

Nota: Os comentários deste site são publicados sem edição prévia e são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Consulte a Conduta do Utilizador, prevista nos Termos de Uso e Política de Privacidade. O DN reserva-se ao direito de apagar os comentários que não cumpram estas regras. Receber alerta de resposta - será enviado um alerta para o seu e-mail sempre que houver uma resposta ao seu comentário. Aparecer como anónimo - os dados (nome e-mail) são ocultados. Os comentários podem demorar alguns segundos para ficarem disponíveis no site.

Se tem conta, faça Login

Nome do utilizador

Password

Legenda

Utilizador RegistadoUtilizador Registado    Utilizador Não RegistadoUtilizador Não Registado




MARIA JOSÉ NOGUEIRA PINTO

Quem nos defende?

por MARIA JOSÉ NOGUEIRA PINTO

 

Que o primeiro-ministro não goste de Mário Crespo não tem qualquer importância, nem para o Mário Crespo nem para o País. Grave é aquilo que este episódio nos confirma: a ideia de que se pode governar...


Ver Mais



Siga-nos em
Especiais

Recuar
Avançar
PUBLICIDADE


RSS


PATROCÍNIO
sondagem

Inquérito DN

Quem tem mais culpas na má época do Sporting?

José Eduardo Bettencourt
Paulo Bento
Carlos Carvalhal
Pedro Barbosa
Sá Pinto
Os jogadores
Votar  Ver Resultados




Desporto

Todas as notícias

Todas as notícias

Portugal

Grande Entrevista

Grande Entrevista

Desporto

Inscreva-se

Inscreva-se

Cartaz

ESPECIAL ELVIS

ESPECIAL ELVIS




Diário de Notícias, 2009 © Todos os direitos reservados | Termos de Uso e Política de Privacidade | Ficha Técnica | Publicidade | Contactos