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por Pedro Marques Lopes
Nada como uma última semana de campanha eleitoral para descansarmos da política. Este período é aquilo que é: umas festas para quem gosta de gritar e agitar bandeiras, discursos para entusiasmar os que já estão convencidos, troca de piadas entre candidatos e as engraçadíssimas arruadas.
Este extraordinário método de captação de votos merece uma palavrinha especial. Está assim como que a meio de uma mui cristã procissão e uma invasão de térmites poluidores: o líder faz de padre, as bandeiras de andor e os acólitos-térmites esforçam-se por sujar o mais que podem as ruas por onde passam.
Diz que não há ninguém que não fique insensível a tão poderosa arma de propaganda eleitoral.
Mas, bom, durante esta semana quase sabática, houve tempo para reflectir sobre outros temas.
Como todos sabemos, o nosso país tem poucos empreendedores. Ali por volta do século XVI deu aos portugueses uma febre de aventura tão forte que nos deve ter cansado por uns séculos.
Depois dessa ressaca fomo-nos habituando a que tomassem conta de nós e entramos na fase da morrinha.
A morrinha é o nosso estado natural: nem para a frente nem para trás; um "vamos andando" da alma; uma tarde de domingo esparramados no sofá a ganhar cãibras no dedo do controle remoto do televisor; um torcer de pernas a ver se passa a vontade de ir à casa de banho; um que se lixe sussurrado com meia boca para evitar a queda do palito.
Mas parece existir uma nova gente com uma espantosa dinâmica pronta a mudar o nosso fadário.
Tomei conhecimento desta destemida gente, não por qualquer jornal especializado em temas económicos, não por nenhum programa de televisão ou rádio mas, espantem-se as almas, pela chamada, faltando melhor termo, imprensa cor de rosa. E não estamos a falar dos milionários do costume - também não seriam suficientes nem que fosse para meia-dúzia de números. Nada disso. São mulheres, e que mulheres!
Não há número de qualquer das várias revistas da especialidade que traga uma senhora que apenas trabalhe em casa ou que tenha um emprego, dito, normal. Não há professoras, médicas, contabilistas, gestoras, cabeleireiras . São todas mulheres de negócios.
Um cidadão fica cansado só de ler a quase sobre-humana actividade destas senhoras: ele é a educação dos filhos, a coordenação do pessoal doméstico, as festas, a decoração dos respectivos lares, as obras de beneficência, as operações plásticas, as viagens para destinos longínquos e, não fosse isso bastante, são também empresárias. E há mesmo dois ou três extraordinários casos de escritoras em part-time. Isto não são mulheres, são deusas.
Os jornalistas que as entrevistam não perguntam qual o ramo de actividade empresarial destas hiper-activas criaturas. E muito bem, digo eu. Uma coisa é perguntar qual o tipo de implante mamário que resolveram colocar, o cabeleireiro que frequentam, a estância de ski que frequentam, os pormenores do último divórcio, os colégios dos filhos. Isso, claro está, deve ser público e notório. Outra, completamente diferente e a merecer toda a confidencialidade, é perguntar que tipo de negócio desenvolvem. Ninguém tem nada a ver com isso. É matéria reservadíssima.
Fica, porém, implícito que são actividades extremamente rentáveis e que exigem, como é natural, muito trabalho e capacidade de risco. Só assim se pode compreender as casas magníficas onde são fotografadas, as roupas caras, as jóias e os carros topo de gama. Grandes mulheres: todas com um enorme sucesso empresarial e dispostas a levar este país para a frente.
Pode o país dormir descansado: está a nascer uma classe que vai mudar Portugal.
joao americo oliveira ramos
Nenhuma associação de defesa das ...
há 135 dias, 20 horas e 49 minutos
vguerra
Muito trabalho?um,dois,abre,abre, ...
há 136 dias, 5 horas e 46 minutos
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Utilizador Registado Utilizador Não Registado
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por PEDRO MARQUES LOPES
1Afonso Candal, Strecht Ribeiro e Mota Andrade, vice-presidentes do grupo parlamentar do PS, querem que toda a gente saiba os rendimentos de toda a gente.
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