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por Paulo Pinto de Albuquerque
A suspensão do 'Jornal Nacional' constitui um grave ataque à liberdade de imprensa e aos direitos dos jornalistas.
A administração da TVI extinguiu o Jornal Nacional de Sexta, com base em alegadas razões económicas, decorrentes de uma reestruturação em curso naquele canal de televisão. Esta decisão teve como consequência directa a demissão em bloco de toda a direcção de informação, da chefia da redacção e dos editores. O plenário dos jornalistas da TVI repudiou a dita decisão, manifestando a solidariedade com os colegas que se demitiram. Estes factos constituem um grave ataque à liberdade de imprensa, aos direitos dos jornalistas e à competência da direcção de informação.
Com efeito, a extinção do Jornal Nacional só pode ser compreendida em todo o seu sentido se tivermos em conta o contexto em que teve lugar, isto é, os factos que antecederam esta decisão. E há quatro factos objectivos indisputáveis que revelam de forma inelutável o profundo significado político da decisão de extinção do Jornal Nacional. O primeiro desses factos é a crítica directa do jornal da noite pelo próprio primeiro-ministro. Por diversas vezes, o primeiro-ministro fez publicamente críticas directas à linha editorial do Jornal Nacional, dando-lhe até especial relevo num congresso do PS e numa entrevista à RTP. O primeiro-ministro entendia que estava a ser vítima de uma campanha política orquestrada contra ele pela TVI e disse-o publicamente. Ao criticar deste modo os jornalistas que produziam o referido Jornal Nacional, o primeiro-ministro considerava-os seus adversários políticos e o noticiário da TVI, um alvo político a abater.
Portanto, a extinção do Jornal Nacional corresponde objectivamente ao interesse político do primeiro-ministro de pôr fim ao referido programa jornalístico.
O segundo facto é a tentativa de compra da própria TVI pelo Estado. Há meses, uma empresa pública, a Portugal Telecom, tentou comprar uma posição no capital da empresa proprietária da TVI, a Media Capital, que lhe daria uma voz no modo de gestão da referida TVI. Este negócio frustrou-se devido à reacção dos partidos da oposição e da sociedade civil, o que evitou que o Governo, através da Portugal Telecom, viesse a intervir na gestão de um órgão de comunicação social.
O terceiro facto é o afastamento de José Eduardo Moniz da TVI. O gestor que garantia a manutenção da linha editorial do Jornal Nacional sai da TVI, ficando o caminho aberto para uma modificação da grelha informativa da TVI e, em particular, da linha editorial do Jornal Nacional. Por fim, o quarto facto é a ligação do grupo Prisa, que detém o capital da Media Capital, ao PSOE. As ligações políticas do grupo Prisa são conhecidas e a forte solidariedade política entre os dois partidos socialistas ibéricos não é ignorada. Se a decisão de extinção do Jornal Nacional não partiu de Madrid, como afirma a administração do grupo Prisa, ela teve pelo menos a sua cobertura a posteriori, uma vez que não foi revogada por quem tinha poder para o fazer em Madrid.
Tudo somado, estes factos objectivos revelam a clara natureza política da decisão de supressão do Jornal Nacional, que teve o propósito de calar jornalistas incómodos para o primeiro-ministro em vésperas de eleições parlamentares. Não é só a liberdade dos jornalistas da TVI que está em causa. Não é só o respeito pelos poderes legais de uma direcção de informação no tocante à organização da grelha informativa que está em causa. O que está em causa é a liberdade de todos e cada um dos jornalistas portugueses que amanhã queiram falar ou escrever coisas inconvenientes ao Governo.
LFBT
O que está em causa, ao contrário ...
há 149 dias, 6 horas e 52 minutos
Francisco Santos
Se só os jornalistas é que têm ...
há 149 dias, 7 horas e 12 minutos
Sabe-se que a Prisa já nada tem ...
há 149 dias, 7 horas e 19 minutos
joao americo oliveira ramos
Militância e jornalismo não combinam. ...
há 151 dias, 8 horas e 36 minutos
Maria Almeida
Este Sr. é mais um daqueles jornalistas, ...
há 151 dias, 10 horas e 33 minutos
Liberdade, eis a questão
BAPTISTA-BASTOS
A questão é esta: há liberdade de imprensa em Portugal? É ociosa, a pergunta, para quem, como eu, vem do tempo em que se escrevia baixinho, tão baixinho que perdêramos muitas das palavras, por mudez e...
Babados de gratidão
VASCO GRAÇA MOURA
Para ajudar os portugueses, o primeiro-ministro não hesitou em fazer trepar o défice por aí acima, como se o défice fosse um ágil macaco correndo a empoleirar-se no topo de um coqueiro. O homem nem pestanejou...
O sr. Seixas não se deixa asfixiar
FERREIRA FERNANDES
Desconfio que o fantasma do sr. Seixas ande por aí. Constança Cunha e Sá, em recente artigo, chamou "histeria" ao ar do tempo, mas eu digo nervoseira - não há neurose, não se manifestam nem paralisia...
por Telmo Cunha
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