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João Miguel Tavares

Quem tem medo de Manuela Moura Guedes?

por João Miguel Tavares  

Apeixeirada entre Manuela Moura Guedes e António Marinho Pinto não foi um momento edificante, é certo. Mas convinha que ela não fosse aproveitada para alimentar o desejo mal escondido de muito boa gente: acabar de vez com o Jornal Nacional de sexta-feira e enviar Moura Guedes de volta para a prateleira da TVI. Os defensores do Portugal compostinho certamente aplaudiriam a decisão, com o argumento de que "aquilo não é jornalismo". Só que o País ficaria a perder. Porque apesar do sensacionalismo e da ocasional falta de rigor do seu Jornal Nacional - que deve ser apontado quando ocorre, se necessário aos gritos, como fez Marinho Pinto -, há ali um desejo de incomodar, de denunciar, de escarafunchar, de meter o nariz nos podres do poder que a comunicação social portuguesa precisa como de pão para a boca.

Manuela Moura Guedes não é a pivot com que eu mais gosto de acompanhar o jantar. No entanto, ainda sei distinguir o estilo do conteúdo. O facto de ela despejar o frasco da demagogia por cima de todos os textos que lançam as peças, sempre com aquele tonzinho de "isto é tudo uma corja", não significa que as notícias do Jornal Nacional, em si, não sejam relevantes. Hoje em dia nós aguardamos pelo telejornal de Moura Guedes como no tempo do cavaquismo aguardávamos pelo Independente. Ora, esse "deixa cá ver de que forma é que eles vão estragar o fim-de-semana ao primeiro-ministro" é de uma enorme importância num país como Portugal, cuja cultura democrática está ligeiramente acima da da Venezuela e o Governo tem um poder absolutamente excessivo sobre as nossas vidas.

Dir-me-ão que aquilo é desequilibrado e injusto. Muitas vezes, sim. Tal como o Independente. E para dirimir os excessos existem tribunais. O próprio Independente foi condenado em vários processos - mas o seu papel foi inestimável. É que o que está em causa não é a nossa identificação com aquele tipo de noticiário. É, isso sim, a defesa da sua existência num país onde o primeiro-ministro diz que um dia feliz é um dia em que o seu nome não sai nos jornais, lapso freudiano bem revelador do seu desejo de silenciar. As intervenções histriónicas de Manuela Moura Guedes estão à vista de todos, e por isso ela está sujeita a ser criticada da mesma forma que critica. O que não está à vista de todos - e por isso é bastante mais perverso - são os jornalistas que calam, que não arriscam, que se retraem com medo das consequências. O Jornal Nacional tem muitos defeitos, mas pelo menos tem uma independência e uma capacidade de incomodar que advém da mais preciosa das liberdades: a das empresas que têm sucesso, dão dinheiro, e não precisam dos favores do Estado. Em Portugal, infelizmente, isso é um bem raro. Convém proteger os casos que existem.


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29 Comentários


Paulo1962

15 Jul 2009, às 23:26 - Portugal - Santarém

Um último pormenor: duvido seriamente que você, com 13, 14, mesmo 16 anos (altura da casa das Amoreiras de Cadilhe, escândalos no Ministério da Saúde de Leonor Beleza, trapalhadas de Costa Freire) aguardasse semanalmente pelo Independente. Não seria mais a Blitz (para já não falar do suplemento da Rua Sésamo...)???


Paulo1962

15 Jul 2009, às 23:25 - Portugal - Santarém

Caro JMT, ninguém tem medo de MMG. Como, por mais que você se esforce por se por em bicos dos pés, ninguém tem medo de si. A sua ânsia de protagonismo leva-o a tentar "comprar" guerrinhas semanalmente com quem quer que seja (Sócrates, Sousa Tavares, agora Marinho Pinto...). Tenha calma, você não é (e duvido que alguma vez o venha ser) assim tão importante.


Antonio_Almeida

28 Mai 2009, às 22:40 - Portugal - Aveiro

Desde quando confundes medo com nojo???? A isenção nao se faz de atoardas e jornalismo de doca de peixe. Existem alguns milhoes de pessoas normais que não gostam que lhes façam a cabeça Gostam de saber tudo, mas de forma civilizada, e quando tomam partido é porque intelegentemente são capazes de decidir. Sanidade mental meu caro!


Letchi

28 Mai 2009, às 17:40 - Portugal

Deixe-me dizer-lhe que adoro o estilo da sua escrita, usando a ironia com as doses certas. Por outro lado já começo a desconfiar das suas preferências "clubísticas". Não tenho nenhum carinho especial pelo Governo, mas devo dizer que me incomodam as ondas de "bota baixismo" que existem no nosso País, em que todos têm de dizer mal de tudo o que o Governo faça. E a MMG e o JMT são disso exemplo..


Letchi

28 Mai 2009, às 17:24 - Portugal

Deixe-me dizer-lhe que adoro o estilo da sua escrita, usando a ironia com as doses certas. Por outro lado já começo a desconfiar das suas preferências "clubísticas". Não tenho nenhum carinho especial pelo Governo, mas devo dizer que me incomodam as ondas de "bota baixismo" que existem no nosso País, em que todos têm de dizer mal de tudo o que o Governo faça. E a MMG e o JMT são disso exemplo..


drchaves

27 Mai 2009, às 22:30 - Portugal - Lisboa

JMT acha mesmo que os leitores do DN são assim tão tolos ou distraídos? É óbvio que você não consegue esconder que joga politicamente na mesma área da “Manela”. Talvez os métodos utilizados sejam um pouco mais edificantes na forma e no conteúdo, mas no fim persegue objectivos idênticos ao dela! Disfarça mal… Ou nem tenta já sequer


joaquim A. Franco Galego

27 Mai 2009, às 16:11 - Portugal - Portalegre

Sem peixeiradas " O Pais ficaria a perder..." Concordo, porque pronunciaria a escassese de peixes da qualidade da citada e do citador, que originaram este comentário. Qunto ao " Nós aguardamos..." JMT foi abusivo, porque me inclui e eu não lho pedi, até porque o que eu aguardo nas sextas à noite é que o sábado amanheça radioso para que ilumine as mentes de MMG e de JMT, para que nos absolvam!


emanuelmartins

27 Mai 2009, às 13:30 - Portugal - Porto

Como neste site os comentários são limitados em espaço, deixo a hiperligação para um excelente artigo de opinião (ao contrário do agora comentado) que tem óptimas pistas para o modo como a actividade jornalistica deve ser entendida, escrito por um antigo conhecido e conterrâneo meu Paulo Baldaia: http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=1218845&opiniao=Paulo%20Baldaia


Agridoce

27 Mai 2009, às 12:22 - Portugal - Lisboa

É vergonhoso ver um tipo novo, como o autor, a defender a Livre Expressão sem a minima Responsabilidade. Vivem no PREC do jornalismo. O da inconsequência, da anarquia, da irresponsabilidade. Não interessa que se diga a verdade e que se seja responsável, o que é imprescindível é "estragar o fds ao PM"... Coisas de uma mediocridade e de uma tacanhez aflitiva! Acabarão como acabou o Independente...


Ricardo Jorge Cardoso Agostinho

27 Mai 2009, às 10:27 - Portugal - Setúbal

Sem duvida, que é essencial "escarafunchar" os podres, mas não é ético nem profissional criar noticias ou empolalas conforme as tendencias e as necessidades de alguns. É essencial este tipo de informação, mas com o rigor e o profissionalismo que a torna realmente independente, porque as noticias da TVI, têm um dono, que puxa sempre a trela para o mesmo lado.


RCardoso

27 Mai 2009, às 10:22 - Portugal - Lisboa

"Ora, esse deixa cá ver de que forma é que eles vão estragar o fim-de-semana ao primeiro-ministro" é de uma enorme importância num país como Portugal, cuja cultura democrática está ligeiramente acima da da Venezuela ..." Escrita deste quilate nem Manuela M.Guedes conseguia fazer melhor. Excelente como crónica de humor.


RCardoso

27 Mai 2009, às 10:16 - Portugal - Lisboa

Deixa ver se entendo: "da mais preciosa das liberdades" que advém "das empresas que têm sucesso, dão dinheiro..." nasce "uma independência e uma capacidade de incomodar " Caro JMT. Sinceramente..... Reveja lá esses principios. Acho que estão baralhados.


RCardoso

27 Mai 2009, às 09:23 - Portugal - Lisboa

Deixe-me ver se entendo: "a mais preciosa das liberdades" vinda das " das empresas que têm sucesso, dão dinheiro..." dá origem a um jornlismo independente e com capacidade de incomodar. Caro JMT você anda por maus caminhos e com más influências. Tem que rever em que é que acredita.


11111111

27 Mai 2009, às 08:22 - Portugal - Lisboa

O que alguns queriam era um Jornal Nacional feito por uns ou umas Jornalistas que não se cansam de bajular o Governo mas enfim esta Sra.M.M.Guedes não precisa disso e ainda bem porque senão viviamos num País irreal e assim vivemos num País mais real é pena só haver um Jornal Nacional estamos todos a perder e é pena.Força Sra.Dona Manuela Moura Guedes(dava mais jeito uma Fernanda)


a.marques

26 Mai 2009, às 22:50 - Portugal

CHOQUE FRONTAL - Antes notícias incomodativas carregadas de fel e vinagre, que enfeitadas vigarices borradas de gesso e verniz. E quanto a alegada falta de rigôr, melhor seria que alguns caçadores desses troféus, fizessem alguma batida nos próprios redutos onde se acoitam. Bornal cheio.


Maria Almeida

26 Mai 2009, às 22:37 - Portugal - Lisboa

"A ocasional falta de rigor", pelos vistos para o Sr. jornalista é uma situação normal, o que interessa é "escarafunchar". "é desequilibrado e injusto", outra situação que na ética e moral deste Sr. é normal. O que não é normal Sr. jornalista, é o Sr. como jornalista, achar isto normal . Como resolver a honra dos visados que não têm o mesmo brinquedo que a Sra. Manuela M.G. para se defenderem?


Luzmarinha

26 Mai 2009, às 21:12 - Portugal - Braga

Continuo a gostar de ler o que escreve. Oxalá nunca o seu salário dependa do poder político!


maguy

26 Mai 2009, às 18:06 - Portugal - Lisboa

Mais uma vez parabéns, as suas crónicas são sempre do meu agrado.Manuela Moura Guedes, é necessária para quem quer saber do país real e não vai em conversa da treta.Podem não gostar do seu estilo, mas que é graças a ela que sabemos o país que temos e não o que nos querem impingir.


Makiavel

26 Mai 2009, às 17:13 - Portugal - Lisboa

Não é possível comparar o extinto O Independente com o Jornal Nacional feito pela versão feminina do Joker do Batman. Seria confundir investigação com atoardas popularuchas, irreverência com insolência de familiar de director, cultura com produto audiovisual de baixo nível, estilo bigbrother. Espero que apareçam mais "Marinhos Pinhos" naquele Jornal Nacional.


laranginha

26 Mai 2009, às 16:02 - Portugal - Vila Real

pois continue com o telejornal tal como até agora.Pode haver alguém"muitos"que não gostem.mas a maioria está do seu lado.muitos o não diram por receio,ou medo.não desista.pelo menos ficamos a saber que não são os titulos que dão educação.o seu entrevistado de sexta feira,mostrou a saciedade do que é capaz.Parabens e continue sempre


Henrique Coutinho

26 Mai 2009, às 13:44 - Portugal - Lisboa

M. Moura Guedes (MMG) não é Virginia Wolf. Só tem medo da MMG quem tem medo da verdade. Se uma peixeira disser que Einstein era burro devemos deixar de o admirar só pelo facto dela não saber ler? Uma lagosta embrulhada em papel de jornal vale menos que um carapau? Semana a semana vemos que JMT é Homem. De coragem. Ficámos a saber que MMG também os tem no sítio. Vivam todos os que amam a Liberdade!


pincelim@gmail.com

26 Mai 2009, às 11:36 - Portugal

Percebe-se muito bem o tipo de jornalismo que este jovem jornalista advoga.Achar que a defesa da liberdade de expressão pressupõe a defesa do jornalismo de sarjeta que possibilita quem não tem competência para ser jornalista, de o ser, é uma típica defesa de quem vive do tratamento de uma informação pérfida com o propósito cobarde de denegrir pessoas de quem não se gosta. E isso é crime!...


grb

26 Mai 2009, às 11:30 - Portugal - Lisboa

Este texto é bem revelador do raciocínio enviesado que o autor demonstra a propósito da sua profissão. A coberto de supostas intenções de "silenciar" Moura Guedes, defende um tipo de jornalismo abjecto com base numa pretensa "coragem". Para muitos como eu, fazer uso do poder imenso que se tem para processos de intenção e julgamentos sumários recheados de demagogia bacoca não é mais que cobardia!


vguerra

26 Mai 2009, às 11:09 - Portugal - Lisboa

O Jornal da "botoxada" Manuela é mau ,mas activo.Isso incomoda sobretudo os sequazes do chefe do PS,incluindo o Bastonário da OA.Parece esquecerem que para os desvarios da TV, há sempre o "remot control"


EUZINHO

26 Mai 2009, às 10:58 - Portugal - Lisboa

Como eu ocompreendo João Miguel Tavares... Mas ser-se um jornalista isento, corajoso, bom profissional, em suma, não passa por ser como a Manuela Moura Guedes, muito pelo contrário. Nem mesmo como o J. Miguel Tavares. Há exemplos de bons, corajosos, isentos jornalistas em Portugal. São raros, mas existem.


Nuno Cotta Azevedo

26 Mai 2009, às 10:33 - Portugal - Porto

Previsível, aliás, como diria o outro, elementar meu caro Watson. O cronista defende quem pratica o mesmo do que ele. Pena é confundir a liberdade de empresa com desígnios / interesses pessoais.


Odegaard

26 Mai 2009, às 09:44 - Portugal - Lisboa

Gosto muito da Manela. É muito gira, engraçada, arregala os olhos, olha-nos "de cima para baixo" e diverte-se imenso a comentar as «suas» notícias na estação de televisão dela. E discordo que ela seja peixeira, como dizem. Eu, pessoalmente, gosto muito de peixe e as peixeiras são pessoas muito simpáticas. É por isso que «acho» muita piada ao telejornal dela.C. Odegaard, Sintra


ruicb52

26 Mai 2009, às 09:16 - Portugal - Porto

Os meus parabens Joao M Tavares. A peixeirada nao poderia ser explicada melhor à Sociedade e ao Povo Portugues: de modo simples e explicito; a diferenca entre Estilo e Conteudo. Pena é que nem todos pensem assim e vejam a importancia desta existencia com uma leitura e visao intemporal, que so o passar do tempo e evoluir das circunstancias ira provar a sua necessidade pedagogica politica e social.


luzinha

26 Mai 2009, às 08:45 - Portugal - Braga

"... à vista de todos - e por isso é bastante mais perverso - são os jornalistas que calam, que não arriscam, que se retraem com medo das consequências." "...precisam dos favores do Estado." Essa é que é essa!





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