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por João Marcelino
1 Esta semana fui almoçar com um amigo, também jornalista. Quando regressei, as pessoas com quem mais de perto trabalho já sabiam com quem tinha estado, e onde. Acabara de ser "vítima" da arma mais juvenil das redes sociais, o twitter, ainda por cima às mãos de um jornalista. Felizmente, o "repórter" não entendera ser importante referir que eu e o António Tadeia (desculpa lá ó António corroborar na indiscrição) comemos jaquinzinhos, daqueles que, por falta de corpo, passariam à justa nas malhas da ASAE, se passassem. E fora elegante ao ponto de não referir a pequena nódoa que eu, por aselhice no manuseio de uma chávena de café, trazia nas calças desde a manhã desse dia. Tenho de agradecer. Em 140 caracteres, apesar de tudo, quem capricha pode ser ainda mais inconveniente, quiçá malcriado. Eu, desta vez, escapara…
2 Confesso: também frequento o twitter, de vez em quando, à procura de ideias interessantes, e de notícias, mas o que ali vejo predominar por enquanto é o egocentrismo, a vaidade mal disfarçada, e, imagino, muito problema de solidão. Já que me deram o pretexto, aproveito: faz-me confusão ver pessoas com responsabilidades - no jornalismo, na política, em muitas áreas da vida social portuguesa - a discutirem em público temas tão interessantes como o exame da próstata, a informarem-nos sobre o que comem, a dizerem aos seus fanáticos e devotos "seguidores", que cultivam com evidente gozo e em orgulhosa competição, onde estão e o que fazem. Sinceramente, respeito mas não gosto. Em definitivo, só estranho que estas novas estrelas do big brother twitter, algumas das quais se rebelaram na altura contra o tabloidismo de determinados formatos televisivos, chafurdem agora no mesmo mundo, oco e exibicionista, ainda por cima de borla. O José Castelo Branco, ao menos, fazia-se pagar pelas rábulas. E às vezes tinha graça, o que não é de somenos.
3 Morreram dois jornalistas: Vítor Direito e Alfredo Farinha. Conheci-os a ambos. Vítor Direito foi o meu primeiro director, no Correio da Manhã que ele fundou e dirigiu com a pulsão de contrapoder e provocação que deve animar os projectos jornalísticos. Alfredo Farinha, apesar da diferença de idades, foi um grande companheiro em muitas viagens pelo mundo, a propósito do futebol, quando a reportagem era um género cultivado pelos jornalistas e apreciado pelos leitores. Se Vítor Direito valia pela síntese (durante décadas exercitada no "Bilhete Postal"), Alfredo Farinha (que nunca teve ambições de chefiar o que quer que fosse na sua A Bola) notabilizou-se pela riqueza da palavra em longos textos de reportagem, crónica, entrevista e, às vezes, opinião. Eram dois espíritos rebeldes e livres, mas íntegros e justos. Um grande exemplo, substantivo, para todos os militantes da informação.
José Sócrates processou João Miguel Tavares por um artigo escrito a 3 de Março no DN e o nosso colunista, ex-jornalista da casa, já foi ouvido. Um mês bastou! Bem sei que os processos por eventual abuso de liberdade de imprensa costumam andar um pouco mais rápido do que os outros, mas deixo a nota: a Justiça, quando quer, pode ser célere. Assim fosse sempre e não haveria processos esquecidos, durante tantos anos, nas prateleiras dos tribunais…
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