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Ao PSD não parece interessar o facto de o País estar no meio de uma enorme crise económica, com a perspectiva até de mais quatro anos de parco crescimento e sem expectativas de qualquer alteração estrutural. Nem parecem interessar, também, os alertas de instabilidade política séria. Ou sequer os conselhos de quem, no passado, já comandou o partido, como os que foram deixados no congresso de Mafra por Marcelo Rebelo de Sousa ou Marques Mendes. Este fim-de-semana, os candidatos que lutam pela liderança social-democrata deram uma vez mais uma triste imagem do partido que representam a quem segue com os caminhos que vai seguir depois das directas.
O mote foi, agora, o caso das assinaturas de Aguiar-Branco. O candidato viu devolvida boa parte das que entregou na sede do partido para oficializar a candidatura. E teve de partir em busca de umas novas centenas para poder apresentar-se na corrida. Foi o suficiente para uma maré de intrigas. Ao invés de deixar o candidato resolver o caso, sucederam-se as acusações recíprocas entre as candidaturas. Se eram necessárias provas de desunião, elas aí estão.
Não pode dizer-se - e ainda bem - que o caso seja definitivo. O líder eleito terá a oportunidade iniciar e concretizar um processo de pacificação. Mas os casos desta campanha e os do congresso - desde a cena do perdão de Passos Coelho a Alberto João Jardim à polémica sobre a lei da rolha -, só por si, já deram mote a José Sócrates para apontar o dedo ao PSD, acusando-o de instabilidade crónica. É um mau ponto de partida para o novo líder. E um mau sinal para o partido e o País.
Na ETA não se confia
O jornal basco Gara foi mais uma vez escolhido pela ETA para enviar uma mensagem a Espanha. Desta vez, a organização independentista admite estar disposta a fazer os avanços necessários no caminho de uma mudança política, mas não se compromete com uma trégua, muito menos a desistir da luta armada. Ou seja, é necessária cautela com a interpretação deste comunicado etarra, mesmo que o texto evidencie um debate que se sabe estar a acontecer entre as bases que até agora têm apoiado a via terrorista da organização.
Criada há meio século, a ETA nunca soube adaptar-se à democratização da sociedade espanhola. Os atropelos à identidade cultural basca, regra na era franquista, desapareceram por completo com a nova Constituição e o regime de autonomias que não tem par na Europa. Tirando a defesa e os negócios estrangeiros, o País Basco autogoverna-se sem dar contas a Madrid e é, aliás, uma das regiões mais prósperas de Espanha. Os partidos nacionalistas têm estado no Governo quase em permanência, o que agora não acontece devido a uma aliança entre o PSOE e o PP, que mostra a força do eleitorado espanholista na região e explica por que razão uma independência parece completamente fora de hipótese por muitas mortes que a ETA faça. E são já mais oito centenas, na sua maioria polícias e militares, mas também políticos e ocasionalmente outros civis vítimas fortuitas. Acossada policialmente no País Basco, no seu antigo santuário em França e agora também em Portugal, a ETA tem vindo a perder força, mesmo que continue a ser capaz de matar (há dias um etarra abateu um polícia francês).
A ETA não é de confiança. Se um dia voltar a negociar, será porque está fraca. E, por isso, as autoridades espanholas não devem deixar de a perseguir. Quando o terror não existir, o País Basco poderá então viver em paz e debater com ampla liberdade qual deve ser o seu futuro.
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