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A diferença para a governação entre um respaldo parlamentar com ou sem maioria absoluta está bem patente nos dias que correm. Fazendo fé à leitura dos sindicatos de professores dos sinais emitidos pela nova equipa da 5 de Outubro, nem vale a pena perder tempo com jogos de palavras: se aqueles que resistiram até agora em cumprir o que estava estipulado para concretizar a sua própria avaliação e se os responsáveis pela conclusão deste 1.º ciclo de notações vão ser isentados de completar vários trâmites finais - já reconhecidos como desnecessários para o novo quadro de avaliação que se quer abrir -, o Governo acaba por ceder à reivindicação central da frente sindical, reduzindo a pó a versão simplex em vigor. É certo que, sem uma maioria parlamentar que o suporte, o Governo não tinha grande saída. Mas os factos revelam a derrota do Executivo perante a força dos sindicatos.
O que o Governo pode fazer depende da força efectiva que consiga agregar. E, neste ponto, convém recordar que a perda de meio milhão de votos não ficará impune numa questão que polarizou o País. O essencial prende-se agora no detalhe. As dezenas de milhar de professores e as centenas de conselhos executivos de escolas que cumpriram a tempo o que a lei lhes impunha não devem assistir com gosto a uma tabula rasa, que premeie aqueles que optaram pela resistência cívica e política a essas mesmas disposições legais. O que levanta, de novo, a questão de saber se o que vem aí consegue ou não identificar e premiar a excelência e alertar para os desempenhos abaixo do padrão de exigência aprovado.
O mais, na Assembleia da República, vai acabar por ser muito barulho por algo que, no essencial, já está decidido.O poder de Obama tem os seus limites
Até "o homem mais poderoso do mundo" tem limites ao seu poder. E no caso da democracia americana esses limites têm que ver com o triângulo complexo entre poderes executivo, legislativo e judicial, aquilo a que os constitucionalistas chamam de sistema de freios e contrapesos. Sobre a promessa de Barack Obama de no prazo de um ano fechar a prisão na base de Guantánamo, e que agora o próprio admitiu não ser realizável, a única crítica a fazer é que o Presidente dos Estados Unidos foi ingenuamente optimista.
A sua vontade de marcar diferença com a Administração de George W. Bush e de remover a nódoa de Guantánamo, uma prisão contestada pelo mundo inteiro, levou-o a assumir um compromisso que depende também da boa vontade do Congresso e que gera ainda fortes dúvidas legais, como o que fazer com os suspeitos de terrorismo cuja submissão a tortura inviabiliza as provas obtidas. Pelo meio, e com a boa vontade de aliados como Portugal, tem sido possível resolver o destino dos presos sem razões para serem julgados mas que, por risco de vida, não podem ser devolvidos aos seus países.
Obama, que aprendeu a lição um ano depois da sua eleição, recusa-se agora a fixar novo prazo para o encerramento da base, mesmo dizendo que deverá ocorrer em 2010. Mas não se desvie a atenção do essencial: O Presidente Obama teve a coragem de admitir que Guantánamo é contra a natureza da América. E sabemos que se depender do sucessor de Bush é uma questão de meses até ser apagada a tal nódoa.
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