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Um Governo de combate político. Esta é a principal conclusão que se pode tirar do perfil do XVIII Governo Constitucional, que ontem José Sócrates apresentou ao Presidente da República e que tomará posse na próxima segunda-feira. José Sócrates apostou no seu núcleo duro de ministros com experiência política e colocou--os em áreas-chave para ter quem responda aos argumentos da oposição, resguardando-o a si de um desgaste constante, inerente à minoria com que vai ter de governar.
Mas há outras conclusões importantes a realçar.
Teremos um Governo que dará prioridade à economia. A transição de um dos ministros com mais trabalho feito na anterior legislatura, Vieira da Silva, para a pasta deixada vaga por Manuel Pinho, e a entrada de um sindicalista para a área do Trabalho, revela a preocupação com o combate aos altos níveis de desemprego e também com a necessidade de apoiar as empresas portuguesas e captar investimento estrangeiro. Além disso, a aposta em António Mendonça nas Obras Públicas, um economista que tem defendido o investimento público e as grandes obras como solução contra a crise (do TGV ao aeroporto), mostra que essa se manterá como uma opção estruturante.
Trata-se, também, de um Governo de gestão. Outra ilação a retirar da lista de 16 ministros, oito dos quais são caras novas e oito transitam do Executivo anterior, dois deles em pastas diferentes. Como esta não vai ser uma legislatura de grandes reformas, que já foram feitas, mas sim da sua implementação, José Sócrates escolheu personalidades que concordam com a suas posições e de inquestionável competência técnica.
É um Governo que reflecte os resultados eleitorais. O primeiro-ministro minoritário percebeu que a constituição do novo Executivo tinha de ser o reflexo do eleitorado e das contestações recentes às políticas do Governo e optou por mudar áreas polémicas como a educação, a cultura ou a agricultura. Isabel Alçada, uma professora que conhece por dentro o sector, na Educação, Gabriela Canavilhas, uma pianista premiada, na Cultura, ou Alberto Martins, um homem de Coimbra para uma Justiça muito marcada por coimbrões, são como que "clones" da opção de sucesso que foi a médica Ana Jorge à frente da Saúde.
Um Governo com uma viragem à esquerda. Uma última interpretação a fazer sobre o novo Executivo. José Sócrates não só apostou em nomes da área mais à esquerda do seu partido, dos quais se deve salientar, além de Alberto Martins, Helena André, a sindicalista escolhida para a pasta do trabalho - que se juntam a Vieira da Silva e a Ana Jorge -, como tenta agradar a bandeiras dessa esquerda: além do número de mulheres no Executivo (cinco, quase um terço), aposta no combate ao desemprego e uma das primeiras medidas que tomará depois de reconduzido será o casamento entre homossexuais (págs. 2 e 3).
Em resumo: José Sócrates investe nas áreas fundamentais em tempos de crise, a Economia, o Trabalho e as Finanças - onde, obviamente se mantém Teixeira dos Santos -, cria um Governo com músculo político e nervos de aço para enfrentar uma oposição feroz perante uma minoria, além de tentar pacificar os sectores mais polémicos. Pode resultar. Sobretudo defendê-lo-á nos primeiros, e mais duros, dois anos iniciais da nova legislatura.
Nick Bolas
Com certeza que António Mendonça ...
há 109 dias, 15 horas e 15 minutos
Francisco Brotas
Oxalá me engane,mas não creio ...
há 109 dias, 17 horas e 39 minutos
vguerra
Em suma,um governo de combate ...
há 109 dias, 18 horas e 41 minutos
Liberdade, eis a questão
BAPTISTA-BASTOS
A questão é esta: há liberdade de imprensa em Portugal? É ociosa, a pergunta, para quem, como eu, vem do tempo em que se escrevia baixinho, tão baixinho que perdêramos muitas das palavras, por mudez e...
Babados de gratidão
VASCO GRAÇA MOURA
Para ajudar os portugueses, o primeiro-ministro não hesitou em fazer trepar o défice por aí acima, como se o défice fosse um ágil macaco correndo a empoleirar-se no topo de um coqueiro. O homem nem pestanejou...
O sr. Seixas não se deixa asfixiar
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Desconfio que o fantasma do sr. Seixas ande por aí. Constança Cunha e Sá, em recente artigo, chamou "histeria" ao ar do tempo, mas eu digo nervoseira - não há neurose, não se manifestam nem paralisia...
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